domingo, 10 de maio de 2026
Encontro de Lula e Trump esvaziou influência do bolsonarismo em Washington
Pedro Paiva: “Lula brilhou na Casa Branca e o lobby de Eduardo Bolsonaro não está funcionando”
Correspondente do Brasil 247 nos EUA avalia que encontro com Donald Trump fortaleceu Lula politicamente e esvaziou influência do bolsonarismo em Washington
10 de maio de 2026, 07:54 h
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Pedro Paiva: “Lula brilhou na Casa Branca e o lobby de Eduardo Bolsonaro não está funcionando”
Pedro Paiva: “Lula brilhou na Casa Branca e o lobby de Eduardo Bolsonaro não está funcionando” (Foto: Brasil 247 / Ricardo Stuckert)
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247 – O correspondente do Brasil 247 nos Estados Unidos, Pedro Paiva, afirmou que o presidente Lula saiu fortalecido da reunião com Donald Trump na Casa Branca e avaliou que o lobby internacional articulado por Eduardo Bolsonaro perdeu força junto ao governo norte-americano. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Forças do Brasil, da TV 247, conduzido por Mario Vitor Santos.
Ao analisar os efeitos políticos do encontro entre Lula e Trump, Paiva foi direto: “Se a gente for colocar na balança quem ganhou mais politicamente com esse encontro, sem sombra de dúvidas foi o presidente Lula em relação ao presidente Donald Trump”.
Segundo ele, a visita ocorreu em um momento delicado para o governo brasileiro, após derrotas importantes no Congresso Nacional, mas acabou mudando completamente a agenda política e devolvendo protagonismo internacional ao presidente brasileiro.
“Olha como caiu como uma luva para o presidente Lula isso. O presidente Lula acabou de sofrer duas derrotas imensas no Congresso Nacional. Só se falava disso. E aí Donald Trump vai e convida o Lula para Washington e muda o tema”, afirmou.
Paiva destacou que a reunião aconteceu após meses de forte tensão entre Brasil e Estados Unidos. Ele relembrou que o governo Trump havia imposto tarifas de 50% contra produtos brasileiros e adotado medidas retaliatórias ligadas ao processo judicial contra Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
Na avaliação do jornalista, Lula escolheu um caminho oposto ao de outros líderes que enfrentaram Trump.
“Ele respondeu não como alguns outros líderes mundiais responderam a ameaças semelhantes, colocando o rabinho entre as pernas. Não. Ele desafiou Donald Trump”, disse.
Estratégia brasileira evitou desgaste público
Um dos pontos mais importantes da visita, segundo Paiva, foi a decisão do governo brasileiro de evitar o tradicional encontro inicial diante da imprensa no Salão Oval, espaço em que Trump protagonizou episódios de constrangimento com líderes estrangeiros.
O correspondente lembrou os casos do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que passaram por situações consideradas humilhantes diante das câmeras.
“Eu acho que foi muito sabido, foi muito esperto não ter este momento conjunto com a mídia antes”, afirmou.
A reunião, inicialmente prevista para durar apenas 30 minutos, acabou se estendendo por cerca de uma hora e meia, seguida de um almoço prolongado entre as delegações.
Segundo Paiva, o clima entre os dois presidentes foi positivo durante todo o encontro. Trump chegou a classificar Lula como uma pessoa “muito inteligente” após a conversa.
Terras raras e comércio dominaram a pauta
Entre os temas centrais da reunião estiveram segurança pública, tarifas comerciais, investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil e, principalmente, a disputa global pelas chamadas terras raras — minerais estratégicos para a indústria tecnológica e militar.
Paiva afirmou que os Estados Unidos buscam reduzir a dependência da China nesse setor e enxergam o Brasil como peça-chave nessa disputa geopolítica.
“Eu continuo achando que isso tem relação com a reunião que o presidente Trump vai fazer com Xi Jinping na China. E o que o Brasil tem a ver com isso? A questão das terras raras”, afirmou.
Segundo ele, Lula deixou claro que o Brasil não pretende se alinhar exclusivamente a Washington.
“O presidente Lula não foi para a Casa Branca como um agente imobiliário, pronto para vender todas as terras raras brasileiras”, disse.
De acordo com Paiva, o governo brasileiro sinalizou disposição para negociar com diversos países, desde que os investimentos fortaleçam a cadeia produtiva nacional.
“O lobby do Eduardo Bolsonaro não está funcionando”
Um dos pontos mais contundentes da entrevista foi a avaliação de que o bolsonarismo perdeu influência dentro da Casa Branca. Para Paiva, se Eduardo Bolsonaro ainda tivesse forte capacidade de articulação junto ao trumpismo, a reunião entre Lula e Trump não teria ocorrido neste momento.
“Não me parece que o lobby do Eduardo Bolsonaro está funcionando muito na Casa Branca, porque se tivesse funcionado essa reunião de quinta-feira não teria acontecido”, afirmou.
O jornalista também relatou surpresa com a ausência completa de manifestações bolsonaristas em Washington durante a visita presidencial.
“Não teve manifestação na Casa Branca, não teve manifestação na embaixada, na residência da embaixadora, nada. Não tinha uma pessoa ali para gritar Lula ladrão”, contou.
Segundo ele, isso mostra que o campo bolsonarista atravessa um período de enfraquecimento político nos Estados Unidos.
Trump e Lula: relação pragmática
Paiva também afirmou acreditar que Donald Trump não vê Lula como um inimigo prioritário da política externa norte-americana. Segundo ele, setores do Departamento de Estado consideram que o presidente brasileiro pode funcionar como ponte diplomática com governos latino-americanos mais à esquerda.
“Eles não acham que é tudo a mesma coisa. O Lula consegue ter diálogo com líderes latino-americanos mais à esquerda e ao mesmo tempo dialogar com os Estados Unidos”, afirmou.
Na avaliação do correspondente, isso ajuda a explicar por que a Casa Branca aceitou realizar rapidamente um encontro que acabou fortalecendo Lula politicamente no Brasil.
Ao final da entrevista, Paiva afirmou acreditar que parte importante das negociações não foi divulgada publicamente, especialmente no tema das terras raras.
“Eu acho que teve temas secretos. A gente ouviu muito pouco sobre o debate em relação às terras raras”, disse.
Para ele, o saldo da viagem foi amplamente favorável ao Brasil e ao presidente Lula, que conseguiu atravessar uma reunião de alto risco sem desgaste político e ainda ampliar seu protagonismo internacional em meio à disputa geopolítica entre Estados Unidos e China.
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