terça-feira, 12 de maio de 2026

Diretor-executivo da BlackRock elogia o Pix: "tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez"

Diretor-executivo da BlackRock elogia o Pix: "tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez" Larry Fink afirmou que o Brasil reúne infraestrutura digital, energia e mercado para atrair capital 12 de maio de 2026, 18:36 h Redação Brasil 247 avatar Conteúdo postado por: Redação Brasil 247 Larry Fink, diretor-executivo BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, afirmou que o Brasil possui vantagens competitivas importantes na economia digital e destacou o avanço do país em pagamentos instantâneos, digitalização financeira e adoção de tecnologia. As declarações foram feitas na segunda-feira (11), durante evento promovido pela Amcham e pela BlackRock, em Nova York. As informações são da Exame. Ao comentar o sistema de pagamentos criado pelo Banco Central do Brasil, Fink afirmou que gostaria de ver uma ferramenta semelhante nos Estados Unidos. “Tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez ao criar o Pix. Gostaria que tivéssemos isso aqui”, afirmou. Durante a conversa, o executivo citou o Brasil como um dos mercados emergentes mais preparados para aproveitar tendências ligadas à digitalização financeira, à tokenização de ativos, à inteligência artificial e ao aumento da demanda global por energia. Segundo Fink, poucos países conseguiram desenvolver uma infraestrutura digital com adesão tão ampla da população quanto o Brasil. “O Brasil tem uma vantagem”, afirmou. Para o executivo, a população brasileira já opera com uma “mentalidade digital”, o que pode acelerar mudanças no sistema financeiro e no mercado de capitais. Fink também associou o Pix ao processo de formalização da economia. “O Pix realmente permitiu transformar a economia informal em formal”, disse. “Menos fraude, menos corrupção.” Avanço da digitalização financeira O diretor-executivo da BlackRock afirmou ainda que o Brasil está entre os líderes globais em uso de criptomoedas e pagamentos digitais. Segundo ele, a próxima etapa da transformação financeira será a tokenização de ativos. “Quando falo de digitalização, estou falando de tokenizar ações, tokenizar títulos, tornar tudo digital”, afirmou. “É para onde o mundo está indo — e isso vai acontecer muito rapidamente.” Na avaliação de Fink, investidores deverão concentrar, em carteiras digitais, ativos como dinheiro, crédito, ações, títulos e imóveis tokenizados. O executivo comparou o atual estágio da tokenização aos primeiros anos da internet comercial. “Estamos nos primeiros dias disso”, afirmou. Segundo ele, Brasil e Índia possuem vantagem estrutural na digitalização financeira por já contarem com pagamentos instantâneos amplamente difundidos e infraestrutura digital consolidada. “Brasil e Índia são os únicos países que realmente têm essa mentalidade digital”, disse. Energia e inteligência artificial Fink também relacionou o potencial brasileiro ao crescimento da infraestrutura energética voltada à inteligência artificial. De acordo com ele, países com abundância de recursos naturais e capacidade competitiva de geração de energia terão posição estratégica na próxima década. “Em países como o Brasil, que têm abundância de sol e hidrocarbonetos, isso pode representar um florescimento para o Brasil”, afirmou. Para o executivo, energia barata será um dos principais fatores de competitividade em meio à expansão de data centers e infraestrutura de inteligência artificial. “Se não tivermos energia barata suficiente, será difícil para um continente ou um país competir”, declarou. Destino de capital internacional Fink afirmou ainda que Brasil e México tendem a receber parte relevante dos investimentos internacionais na América Latina nos próximos anos. “Acho que os dois lugares para onde o capital vai se direcionar, no geral, serão Brasil e México”, disse. Segundo ele, o Brasil reúne vantagens ligadas a recursos naturais, mercado interno e capacidade energética. O executivo ponderou, porém, que a atração de capital também depende da ampliação da participação de investidores locais no financiamento da economia. “Mais e mais países estão dizendo: ‘Eu não quero ficar tão exposto à importação de capital para fazer meu país crescer’”, afirmou. Transformação de poupadores em investidores Nesse contexto, Fink defendeu políticas voltadas à transformação de poupadores em investidores, especialmente por meio de aposentadoria privada e aplicações de longo prazo. Segundo ele, historicamente, os brasileiros mantiveram grande parte dos recursos em caixa ou em aplicações conservadoras. “Se você está na renda fixa, você é um inquilino”, afirmou. “Você não está crescendo junto com o seu país”, completou. Na avaliação do executivo, ampliar a presença da população no mercado de capitais pode fortalecer o investimento doméstico, reduzir a dependência de capital externo e estimular o crescimento econômico. “Precisamos transformar poupadores em investidores”, declarou. Fink também citou o Japão como exemplo de país que ampliou a participação de investidores locais no mercado acionário, movimento que, segundo ele, contribuiu para impulsionar a bolsa japonesa e atrair capital estrangeiro.

O Xadrez do Poder: Como a Lei da Dosimetria Virou Pó em Menos de 24 Horas nas Mãos de Moraes

O Xadrez do Poder: Como a Lei da Dosimetria Virou Pó em Menos de 24 Horas nas Mãos de Moraes por minhquang8386 12/05/2026 O cenário parecia desenhado para uma celebração histórica nos bastidores de Brasília. Após meses de articulação, negociações intensas e um braço de ferro declarado com o Executivo, o Congresso Nacional finalmente via seu plano ganhar vida. A lei da dosimetria, aprovada pela maioria parlamentar, havia derrubado o veto do presidente Lula e foi devidamente promulgada. Com publicação no Diário Oficial, o clima entre os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro era de “missão cumprida”. A engenharia jurídica foi acionada imediatamente. Advogados, com petições já redigidas e revisadas, correram para protocolar os pedidos de revisão de pena. A expectativa era palpável: em questão de horas, sentenças pesadas começariam a encolher, e figuras centrais do cenário político, como o próprio Bolsonaro, Braga Netto e o almirante Almir Garnier, poderiam vislumbrar um horizonte de liberdade ou, no mínimo, de penas dramaticamente reduzidas. As redes sociais borbulhavam; grupos de mensagens disparavam alertas de vitória. Parecia que, desta vez, o Legislativo havia encontrado a brecha perfeita. No entanto, o que muitos celebraram como um xeque-mate revelou-se apenas o início de uma jogada muito mais profunda e complexa. Em menos de 24 horas, todo o progresso foi paralisado por uma força que o bolsonarismo, embora conheça bem, parecia ter subestimado na urgência do momento. O Contra-ataque de Alexandre de Moraes Enquanto os foguetes eram soltos virtualmente, dez pedidos de redução de pena aterrissaram na mesa do ministro Alexandre de Moraes. A resposta não veio com a lentidão burocrática costumeira do Judiciário, mas com uma precisão cirúrgica e uma velocidade que desnorteou os requerentes. Um por um, os dez pedidos foram negados. Mais do que negar os pedidos individuais, Moraes emitiu um comunicado formal que funcionou como uma “parede de contenção”: todos os efeitos da nova lei estavam suspensos. Não teria análise, não teria decisão, e nenhum benefício seria concedido enquanto o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) não se pronunciasse sobre a constitucionalidade da norma. Essa manobra não foi um ato de voluntarismo. O STF foi provocado por ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) movidas pelo PT, pela Rede e pelo PSOL. No rito jurídico brasileiro, uma vez que o Supremo é questionado sobre a validade de uma lei em relação à Constituição, o relator tem o poder — e, em muitos casos, o dever — de paralisar sua eficácia para evitar danos irreversíveis. O destino, ou o sorteio processual, colocou a ação justamente nas mãos de Moraes, o magistrado que contribuiu com as investigações de 8 de janeiro. O jogo, que parecia ganho pelo Congresso, voltou ao ponto zero antes mesmo do primeiro condenado fora das notas. A Estratégia do Silêncio e o “Não Tácito” Existe um detalhe crucial nesta história que as manchetes apressadas costumam ignorar, e ele reside no funcionamento silencioso das instituições. A suspensão da lei abre caminho para um mecanismo que os juristas chamam de “não tácito”. Uma ADI pode tramitar no Supremo por três, cinco ou até dez anos. Enquanto o processo segue o seu rito — com pedidos de vista, manifestações da Advocacia-Geral da União (AGU), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de amicus curiae — o tempo não para. Para os condenados, cada dia que passa é um dia a menos de pena cumprida. Se o STF optar por não enfrentar o Congresso de frente imediatamente, ele poderá simplesmente deixar o tempo trabalhar. Se as penas foram cumpridas integralmente enquanto a lei dorme nas gavetas do Judiciário, chegará um momento em que a dosimetria perderá o objeto. O condenado já terá saído da prisão pelo fluxo normal da sentença original. O STF não precisará dizer que a lei é inconstitucional; ele terá apenas deixado que ela se torne irrelevante. É uma moda processual do silêncio, uma forma de evitar o atrito político direto enquanto se mantém a autoridade judicial intacta. A Fúria e a Narrativa da Desinformação A ocorrência bolsonarista foi imediata e abalou um protocolo já conhecido: a transferência do debate jurídico para o campo emocional e narrativo. Flávio Bolsonaro, mesmo sendo advogado e conhecendo os ritos de uma ADI, foi às redes sociais classificar a decisão como uma “canetada monocrática” e um ataque à “decisão do povo” representada pelo Congresso. Essa estratégia de velocidade informacional é calculada. A narrativa de perseguição chega à base antes que qualquer explicação técnica sobre constitucionalidade possa circular. O objetivo não é convencer através do Direito, mas confundir e mobilizar através da indignação. Ao transformar uma etapa obrigatória do processo judicial em uma prova de autoritarismo, mantém-se o engajamento da militância, independentemente dos fatos reais contidos nos automóveis. Impactos Além do Plenário: Política e Economia A queda da dosimetria não é apenas uma revisão jurídica para indivíduos específicos; é a implosão de um projeto político planejado para as eleições de 2026. A lei era vista como um combustível eleitoral: a promessa de liberdade para líderes da direita poderia criar uma narrativa de “mártires que retornam”, energizando o eleitorado. Sem esse ativo, a estratégia para 2026 precisa ser recalculada do zero. Além disso, o choque entre os Poderes gera ondas de choque na economia. Os investidores monitoram a estabilidade institucional como uma tabela de risco. Quando o Legislativo aprova uma lei e o Judiciário a trava em menos de um dia, a percepção de insegurança jurídica aumenta. Isso se traduz em alta do dólar, encarecimento do crédito e, por fim, no aumento do custo de vida para o cidadão que acompanha sequer o noticiário político. A instabilidade de Brasília, portanto, termina no preço da prateleira do supermercado. O Que Esperar do Futuro? O debate está longe de terminar. O STF agora enfrenta dois caminhos: O Julgamento Célere: Decidir rapidamente pela inconstitucionalidade, enfrentar o Congresso de forma direta e reafirmar limites à maioria parlamentar. O Rito Cadenciado: Deixar o processo seguir seu curso lentamente, permitindo que as penas sejam cumpridas e a lei perca sua praticidade sem gerar um confronto aberto de curto prazo. Enquanto isso, nos bastidores do Congresso, já se fala em novas manobras legislativas e pressões sobre o Supremo por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que limitam o poder dos ministros. O que aconteceu nestas últimas 24 horas foi um lembrete vívido de que, na democracia brasileira, a última palavra relatada é dita por quem fala primeiro. A velocidade com que Moraes agiu indica que as instituições não estão apenas reagindo, mas antecipando movimentos em um tabuleiro onde cada peça movida altera o destino da nação para as próximas décadas. O Brasil observa, a pergunta que fica para o debate é: o equilíbrio entre os poderes sairá fortalecido ou definitivamente fraturado após este episódio?

domingo, 10 de maio de 2026

Na Casa Branca, Lula impõe-se como estadista global e defensor da soberania brasileira

Na Casa Branca, Lula impõe-se como estadista global e defensor da soberania brasileira Lula voltou do encontro com Trump fortalecido politicamente, com ganhos concretos para o país 10 de maio de 2026, 05:13 h O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca, na última quinta-feira, foi além de um episódio diplomático de alto nível. Significou demonstração contundente de presença política, preparo e capacidade de liderança internacional de Lula em um momento no qual adversários internos já se precipitavam em delirar, mais uma vez, sobre o suposto fim de seu governo. Após as derrotas sofridas no Congresso — tanto na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal quanto na derrubada dos vetos presidenciais à legislação que suaviza penas de Jair Bolsonaro e de outros envolvidos nos atos golpistas e na trama de assassinato do próprio Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes — setores da mídia oposicionista e parcelas do sistema político correram para decretar um colapso do governo. As cassandras habituais, ansiosas por antecipar o funeral político do presidente, repetiram o ritual de previsões que acompanham Lula desde seu primeiro mandato. Todas apocalípticas e furadas. O encontro em Washington evidenciou justamente o contrário: um presidente plenamente ativo, de prontidão, atento aos interesses nacionais e capaz de atuar em cenários de elevada complexidade internacional. Enquanto muitos se ocupavam em especulações domésticas de curto prazo, Lula viu uma janela de oportunidade, demonstrou compreender a dimensão estratégica do momento global e a necessidade de defender imediatamente o Brasil diante de pendências concretas. A principal delas era a possibilidade de imposição de tarifas pesadas sobre produtos brasileiros no mercado norte-americano. O risco exigia ação política direta no mais alto nível. Lula agiu. E o resultado foi inequívoco: Trump concordou com a proposta de Lula de adiar por trinta dias qualquer decisão sobre o tema, abrindo espaço para novas negociações entre os dois países. O Brasil ganhou tempo precioso graças à intervenção direta de seu presidente. Não se tratou apenas de evitar danos econômicos imediatos. O encontro permitiu avançar em temas decisivos para o futuro da relação bilateral, como o combate ao crime organizado, a cooperação na exploração de terras raras com produção de valor agregado no Brasil e as discussões envolvendo o Pix e mecanismos financeiros digitais brasileiros. Em todos esses pontos, Lula apresentou-se com firmeza, defendendo a soberania nacional sem submissão nem bravatas. Ao mesmo tempo, deixou claro que o Brasil está aberto à cooperação internacional ampla, inclusive com parceiros como a China, reafirmando uma política externa pragmática e soberana. Foi um gesto típico de estadista: dialogar com Washington mesmo tendo que aceitar a reunião em prazo curto, sem renunciar à autonomia estratégica brasileira. Importa recordar que esta foi, a rigor, a primeira reunião formal de trabalho em nível presidencial entre Lula e Trump em seus atuais mandatos. Num cenário internacional marcado por tensões comerciais, disputas geopolíticas e crescente instabilidade, o simples fato de estabelecer um canal direto de interlocução já representa um ativo político importante para o Brasil. Até mesmo Trump, pródigo em ações criminosas e declarações desatinadas, acabou reconhecendo algo evidente ao definir Lula como um presidente “dinâmico”. Desta vez, não houve exagero. Houve apenas uma concessão involuntária e tímida ao óbvio. O contraste torna-se ainda mais eloquente quando comparado à atitude do principal adversário de Lula, tanto nas disputas políticas recentes como na eleição que se aproxima. Enquanto o presidente brasileiro foi à Casa Branca afirmar a soberania brasileira, contestar tarifas, examinar cooperação com um parceiro inevitável, seus opositores seguem presos à lógica da vassalagem ideológica e da marginalização internacional a que foi relegado o Brasil nos tempos de Bolsonaro. Não por acaso, até o Diário do Povo chinês ressaltou a firmeza demonstrada por Lula diante das pressões de Trump. O reconhecimento externo apenas reforça aquilo que os setores mais hostis da política nacional tentam inutilmente ocultar: Lula continua sendo o raro líder brasileiro com densidade política, experiência e capacidade real de atuação no tabuleiro global. Os mesmos que anunciavam, há poucos dias, um governo acuado e terminal, agora precisam lidar com um fato incontornável: Lula voltou do encontro com Trump fortalecido politicamente, com ganhos concretos para o país e reafirmado como interlocutor internacional relevante. Mais uma vez, as previsões do colapso iminente revelaram-se apenas aquilo que sempre foram: torcida estéril, desmontada pelo trabalho de um estadista num encontro de três horas na Casa Branca que resultou numa vitória diplomática maiúscula.

PT, PCdoB e PV acionam STF contra Lei da Dosimetria

PT, PCdoB e PV acionam STF contra Lei da Dosimetria Partidos questionam a constitucionalidade da norma que beneficia condenados por atos golpistas 08 de maio de 2026, 21:03 h O Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV) protocolaram uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a chamada Lei da Dosimetria. A medida altera a forma de aplicação de penas a condenados por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL). As informações são do Metrópoles. A Lei da Dosimetria foi promulgada nesta sexta-feira (8) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após o Congresso Nacional derrubar vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ação apresentada ao STF, os partidos afirmam que “os crimes contra o Estado Democrático de Direito constituem o núcleo mais grave de ofensas ao ordenamento jurídico”. O documento também sustenta que, no âmbito do Poder Legislativo, “a impessoalidade impõe que a produção normativa seja orientada pelo interesse público, vedando-se a edição de leis que constituam privilégios odiosos ou perseguições disfarçadas”. Alegações sobre separação dos Poderes Os partidos argumentam ainda que há violação da separação entre os Poderes. Segundo a ação, “tendo presente que o veto integral ou parcial a um Projeto de Lei é expressão da manifestação de vontade e entendimento do Poder Executivo, não há possibilidade alguma, por inexistir qualquer previsão constitucional, de o Poder Legislativo alterar o conteúdo do veto do Presidente da República, inclusive por significar violação expressa à independência dos Poderes”. A ADI também aponta que “a lei impugnada também é materialmente inconstitucional, uma vez que seu conteúdo normativo é incompatível com as regras e princípios que regem a Carta de 1988”. Mais cedo, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou em nota que a legenda e seus aliados irão adotar “medidas judiciais cabíveis”. Ele declarou ainda que “a proposta representa um retrocesso no enfrentamento aos crimes contra a democracia e aos crimes gravíssimos”. Segundo ele, “os atos golpistas de 8 de janeiro foram ataques organizados contra a soberania do voto popular e contra o Estado Democrático de Direito”. Efeitos da Lei da Dosimetria A Lei da Dosimetria reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e pode impactar diretamente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Com a nova regra, ele poderia antecipar a progressão de regime, que antes ocorreria apenas em setembro de 2033, passando para um período estimado de cerca de três anos e três meses de reclusão. A norma também pode alcançar ao menos 179 pessoas condenadas ou investigadas pelos atos golpistas, sendo 114 em regime fechado, 50 em prisão domiciliar e 15 em prisão preventiva. O texto altera o entendimento atual do STF sobre a soma de crimes relacionados à tentativa de ruptura institucional. Mudanças nas penas e na progressão Com a mudança, as penas de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado deixam de ser somadas, prevalecendo a punição do crime mais grave. A legislação ainda prevê redução de pena entre um sexto e dois terços em casos específicos, desde que o réu não tenha financiado ou liderado os atos. Também há alteração nas regras de progressão de regime, permitindo a ida ao semiaberto após o cumprimento de um sexto da pena. A progressão, no entanto, dependerá de análise do STF, responsável por recalcular individualmente as condenações. Na última semana, o Congresso Nacional derrubou vetos presidenciais ao texto, com 318 votos na Câmara e 49 no Senado, revertendo decisão de Lula. Foram mantidas apenas restrições que impedem benefícios a condenados por crimes como feminicídio, milícia e crimes hediondos, preservando dispositivos da Lei Antifacção.

Trama golpista: como ficam as reduções de pena; entenda decisão de Moraes que suspendeu aplicação da Lei da Dosimetria

Trama golpista: como ficam as reduções de pena; entenda decisão de Moraes que suspendeu aplicação da Lei da Dosimetria Condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), terão que aguardar o STF decidir se a Lei da Dosimetria é válida para obterem os benefícios. Por Márcio Falcão, Pedro Henrique Gomes, TV Globo e g1 — Brasília 10/05/2026 00h00 Atualizado há 12 horas O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria até que o STF analise ações que questionam a norma no sábado (9). O ministro citou duas ações que questionam o constitucionalidade da lei, que devem ser julgadas pelo plenário da Suprema Corte. Entenda: Na prática, com a decisão de Moraes, os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 terão que aguardar o plenário do STF decidir se a lei respeita as regras da Constituição Federal para pedirem e obterem os benefícios da redução da pena. Moraes está aplicando este entendimento a casos de condenados que já acionaram o STF pedindo a revisão da pena com base na Lei da Dosimetria. O ministro decidiu neste sentido em pelo menos dez execuções penais. A suspensão da aplicação atinge diretamente quem já pediu a revisão e indiretamente os demais condenados, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que deverão obter a mesma decisão caso apresentem um pedido a partir de agora. Na sexta-feira (9), a defesa de Bolsonaro pediu ao STF a revisão criminal no processo em que o ex-presidente foi condenado. Este pedido não está relacionado à Lei da Dosimetria. A medida não representa um novo julgamento e é considerada excepcional. Aprovada em 2025, a Lei da Dosimetria permite a redução de penas de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, incluindo a pena de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão no julgamento da trama golpista, e aliados dele. "A superveniência de interposição de ação direta de inconstitucionalidade e, consequentemente a pendência de julgamento em controle concentrado de constitucionalidade, configura fato processual novo e relevante, que poderá influenciar no julgamento dos pedidos realizados pela Defesa, recomendando a suspensão da aplicação da lei, por segurança jurídica, até definição da controvérsia pelo Supremo Tribunal Federal, com prosseguimento regular da presente execução penal em seus exatos termos, conforme transitado em julgado", escreveu Moraes na decisão. Em nota, o líder da oposição no Senado Federal, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou a decisão de Moraes. Ele afirmou que a decisão de Moraes "não suspendeu apenas uma lei. Suspendeu a vontade popular". "Cabe à Câmara reagir com firmeza e aprovar, com urgência, a PEC contra decisões monocráticas que suspendam leis aprovadas pelo Congresso. E cabe ao povo eleger representantes corajosos para promover uma verdadeira e saneadora reforma do Judiciário em 2027", disse. Ações questionam lei As ações questionando a nova lei foram apresentadas pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela federação PSOL-Rede. A regra começou a valer na sexta-feira (8) ao ser promulgada pelo presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O projeto de lei foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o veto foi derrubado pelo Congresso Nacional na última semana. A ABI pede que a lei seja suspensa até seu julgamento e que o tribunal a considere inconstitucional nos seguintes pontos: a permissão para que crimes contra a democracia "inseridos no mesmo contexto" não tenham as penas somadas; a possibilidade de redução de pena de delitos praticados em contexto de multidão. dois incisos que alteram a progressão de Regime prevista na Lei de Execução Penal. "A lei impugnada, da mesma forma, compromete a integridade do ordenamento jurídico, na medida em que banaliza os ataques à democracia e desorganiza o sistema penal e de execução da pena", diz a ação. A Federação PSOL-Rede – que também pede a suspensão e eventual anulação da lei – afirma que a finalidade do texto é "incompatível com a Constituição Federal, na medida em que instrumentaliza a atividade legislativa para enfraquecer seletivamente a tutela penal do Estado Democrático de Direito e beneficiar agentes envolvidos em graves ataques às instituições republicanas." Pedido de informações Moraes foi sorteado relator de ações apresentadas ao tribunal que questionam a validade da chamada Lei da Dosimetria. Moraes já pediu informações sobre o tema à Presidência da República e ao Congresso Nacional – ambos terão 5 dias para responder. Depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) terão 3 dias para se manifestar.

Serrano: “Lula não tem poder nenhum sobre o que a Polícia Federal vai fazer” Pedro Serrano afirma que estrutura institucional impede Lula de interferir em investigações da Polícia Federal 07 de maio de 2026, 13:05 h WhatsAppWhatsApp XX FacebookFacebook Email Bluesky Threads Copiar link Shares: 0 Serrano: “Lula não tem poder nenhum sobre o que a Polícia Federal vai fazer” Serrano: “Lula não tem poder nenhum sobre o que a Polícia Federal vai fazer” (Foto: Brasil247) Dafne Ashton avatar Conteúdo postado por: Dafne Ashton Apoie o 247 Siga-nos no Google News 247 - O professor e jurista Pedro Serrano afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não possui instrumentos para interferir nas investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o esquema de fraudes do Banco Master, e disse que a estrutura institucional brasileira garante ampla autonomia à corporação em procedimentos de polícia judiciária. As declarações foram dadas em entrevista ao Bom Dia 247. Segundo Serrano, existe uma percepção equivocada dentro da classe política de que o governo federal poderia controlar ou interromper investigações policiais. Para ele, essa expectativa não corresponde ao funcionamento legal da instituição. “Lula não tem poder nenhum sobre o que a Polícia Federal vai fazer. A Polícia Federal é polícia judiciária. Não há nenhuma capacidade do Executivo de intervir”, declarou. Play Video O jurista explicou que a autonomia operacional da PF está relacionada ao modelo burocrático e legislativo consolidado no país, que limita a atuação direta do Poder Executivo sobre investigações em andamento. De acordo com ele, mesmo o diretor-geral da corporação não teria mecanismos formais para interferir em procedimentos conduzidos por delegados responsáveis pelos casos. “A não ser que o diretor-geral tenha alguma relação pessoal com algum delegado, mas normalmente não há como haver esse tipo de intervenção que a política quer”, afirmou. Serrano acrescentou que a estrutura institucional impede que presidentes utilizem a Polícia Federal como instrumento de proteção política a aliados ou integrantes do próprio governo. Ao abordar precedentes históricos, o jurista citou a Operação Lava Jato como exemplo de atuação independente da corporação durante governos do Partido dos Trabalhadores. “Isso já ocorreu na Lava Jato. A Lava Jato se voltou contra Dilma e contra Lula no governo Dilma”, disse. Para Serrano, o episódio demonstrou que o governo federal não possui controle efetivo sobre investigações conduzidas pela PF, mesmo quando seus integrantes se tornam alvo direto das apurações. “Você não tem controle, essa é a realidade. Não tem mesmo”, declarou. Ele afirmou ainda que integrantes da classe política frequentemente recorrem ao presidente da República em busca de proteção diante de investigações, mas sustentou que essa expectativa não encontra respaldo na prática institucional brasileira. “Por mais que a classe política vá a Lula pedindo proteção, não vão conseguir”, disse. Na avaliação do jurista, independentemente da vontade política do presidente, a estrutura legal existente impede intervenções diretas. “Nem sei se Lula quer ou não quer, mas a realidade é que ele não consegue. Ele não tem muita proteção a dar”, concluiu.

Serrano: “Lula não tem poder nenhum sobre o que a Polícia Federal vai fazer” Pedro Serrano afirma que estrutura institucional impede Lula de interferir em investigações da Polícia Federal O professor e jurista Pedro Serrano afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não possui instrumentos para interferir nas investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o esquema de fraudes do Banco Master, e disse que a estrutura institucional brasileira garante ampla autonomia à corporação em procedimentos de polícia judiciária. As declarações foram dadas em entrevista ao Bom Dia 247. Segundo Serrano, existe uma percepção equivocada dentro da classe política de que o governo federal poderia controlar ou interromper investigações policiais. Para ele, essa expectativa não corresponde ao funcionamento legal da instituição. “Lula não tem poder nenhum sobre o que a Polícia Federal vai fazer. A Polícia Federal é polícia judiciária. Não há nenhuma capacidade do Executivo de intervir”, declarou. O jurista explicou que a autonomia operacional da PF está relacionada ao modelo burocrático e legislativo consolidado no país, que limita a atuação direta do Poder Executivo sobre investigações em andamento. De acordo com ele, mesmo o diretor-geral da corporação não teria mecanismos formais para interferir em procedimentos conduzidos por delegados responsáveis pelos casos. “A não ser que o diretor-geral tenha alguma relação pessoal com algum delegado, mas normalmente não há como haver esse tipo de intervenção que a política quer”, afirmou. Serrano acrescentou que a estrutura institucional impede que presidentes utilizem a Polícia Federal como instrumento de proteção política a aliados ou integrantes do próprio governo. Ao abordar precedentes históricos, o jurista citou a Operação Lava Jato como exemplo de atuação independente da corporação durante governos do Partido dos Trabalhadores. “Isso já ocorreu na Lava Jato. A Lava Jato se voltou contra Dilma e contra Lula no governo Dilma”, disse. Para Serrano, o episódio demonstrou que o governo federal não possui controle efetivo sobre investigações conduzidas pela PF, mesmo quando seus integrantes se tornam alvo direto das apurações. “Você não tem controle, essa é a realidade. Não tem mesmo”, declarou. Ele afirmou ainda que integrantes da classe política frequentemente recorrem ao presidente da República em busca de proteção diante de investigações, mas sustentou que essa expectativa não encontra respaldo na prática institucional brasileira. “Por mais que a classe política vá a Lula pedindo proteção, não vão conseguir”, disse. Na avaliação do jurista, independentemente da vontade política do presidente, a estrutura legal existente impede intervenções diretas. “Nem sei se Lula quer ou não quer, mas a realidade é que ele não consegue. Ele não tem muita proteção a dar”, concluiu.

José Genoino diz que “o vento virou” a favor de Lula após encontro com Trump

José Genoino diz que “o vento virou” a favor de Lula após encontro com Trump Ex-presidente do PT avalia que Lula saiu fortalecido nos Estados Unidos, mas alerta que soberania nacional e terras raras serão temas centrais para 2026 10 de maio de 2026, 06:25 h WhatsAppWhatsApp XX FacebookFacebook Email Bluesky Threads Copiar link Shares: 0 José Genoino diz que “o vento virou” a favor de Lula após encontro com Trump José Genoino diz que “o vento virou” a favor de Lula após encontro com Trump (Foto: Brasil 247 / PT / Ricardo Stuckert) Redação Brasil 247 avatar Conteúdo postado por: Redação Brasil 247 Apoie o 247 Siga-nos no Google News 247 – O ex-presidente do PT José Genoino afirmou que a visita do presidente Lula aos Estados Unidos e o encontro com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, abriram uma nova janela política para o governo brasileiro e para o campo progressista. Em entrevista ao Bom Dia 247, Genoino avaliou que “o vento virou” a favor de Lula depois de uma semana marcada por derrotas políticas internas e pela comemoração do centrão e da extrema direita. “O clima da semana passada se reverteu totalmente às comemorações do centrão e da extrema direita”, disse. Segundo Genoino, Lula demonstrou firmeza e habilidade política ao defender uma agenda soberana diante de Trump. “É uma postura altiva, soberana e ele coloca a pauta que interessa na relação com os Estados Unidos”, afirmou. Para ele, o encontro não deve ser tratado apenas como um episódio simbólico. Genoino defendeu que o governo transforme o bom momento político em conteúdo programático, especialmente em torno da soberania nacional, da integração regional, da política industrial, da defesa dos recursos naturais e da autonomia tecnológica. “O Lula colocou uma agenda para o mundo. Isso é muito positivo. Ele sabe muito bem colocar aquilo que é fundamental para uma nova ordem mundial multipolar, com base na autodeterminação dos povos, na defesa da soberania e na defesa da paz”, declarou. Genoino também destacou que temas como terras raras, petróleo, minerais críticos, data centers e inteligência artificial não podem ser tratados apenas como oportunidades comerciais. Para ele, esses setores devem estar vinculados a um projeto nacional de desenvolvimento. “A questão das terras raras e dos minérios críticos não pode ser só uma questão comercial. Tem que levar em conta os nossos interesses enquanto país soberano”, afirmou. O ex-dirigente petista defendeu ainda que o Brasil deixe de ser apenas exportador de matérias-primas. “O Brasil sinaliza na declaração do Lula a necessidade de construir um projeto de desenvolvimento econômico soberano, com soberania tecnológica e apoio a um novo modelo de industrialização do país”, disse. Na avaliação de Genoino, a esquerda deve aproveitar o novo momento político para abandonar a dependência da conciliação institucional e assumir uma postura mais ofensiva. “Nós não vivemos tempos de paz, de amor e de conciliação por cima. Nós vivemos tempos aguerridos e ganhará quem tiver ousadia”, afirmou. Ele também relacionou a conjuntura internacional à disputa eleitoral de 2026. “O Lula tem uma grande janela de oportunidade para construir o quarto mandato. Qual é a grande janela de oportunidade? Ocupar a grande avenida da luta política democrática e popular”, disse. Ao comentar a crise envolvendo o Banco Master e Ciro Nogueira, Genoino afirmou que o episódio atinge diretamente o centrão e a extrema direita. “Ciro Nogueira é a cara do centrão e o centrão tem a cara do Ciro”, declarou. Para ele, a investigação deve ser politizada no debate público, porque expõe a hipocrisia da extrema direita. “Ciro Nogueira não é um senador qualquer. Ciro Nogueira é uma liderança estratégica dessa aliança do centrão com a extrema direita”, afirmou. Genoino também criticou a ideia de compensações empresariais em debates sobre direitos trabalhistas, como o fim da escala 6 por 1. “Direito é direito. Os direitos são universais”, disse. Na conclusão de sua análise, o ex-presidente do PT defendeu que Lula e o campo progressista apresentem uma plataforma clara para 2026, baseada em soberania, desenvolvimento, direitos sociais e enfrentamento à extrema direita. “Você pode negociar com o adversário, mas você sabe qual o lado que você está e quais são as bandeiras que você levanta na mesa”, afirmou.

Encontro de Lula e Trump esvaziou influência do bolsonarismo em Washington

Pedro Paiva: “Lula brilhou na Casa Branca e o lobby de Eduardo Bolsonaro não está funcionando” Correspondente do Brasil 247 nos EUA avalia que encontro com Donald Trump fortaleceu Lula politicamente e esvaziou influência do bolsonarismo em Washington 10 de maio de 2026, 07:54 h WhatsAppWhatsApp XX FacebookFacebook Email Bluesky Threads Copiar link Shares: 4 Pedro Paiva: “Lula brilhou na Casa Branca e o lobby de Eduardo Bolsonaro não está funcionando” Pedro Paiva: “Lula brilhou na Casa Branca e o lobby de Eduardo Bolsonaro não está funcionando” (Foto: Brasil 247 / Ricardo Stuckert) Redação Brasil 247 avatar Conteúdo postado por: Redação Brasil 247 Apoie o 247 Siga-nos no Google News 247 – O correspondente do Brasil 247 nos Estados Unidos, Pedro Paiva, afirmou que o presidente Lula saiu fortalecido da reunião com Donald Trump na Casa Branca e avaliou que o lobby internacional articulado por Eduardo Bolsonaro perdeu força junto ao governo norte-americano. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Forças do Brasil, da TV 247, conduzido por Mario Vitor Santos. Ao analisar os efeitos políticos do encontro entre Lula e Trump, Paiva foi direto: “Se a gente for colocar na balança quem ganhou mais politicamente com esse encontro, sem sombra de dúvidas foi o presidente Lula em relação ao presidente Donald Trump”. Segundo ele, a visita ocorreu em um momento delicado para o governo brasileiro, após derrotas importantes no Congresso Nacional, mas acabou mudando completamente a agenda política e devolvendo protagonismo internacional ao presidente brasileiro. “Olha como caiu como uma luva para o presidente Lula isso. O presidente Lula acabou de sofrer duas derrotas imensas no Congresso Nacional. Só se falava disso. E aí Donald Trump vai e convida o Lula para Washington e muda o tema”, afirmou. Paiva destacou que a reunião aconteceu após meses de forte tensão entre Brasil e Estados Unidos. Ele relembrou que o governo Trump havia imposto tarifas de 50% contra produtos brasileiros e adotado medidas retaliatórias ligadas ao processo judicial contra Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Na avaliação do jornalista, Lula escolheu um caminho oposto ao de outros líderes que enfrentaram Trump. “Ele respondeu não como alguns outros líderes mundiais responderam a ameaças semelhantes, colocando o rabinho entre as pernas. Não. Ele desafiou Donald Trump”, disse. Estratégia brasileira evitou desgaste público Um dos pontos mais importantes da visita, segundo Paiva, foi a decisão do governo brasileiro de evitar o tradicional encontro inicial diante da imprensa no Salão Oval, espaço em que Trump protagonizou episódios de constrangimento com líderes estrangeiros. O correspondente lembrou os casos do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que passaram por situações consideradas humilhantes diante das câmeras. “Eu acho que foi muito sabido, foi muito esperto não ter este momento conjunto com a mídia antes”, afirmou. A reunião, inicialmente prevista para durar apenas 30 minutos, acabou se estendendo por cerca de uma hora e meia, seguida de um almoço prolongado entre as delegações. Segundo Paiva, o clima entre os dois presidentes foi positivo durante todo o encontro. Trump chegou a classificar Lula como uma pessoa “muito inteligente” após a conversa. Terras raras e comércio dominaram a pauta Entre os temas centrais da reunião estiveram segurança pública, tarifas comerciais, investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil e, principalmente, a disputa global pelas chamadas terras raras — minerais estratégicos para a indústria tecnológica e militar. Paiva afirmou que os Estados Unidos buscam reduzir a dependência da China nesse setor e enxergam o Brasil como peça-chave nessa disputa geopolítica. “Eu continuo achando que isso tem relação com a reunião que o presidente Trump vai fazer com Xi Jinping na China. E o que o Brasil tem a ver com isso? A questão das terras raras”, afirmou. Segundo ele, Lula deixou claro que o Brasil não pretende se alinhar exclusivamente a Washington. “O presidente Lula não foi para a Casa Branca como um agente imobiliário, pronto para vender todas as terras raras brasileiras”, disse. De acordo com Paiva, o governo brasileiro sinalizou disposição para negociar com diversos países, desde que os investimentos fortaleçam a cadeia produtiva nacional. “O lobby do Eduardo Bolsonaro não está funcionando” Um dos pontos mais contundentes da entrevista foi a avaliação de que o bolsonarismo perdeu influência dentro da Casa Branca. Para Paiva, se Eduardo Bolsonaro ainda tivesse forte capacidade de articulação junto ao trumpismo, a reunião entre Lula e Trump não teria ocorrido neste momento. “Não me parece que o lobby do Eduardo Bolsonaro está funcionando muito na Casa Branca, porque se tivesse funcionado essa reunião de quinta-feira não teria acontecido”, afirmou. O jornalista também relatou surpresa com a ausência completa de manifestações bolsonaristas em Washington durante a visita presidencial. “Não teve manifestação na Casa Branca, não teve manifestação na embaixada, na residência da embaixadora, nada. Não tinha uma pessoa ali para gritar Lula ladrão”, contou. Segundo ele, isso mostra que o campo bolsonarista atravessa um período de enfraquecimento político nos Estados Unidos. Trump e Lula: relação pragmática Paiva também afirmou acreditar que Donald Trump não vê Lula como um inimigo prioritário da política externa norte-americana. Segundo ele, setores do Departamento de Estado consideram que o presidente brasileiro pode funcionar como ponte diplomática com governos latino-americanos mais à esquerda. “Eles não acham que é tudo a mesma coisa. O Lula consegue ter diálogo com líderes latino-americanos mais à esquerda e ao mesmo tempo dialogar com os Estados Unidos”, afirmou. Na avaliação do correspondente, isso ajuda a explicar por que a Casa Branca aceitou realizar rapidamente um encontro que acabou fortalecendo Lula politicamente no Brasil. Ao final da entrevista, Paiva afirmou acreditar que parte importante das negociações não foi divulgada publicamente, especialmente no tema das terras raras. “Eu acho que teve temas secretos. A gente ouviu muito pouco sobre o debate em relação às terras raras”, disse. Para ele, o saldo da viagem foi amplamente favorável ao Brasil e ao presidente Lula, que conseguiu atravessar uma reunião de alto risco sem desgaste político e ainda ampliar seu protagonismo internacional em meio à disputa geopolítica entre Estados Unidos e China.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

flavio-usa-pré-candidatura-para-negociar-soltura-de-bolsonaro

https://www.brasil247.com/brasil/para-34-flavio-usa-pre-candidatura-para-negociar-soltura-de-bolsonaro?utm_source=copy&utm_medium=social&utm_campaign=share&utm_content=desktop

domingo, 11 de janeiro de 2026

Todo apoio a Delcy Rodríguez e ao Itamaraty na crise venezuelana

Todo apoio a Delcy Rodríguez e ao Itamaraty na crise venezuelana A solidariedade com a presidenta interina da Venezuela e a ação do governo Lula refletem posições de princípios e correspondem aos interesses nacionais 11 de janeiro de 2026, 05:11 h 74 Partilhas whatsapp-white sharing button 9twitter-white sharing button 7facebook-white sharing button 44email-white sharing button 1copy-white sharing button Diante do ataque mais flagrante e perigoso à ordem internacional na América Latina nas últimas décadas, promovido pelos Estados Unidos ao perpetrar uma ação militar contra a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cília Flores, a resposta da liderança venezuelana e a postura do Brasil destacam-se no cenário internacional contemporâneo como demonstrações de lucidez, defesa de valores e salvaguarda da norma fundamental do Direito Internacional: a soberania nacional. A presidenta interina Delcy Rodríguez enfrenta a tarefa ciclópica de assegurar a estabilidade de uma nação sob agressão direta e, ao mesmo tempo, encarna, em suas primeiras medidas à frente da República Bolivariana, a resistência de um povo forjado na luta anti-imperialista. Seu alerta à comunidade internacional soou como um chamado à consciência global diante da persistência de práticas coloniais. No plano interno, a busca pela unidade nacional, pela paz e pela estabilidade assume caráter preventivo, com o objetivo de conter o caos almejado por forças regressivas que tentam justificar novas escaladas. No campo diplomático, sua estratégia revela eficácia ao mobilizar o apoio de países solidários e comprometidos com o Direito Internacional, ao mesmo tempo em que responde de forma pragmática ao aceno de cooperação dos Estados Unidos. Os gestos de Delcy Rodríguez em direção a esse país imperialista e agressor não representam fraqueza, capitulação ou traição, mas expressão de força soberana, baseada na compreensão de que a normalização das relações e a cooperação só são admissíveis dentro do marco inegociável da autodeterminação do povo venezuelano. Trata-se da postura de quem defende sua nação sem se fechar ao mundo, oferecendo diálogo onde antes houve apenas bombas e ilegalidade. Nesse contexto de turbulência, a atuação do presidente Lula, com a assessoria especial de Celso Amorim, e do Itamaraty, sob a condução experiente do chanceler Mauro Vieira, revela-se essencialmente justa por estar ancorada em uma estratégia fiel aos princípios do Direito Internacional e à defesa intransigente da soberania brasileira e latino-americana. O Brasil reassume, com a autoridade moral e política de quem jamais se envolveu em aventuras neocoloniais, seu papel histórico de pacificador e integrador regional. A condenação firme de Lula ao ataque estadunidense reafirma uma concepção de política externa que tem na não intervenção e no respeito à soberania seus pilares centrais. Os telefonemas à presidenta Delcy Rodríguez ultrapassam a mera formalidade diplomática e expressam a reafirmação do vínculo entre duas nações irmãs, transmitindo uma mensagem inequívoca de que o Brasil não abandonará a Venezuela em seu momento mais difícil. No plano estritamente diplomático, a sintonia entre o chanceler Mauro Vieira e seu homólogo Yván Gil tem permitido a construção de pontes concretas de cooperação, das quais o anúncio de assistência brasileira na área da saúde é, até o momento, o exemplo mais palpável e humanitário. A atuação brasileira avançou ainda mais com a convocação emergencial da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e com as conversações telefônicas sobre a crise venezuelana mantidas com outros chefes de Estado e de governo, entre eles a presidenta mexicana Claudia Sheinbaum, o presidente colombiano Gustavo Petro, o primeiro-ministro canadense Mark Carney e o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez. Essa posição política do presidente Lula também encontrou eco no Conselho de Segurança das Nações Unidas, por meio do pronunciamento do embaixador Sérgio Danese, que somou a respeitada e coerente voz do Brasil à de outras nações em defesa do multilateralismo, da solução política dos conflitos e da paz. Nesse quadro, impõe-se como um dever político e ético que todas as forças genuinamente democráticas, patrióticas, progressistas e comprometidas com a paz apoiem a liderança da presidenta Delcy Rodríguez e a ação diplomática do Itamaraty. Qualquer hesitação nesse campo não constitui neutralidade, mas cumplicidade com a ilegalidade e o crime internacional. Da mesma forma, críticas vazias, mal-intencionadas ou ataques diretos representam um desserviço à estabilidade do continente. Apoiar Delcy Rodríguez e o Itamaraty significa também defender os interesses nacionais brasileiros. O Brasil só alcançará seus objetivos estratégicos em um ambiente geopolítico sul-americano pacífico, integrado e cooperativo. Um país vizinho violentado, desestabilizado e submetido ao jugo de potências estrangeiras representa ameaça direta à nossa segurança e ao projeto de desenvolvimento soberano. Os ataques cínicos dirigidos ao Itamaraty, a Lula e à liderança venezuelana, oriundos em geral dos mesmos setores que aplaudiram golpes e intervenções ao longo da história, configuram verdadeira traição às causas da paz, da estabilidade e da cooperação regional. Mesmo que conscientemente ou não, esses discursos servem ao projeto hegemônico que pretende transformar novamente a região em quintal. Reafirmamos, com máxima ênfase, nossa condenação severa à violação brutal da soberania venezuelana e do Direito Internacional cometida pelos Estados Unidos, expressão de uma estratégia de dominação dessa superpotência imperialista. O caminho trilhado, na atual conjuntura, por Delcy Rodríguez, Lula e o Itamaraty é o único viável. Defender a Venezuela hoje é defender, amanhã, o direito do Brasil e de todos os povos à existência digna como nações livres, soberanas e donas de seus próprios destinos. A firmeza de Caracas e a lucidez de Brasília, ambas sustentadas por uma leitura realista do quadro político, representam duas faces da mesma moeda: a esperança de um Sul Global finalmente soberano. Redação Brasil 247 avatar Conteúdo postado por: Redação Brasil 247

sábado, 10 de janeiro de 2026

Mearsheimer: um país como o Brasil não tem como não manter boas relações com os Estados Unidos Isso não significa não fazer negócios com a China

Mearsheimer: um país como o Brasil não tem como não manter boas relações com os Estados Unidos Isso não significa não fazer negócios com a China 10 de janeiro de 2026, 06:00 hAtualizado em 10 de janeiro de 2026, 06:06 h 246 Partilhas whatsapp-white sharing button 87twitter-white sharing button 14facebook-white sharing button 125email-white sharing button 19copy-white sharing button Bluesky LogoBluesky Bluesky LogoThreads 🇬🇧 English Translate to English Ouvir artigoÍcone de conversão de texto em fala John Mearsheimer John Mearsheimer (Foto: Universidade de Chicago) Redação Brasil 247 avatar Conteúdo postado por: Redação Brasil 247 Apoie o 247 Siga-nos no Google News 247 – A volta da competição entre grandes potências e o fim do período de unipolaridade dos Estados Unidos estão reorganizando a geopolítica global e restringindo as margens de manobra de países emergentes como o Brasil. Essa é uma das principais conclusões do cientista político John J. Mearsheimer, um dos nomes mais influentes do realismo estrutural nas relações internacionais, ao analisar o novo cenário mundial em entrevista ao canal Horizons, no YouTube. TV 247 Vote no Brasil 247 como melhor canal de notícias e jornalismo e melhor canal de política do Brasil no iBest 2025 Vote agora Ao tratar do papel de potências médias e emergentes, Mearsheimer foi direto ao abordar o caso brasileiro. Para ele, a posição do Brasil no Hemisfério Ocidental impõe limites claros à política externa do país, independentemente da expansão econômica da China. “O Brasil está no Hemisfério Ocidental. Os Estados Unidos têm uma política chamada Doutrina Monroe. E a Doutrina Monroe diz que não há como o Brasil formar uma aliança com a China. E eu acho que os brasileiros entendem muito bem que podem ter relações econômicas com a China. Mas não têm escolha a não ser serem amistosos com os Estados Unidos, a não se aliarem à China”, afirmou. Play Video A declaração sintetiza um argumento central do realismo: para os Estados, a sobrevivência e a segurança pesam mais do que a prosperidade econômica. Mesmo que países tentem “fazer hedge” — isto é, equilibrar relações com múltiplos polos —, essa estratégia tende a se tornar inviável quando a rivalidade entre potências se intensifica. Segundo o professor, a pressão do sistema internacional empurra os Estados, em situações-limite, a escolher um lado. O fim da “pausa da história” e o retorno da multipolaridade Mearsheimer afirmou que o mundo viveu entre os anos 1990 e 2017 um período excepcional, no qual os Estados Unidos foram a única grande potência. “De aproximadamente 1992, pouco depois do desaparecimento da União Soviética — e, claro, a Guerra Fria tinha terminado naquele momento — até por volta de 2017, quando China e Rússia emergiram como grandes potências, nós vivemos em um mundo unipolar”, disse, ao explicar que a ausência de rivais tornava impossível a competição de segurança típica entre potências. Essa realidade, segundo ele, começou a mudar de maneira decisiva quando China e Rússia passaram a atuar como centros de poder global. “O meu argumento é que isso aconteceu por volta de 2017, quando China e Rússia entraram em cena como grandes potências”, afirmou. A partir daquele momento, o mundo teria voltado à lógica multipolar — e, com ela, reapareceu a disputa estratégica em escala global. Mearsheimer sustenta que previu esse retorno da rivalidade, especialmente no Leste Asiático e na Europa. Ele recordou que defendia há anos que a ascensão chinesa resultaria em tensão crescente com Washington. “Eu discordei completamente disso e achei que a ascensão da China e a China se tornando uma grande potência levariam a todo tipo de problema no Leste Asiático e haveria uma competição intensa de segurança entre os Estados Unidos e a China nessa região”, disse. Sobre a Europa, ele reafirmou que alertou para as consequências da expansão da OTAN e da tentativa de integrar a Ucrânia ao bloco ocidental. “Eu argumentei por muito tempo que tentar se expandir, especialmente para a Ucrânia, era uma receita para o desastre. Isso levaria a problemas com a Rússia”, afirmou. E acrescentou que o conflito em território ucraniano, em sua visão, reforça que suas advertências estavam corretas. “E, mais uma vez, com tristeza eu digo que eu estava certo também nesse ponto”, completou. A mudança dos EUA e o declínio da “hegemonia liberal” A entrevista também abordou a mudança de postura dos EUA sob “Donald Trump 2.0”, descrita pelo entrevistador como uma transição do projeto de “refazer o mundo à imagem americana” para uma política mais transacional e focada no interesse nacional. Mearsheimer rejeitou a ideia de que isso represente uma guinada ao isolacionismo ou uma “retirada da liderança global”. “Isso é um absurdo. Isso não é o que está acontecendo”, afirmou. Segundo ele, durante o período unipolar, como não havia competição direta com outras potências, Washington tentou impor uma estratégia de “hegemonia liberal”, baseada na expansão de instituições e valores ocidentais. “O que os Estados Unidos decidiram fazer, em vez de se engajar em competição entre grandes potências, foi refazer o mundo à sua própria imagem. Seguir uma política externa liberal — o que eu chamo de hegemonia liberal”, explicou. O resultado, para ele, foi desastroso. “O resultado final disso é que nós entramos nas guerras sem fim. Foi desastroso”, disse. Mearsheimer afirma que essa sequência de fracassos ajudou a reduzir o apoio doméstico nos EUA para intervenções militares, enquanto o retorno da multipolaridade obrigou o país a redirecionar prioridades. “Uma vez que você está em um mundo multipolar depois de 2017, os Estados Unidos tiveram que focar na competição entre grandes potências”, afirmou. Rússia e China: “uma situação que não faz sentido para os EUA” Mearsheimer também insistiu na ideia de que o Ocidente — especialmente a política adotada durante a guerra na Ucrânia — contribuiu para aproximar Moscou e Pequim, o que ele considera contrário ao interesse estratégico americano. “Como resultado da guerra na Ucrânia, nós empurramos os russos para os braços dos chineses”, disse. Para ele, essa composição de forças cria um cenário em que os EUA enfrentam simultaneamente a principal potência rival (China) e uma potência nuclear com peso geopolítico decisivo (Rússia), sem conseguir separá-las. Mearsheimer afirmou acreditar que Trump tenta “corrigir” esse quadro. “Eu acredito que o que Trump quer fazer é, em primeiro lugar, encerrar a guerra na Ucrânia e, em segundo, ter boas relações com Moscou. Ele quer melhorar as relações entre EUA e Rússia para poder afastar os russos dos chineses”, disse. Ele comparou a ideia a uma estratégia usada por Nixon e Kissinger nos anos 1970. “Isso é semelhante ao que Kissinger e Nixon fizeram em 1972. Naquele caso, nós afastamos a China da União Soviética”, afirmou. Mas, embora considere a lógica “racional”, Mearsheimer avalia que há obstáculos quase intransponíveis no curto prazo. “Eu diria que é extremamente improvável que isso vá funcionar num futuro previsível”, disse, citando a russofobia instalada nas elites ocidentais e a falta de confiança da Rússia no Ocidente. Europa mais fragmentada e com relações “venenosas” com Moscou No debate sobre a Europa, Mearsheimer argumentou que o enfraquecimento da “proteção americana” tende a aumentar as divisões internas do continente. “A minha argumentação é que o oposto vai acontecer: as relações europeias vão ficar mais conflituosas”, afirmou, dizendo que a presença dos EUA funcionava como “cola” entre os países europeus. Segundo ele, mesmo que a guerra na Ucrânia seja interrompida, o cenário seguinte tende a ser de instabilidade duradoura. “Uma vez que os tiros pararem e você tiver um conflito congelado, as relações entre a Europa de um lado e a Rússia do outro serão venenosas”, afirmou. E apontou que Moscou poderá explorar divergências entre governos europeus em relação ao grau de hostilidade ou reaproximação. Instituições internacionais enfraquecem, “ordens limitadas” avançam Outro eixo central da entrevista foi a crise das instituições globais construídas no pós-guerra. Mearsheimer concordou que organismos como ONU e OMC sofrem paralisia e fragmentação, mas afirmou que esse processo não deve ser interpretado como “falência total”, e sim como consequência natural do equilíbrio de poder. “Nós saímos da unipolaridade e agora estamos na multipolaridade. Então essas instituições internacionais... vão tornar cada vez mais difícil, ao longo do tempo, obter muita cooperação entre as três grandes potências”, afirmou. Em vez de uma ordem verdadeiramente global, ele vê o surgimento de “ordens limitadas”, lideradas pelas potências em disputa. “O que a China está fazendo e o que os Estados Unidos estão fazendo é criar suas próprias ordens limitadas... projetadas para travar competição de segurança”, afirmou. E citou como exemplos iniciativas lideradas por Pequim: “Pense na Nova Rota da Seda. Pense no Brics. Pense na Organização de Cooperação de Xangai. Pense no AIIB”, disse. Interdependência econômica não garante paz — e pode virar vulnerabilidade Mearsheimer também criticou a crença liberal de que integração econômica reduz riscos de guerra. “Muitas pessoas acreditam que interdependência econômica causa paz... isso não faz sentido nenhum”, afirmou, lembrando que a Europa tinha forte integração econômica antes da Primeira Guerra Mundial. Para ele, o problema real hoje é a dependência estratégica. Mearsheimer citou um exemplo ligado à disputa tecnológica e à cadeia de suprimentos de minerais críticos. “Os Estados Unidos dependem da China para certas matérias-primas, e isso dá à China grande alavancagem sobre os Estados Unidos... principalmente terras raras e ímãs de terras raras”, disse. Ele relatou que, ao tentar impor tarifas e “jogar duro” contra Pequim, Trump teria sido contido por esse fator. “Os chineses disseram ao presidente Trump, sem nenhuma dúvida, que cortariam essas terras raras para os Estados Unidos se os EUA jogassem duro. E o resultado final é que o presidente Trump recuou”, afirmou. Onde o mundo pode explodir: Taiwan, Mar do Sul da China e sete pontos perigosos na Europa Ao ser questionado sobre o risco de guerras “por acidente” num sistema multipolar, Mearsheimer apontou que o Leste Asiático concentra os principais focos entre EUA e China. “Há três grandes pontos de tensão no Leste Asiático... o primeiro é Taiwan... mas há outros dois que me preocupam muito: o Mar do Sul da China e o Mar da China Oriental”, afirmou. Sobre Taiwan, foi categórico: “Os chineses estão profundamente comprometidos em recuperar Taiwan... acreditam que Taiwan é território sagrado”, disse. Quanto à Europa, ele alertou que a Ucrânia continuará sendo um foco perigoso mesmo após eventual cessar-fogo. “Mesmo que você pare os combates na Ucrânia, você vai acabar com um conflito congelado... e sempre há o perigo de esse conflito congelado virar novamente uma guerra quente”, afirmou. Além da Ucrânia, ele listou outras seis áreas onde a disputa Rússia-Ocidente pode escalar: “O Ártico, o Mar Báltico, Kaliningrado, Belarus, Moldávia e o Mar Negro”, disse, afirmando que cada uma dessas regiões tem potencial para produzir choques diretos. Brasil entre pragmatismo econômico e limites geopolíticos A fala sobre o Brasil, colocada no centro da entrevista ao tratar das potências intermediárias, sintetiza o dilema dos emergentes na era multipolar. Para Mearsheimer, o Brasil pode ampliar comércio, investimentos e laços econômicos com a China, mas não pode, em hipótese alguma, transformar isso em uma aliança estratégica no sentido clássico, especialmente por conta da doutrina histórica dos EUA no Hemisfério Ocidental. “O Brasil está no Hemisfério Ocidental... não há como o Brasil formar uma aliança com a China... mas pode ter relações econômicas com a China”, afirmou, ao reforçar que a geopolítica, mais do que a economia, define o teto das escolhas nacionais. Na lógica do realismo, a autonomia existe — mas é sempre condicionada pela estrutura de poder. E, no novo cenário descrito por Mearsheimer, com competição cada vez mais intensa entre polos, o espaço para “equilíbrios diplomáticos” tende a se estreitar, exigindo pragmatismo e cautela para evitar que disputas globais se tornem armadilhas para países como o Brasil.

“o mundo de leis e tratados acabou no dia em que Trump sequestrou Maduro”

Fernando Horta: “o mundo de leis e tratados acabou no dia em que Trump sequestrou Maduro” Para o historiador, o Brasil é ainda mais vulnerável que a Venezuela ao controle digital dos EUA. 07 de janeiro de 2026, 18:42 h 98 Partilhas whatsapp-white sharing button 10twitter-white sharing button 12facebook-white sharing button 73email-white sharing buttoncopy-white sharing button Bluesky LogoBluesky Bluesky LogoThreads 🇬🇧 English Translate to English Ouvir artigoÍcone de conversão de texto em fala Donald Trump, invasão do Capitólio em 2021 e Nicolás Maduro detido Donald Trump, invasão do Capitólio em 2021 e Nicolás Maduro detido (Foto: Reuters/Andrew Kelly | Reuters/Leah Millis | Reuters/Eduardo Munoz) Dayane Santos avatar Conteúdo postado por: Dayane Santos Apoie o 247 Siga-nos no Google News 247 - O sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos expôs, segundo o historiador Fernando Horta, uma nova realidade geopolítica que coloca o Brasil diretamente em risco. Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, Horta afirmou que a ação do governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, rompeu com dois séculos de construção diplomática. TV 247 Vote no Brasil 247 como melhor canal de notícias e jornalismo e melhor canal de política do Brasil no iBest 2025 Vote agora “Donald Trump jogou todo esse mundo no lixo no dia 4”, declarou. Horta explicou que o que foi rompido não é apenas o arcabouço jurídico do pós-guerra, mas toda a lógica que organiza as relações entre países desde o século XVIII. Play Video “Não é só violação ao direito internacional. É violação a todos os preceitos da diplomacia que a gente conhece desde o século XVIII e XIX”, disse. Segundo ele, a ideia de que existiam regras comuns para evitar guerras e agressões foi descartada pelos Estados Unidos. “A partir do século XVIII, a gente foi convencido de que existiam leis, tratados, tribunais e padrões de conduta que garantiam a segurança de todo mundo. Enquanto isso, os Estados Unidos foram produzindo porta-aviões, caças e domínio sobre satélites”, afirmou. E completou: “Agora eles botaram isso na mesa. Quem acreditou nisso tudo era otário”. Segundo ele, do ponto de vista tecnológico, o Brasil está ainda mais vulnerável do que a Venezuela à vigilância e à intervenção norte-americana. “Se puderam fazer essa operação no Maduro do jeito que fizeram, eu pediria para avisar o Alexandre de Moraes, o Lula e o pessoal que, a partir de agora, ninguém mais está seguro”, declarou. O comentário foi feito após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, atual presidente do país, recuar da acusação de que Maduro chefiava o chamado Cartel de los Soles, abandonando a tese de uma organização criminosa estruturada e passando a tratá-lo apenas como alguém que “atua dentro dessas estruturas”. Para Horta, a mudança confirma que a prisão não teve base jurídica real. “Aquela narrativa do narcoterrorismo era para convencer o mundo de que as ações eram legítimas. Agora eles não precisam convencer mais nada e ninguém”, disse. Segundo o historiador, a operação contra Maduro só foi possível porque os Estados Unidos controlam os fluxos de informação globais. “Eles desabilitaram todas as comunicações essenciais via mundo digital dentro da Venezuela”, afirmou. Horta explicou que a localização do presidente venezuelano foi feita por meio da análise de dados de equipamentos conectados. “Hoje em dia, ar-condicionado é smart, geladeira é smart, aspirador de pó é smart. Todos esses equipamentos produzem uma quantidade brutal de informações”. Ele lembrou que regimes autoritários já usavam métodos rudimentares de vigilância. “Em 64, o regime militar brasileiro monitorava padarias para ver onde aumentava a venda de pão. Os Estados Unidos fazem a mesma coisa hoje com fluxo de energia e de dados”, destacou. Brasil ainda mais exposto Horta fez um alerta sobre a posição brasileira. “A Venezuela tinha um índice de inserção nas redes internacionais menor do que tem o Brasil. O Brasil é muito mais vulnerável a isso do que a Venezuela”, disse. E completou: “Não há tanque, não há avião, não há míssil, não há nada que não possa ser desligado digitalmente”. Eleições de 2026 sob risco Para Horta, a ofensiva contra a Venezuela inaugura uma nova fase de interferência internacional. “As eleições de dois mil e vinte e seis começam a partir de agora a ter necessariamente um componente internacional”, afirmou. E concluiu: “Eles mostraram que conseguem localizar qualquer liderança. Se quiserem, sabem onde está o Lula”.