terça-feira, 12 de maio de 2026
Diretor-executivo da BlackRock elogia o Pix: "tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez"
Diretor-executivo da BlackRock elogia o Pix: "tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez"
Larry Fink afirmou que o Brasil reúne infraestrutura digital, energia e mercado para atrair capital
12 de maio de 2026, 18:36 h
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Larry Fink, diretor-executivo BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, afirmou que o Brasil possui vantagens competitivas importantes na economia digital e destacou o avanço do país em pagamentos instantâneos, digitalização financeira e adoção de tecnologia. As declarações foram feitas na segunda-feira (11), durante evento promovido pela Amcham e pela BlackRock, em Nova York. As informações são da Exame.
Ao comentar o sistema de pagamentos criado pelo Banco Central do Brasil, Fink afirmou que gostaria de ver uma ferramenta semelhante nos Estados Unidos. “Tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez ao criar o Pix. Gostaria que tivéssemos isso aqui”, afirmou.
Durante a conversa, o executivo citou o Brasil como um dos mercados emergentes mais preparados para aproveitar tendências ligadas à digitalização financeira, à tokenização de ativos, à inteligência artificial e ao aumento da demanda global por energia.
Segundo Fink, poucos países conseguiram desenvolver uma infraestrutura digital com adesão tão ampla da população quanto o Brasil. “O Brasil tem uma vantagem”, afirmou. Para o executivo, a população brasileira já opera com uma “mentalidade digital”, o que pode acelerar mudanças no sistema financeiro e no mercado de capitais.
Fink também associou o Pix ao processo de formalização da economia. “O Pix realmente permitiu transformar a economia informal em formal”, disse. “Menos fraude, menos corrupção.”
Avanço da digitalização financeira
O diretor-executivo da BlackRock afirmou ainda que o Brasil está entre os líderes globais em uso de criptomoedas e pagamentos digitais. Segundo ele, a próxima etapa da transformação financeira será a tokenização de ativos.
“Quando falo de digitalização, estou falando de tokenizar ações, tokenizar títulos, tornar tudo digital”, afirmou. “É para onde o mundo está indo — e isso vai acontecer muito rapidamente.”
Na avaliação de Fink, investidores deverão concentrar, em carteiras digitais, ativos como dinheiro, crédito, ações, títulos e imóveis tokenizados. O executivo comparou o atual estágio da tokenização aos primeiros anos da internet comercial. “Estamos nos primeiros dias disso”, afirmou.
Segundo ele, Brasil e Índia possuem vantagem estrutural na digitalização financeira por já contarem com pagamentos instantâneos amplamente difundidos e infraestrutura digital consolidada. “Brasil e Índia são os únicos países que realmente têm essa mentalidade digital”, disse.
Energia e inteligência artificial
Fink também relacionou o potencial brasileiro ao crescimento da infraestrutura energética voltada à inteligência artificial. De acordo com ele, países com abundância de recursos naturais e capacidade competitiva de geração de energia terão posição estratégica na próxima década.
“Em países como o Brasil, que têm abundância de sol e hidrocarbonetos, isso pode representar um florescimento para o Brasil”, afirmou. Para o executivo, energia barata será um dos principais fatores de competitividade em meio à expansão de data centers e infraestrutura de inteligência artificial.
“Se não tivermos energia barata suficiente, será difícil para um continente ou um país competir”, declarou.
Destino de capital internacional
Fink afirmou ainda que Brasil e México tendem a receber parte relevante dos investimentos internacionais na América Latina nos próximos anos. “Acho que os dois lugares para onde o capital vai se direcionar, no geral, serão Brasil e México”, disse.
Segundo ele, o Brasil reúne vantagens ligadas a recursos naturais, mercado interno e capacidade energética. O executivo ponderou, porém, que a atração de capital também depende da ampliação da participação de investidores locais no financiamento da economia. “Mais e mais países estão dizendo: ‘Eu não quero ficar tão exposto à importação de capital para fazer meu país crescer’”, afirmou.
Transformação de poupadores em investidores
Nesse contexto, Fink defendeu políticas voltadas à transformação de poupadores em investidores, especialmente por meio de aposentadoria privada e aplicações de longo prazo. Segundo ele, historicamente, os brasileiros mantiveram grande parte dos recursos em caixa ou em aplicações conservadoras.
“Se você está na renda fixa, você é um inquilino”, afirmou. “Você não está crescendo junto com o seu país”, completou. Na avaliação do executivo, ampliar a presença da população no mercado de capitais pode fortalecer o investimento doméstico, reduzir a dependência de capital externo e estimular o crescimento econômico.
“Precisamos transformar poupadores em investidores”, declarou. Fink também citou o Japão como exemplo de país que ampliou a participação de investidores locais no mercado acionário, movimento que, segundo ele, contribuiu para impulsionar a bolsa japonesa e atrair capital estrangeiro.
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