domingo, 13 de março de 2016

MORO SE DESLUMBROU

Entusiasmo marca carreata em defesa de Lula e Dilma - Portal Vermelho

Entusiasmo marca carreata em defesa de Lula e Dilma - Portal Vermelho: “Eu acredito é na rapaziada que não foge da luta e segura o rojão”. Sob os versos de Gonzaguinha, milhares de pessoas atenderam o chamado dos que defendem a democracia e saíram às ruas na manhã deste domingo (13/03) para manifestar apoio ao ex-presidente Lula e ao mandato da presidenta Dilma. A caravana #SomosTodosLula percorreu seis bairros da região Oeste de Fortaleza.

A classe média é sadomasoquista




“A classe média é sadomasoquista”, afirma o sociólogo Jessé Souza



Os últimos seis meses foram de tormentas para o sociólogo potiguar Jessé Souza, 55 anos. Sua obra – até então festejada nos redutos acadêmicos – tem saído das estantes direto para as mãos daqueles que procuram uma explicação para o caos econômico e político em que se meteu o país. O que diz nem sempre agrada. Algumas polêmicas rendem réplicas e tréplicas nas páginas dos jornais, acrescidas de golpes baixos nas redes sociais e menções nas apaixonadas rinhas políticas da era Lava Jato. “Até agora, só me xingaram. Estou à espera de um debate de verdade”, provoca o autor de A tolice da inteligência brasileira, A ralé brasileira e de Os batalhadores brasileiros.
Entre suas teses que mexem com o juízo dos detratores está a de que o maior problema do Brasil não é a corrupção – como proclamam multidões em fúria, alguns decibéis acima do normal –, mas a desigualdade. Séculos de convivência com diferenças oceânicas entre ricos e pobres teriam naturalizado a violação de direitos mais básicos e o sistema de privilégios para o 1% de endinheirados. Nada de novo, não fosse o desdobramento de sua afirmação.

A DIREITA E A OPOSIÇÃO AO DESENVOLVIMENTO

Vargas, JK, Jango, Lula, Dilma e a oposição ao desenvolvimento

Vargas, JK, Jango, Lula e Dilma
Todos os governos desenvolvimentistas brasileiros foram atacados, solapados, um deles derrubado. Foi assim com Getúlio Vargas, com Juscelino Kubitschek, com João Goulart, com Lula e com Dilma. Um ranço da República Velha e da Revolução de 1930, que insiste em retardar o desenvolvimento do Brasil. Parece que não querem o País como potência mundial.
Nunca perdoaram Getúlio Vargas por ter criado o contrato de trabalho e as estatais de infraestrutura. Antes o trabalhador era quase um escravo. A CLT garantiu o direito a férias, décimo terceiro salário, FGTS, hora-extra e outros direitos.

Agressividade da direita é um fenômeno global



Agressividade da direita é um fenômeno global, por Boaventura Sousa Santos


Boaventura Sousa Santos
A União Europeia pode estar a mudar no centro mais do que a periferia imagina.
O fenómeno não é português. É global, embora em cada país assuma uma manifestação específica. Consiste na agressividade inusitada com que a direita enfrenta qualquer desafio à sua dominação, uma agressividade expressa em linguagem abusiva e recurso a tácticas que roçam os limites do jogo democrático: manipulação do medo de modo a eliminar a esperança, falsidades proclamadas como verdades sociológicas, destempero emocional no confronto de ideias, etc., etc. Entendo, por direita, o conjunto das forças sociais, económicas e políticas que se identificam com os desígnios globais do capitalismo neoliberal e com o que isso implica, ao nível das políticas nacionais, em termos de agravamento das desigualdades sociais, da destruição do Estado social, do controlo dos meios de comunicação e do estreitamento da pluralidade do espectro político. Donde vem este radicalismo exercido por políticos e comentadores que até há pouco pareciam moderados, pragmáticos, realistas com ideias ou idealistas sem ilusões?

O problema é ter medo do medo – O que o medo da ditadura tem a dizer à democracia?

Editora Revan lança livro sobre ditadura civil-militar

“O problema é ter medo do medo – O que o medo da ditadura tem a dizer à democracia?”, este é o novo livro da Editora Revan escrito pela Jornalista Ana Helena Tavares, nascida em 1984, ano das Diretas Já. A obra pretende jogar luz a um presente que é reflexo de uma história. Segundo a autora, um presente e uma história sonegados das últimas gerações de brasileiros. Nas delegacias e quartéis das polícias, de vários estados, a tortura ainda existe.
O lançamento acontecerá na terça-feira (15/03), das 19h às 22h, no Sindicato dos Jornalistas do Rio. Haverá debate com Dr Modesto da Silveira – advogado de presos políticos –, Cid Benjamin – jornalista e ex-guerrilheiro e Ivan Proença – militar legalista.
A ideia do exemplar surgiu após Ana ler um artigo sobre os 40 anos do Ato Institucional Nº 5, assinado pelo sociólogo Gilson Caroni Filho. Para a autora, a leitura daquele artigo, com dados aterradores que ela desconhecia e que tantos jovens desconhecem, detonou a vontade de gritar ao mundo a história do seu tio, torturado durante a vigência do AI-5.
“O problema é ter medo do medo” traz um extenso trabalho de campo no qual Ana passou pela experiência de ir a diferentes lugares para entrevistar pessoas que viveram intensamente a luta contra o medo instalado de 1964 a 1985. E que falam sobre a herança deixada para a democracia.
Ana Helena questiona na obra se aqueles militares, que tinham a prerrogativa de zelar pela segurança do cidadão, e não deram chance de defesa a alguém que nem sabia usar uma arma de fogo, merecem ser hoje vovôs que levam impunemente os seus netos à pracinha.
Capa do livro de Ana Helena Tavares
Capa do livro de Ana Helena Tavares
“Será que é justo que um sujeito que era conhecido como “Tenente Mata Rindo”, caso ainda esteja vivo, continue por aí, talvez contando histórias engraçadas aos seus netos, sem que estes saibam quanta gente o avô fez chorar?” indaga Ana Helena.
O livro não tem a pretensão de dar uma resposta definitiva a estas perguntas. O que se pretende é mostrar que ainda há por aí resquícios de tudo aquilo e verificar até que ponto o medo de hoje é consequência daquele de ontem.
“Se há algo que salta aos olhos é que não vivemos uma democracia plena. Talvez nenhum país do mundo a viva, mas estamos atrasados com relação a muitos, em especial aos vizinhos. É um erro achar que o golpe foi só militar. É um erro demonizar somente os militares. A participação civil, em particular do empresariado, foi muito forte. E milhares de militares foram perseguidos por serem legalistas”, destaca a autora.
Lançamento 
Local: Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro – Rua Evaristo da Veiga, 16, 17 andar – Auditório João Saldanha, Centro, próximo ao metrô da Cinelândia
Data: 15/03, terça-feira 
Horário: 19h às 22h – debate com:  Dr Modesto da Silveira – advogado de presos políticos – e Cid Benjamin – jornalista e ex-guerrilheiro e Ivan Proença – militar legalist
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sexta-feira, 11 de março de 2016

Ânsia em prender Lula isola Conserino no MP-SP - Portal Vermelho

Ânsia em prender Lula isola Conserino no MP-SP - Portal Vermelho: A ânsia em prender o ex-presidente Lula, independente de ter crime ou não, levou os procuradores liderados por Cássio Conserino à desmoralização. De acordo com matéria publicada pelo O Globo, em troca de mensagens entre procuradores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) os procuradores acreditam que o grupo cometeu um “erro grave”.

Pepe Escobar: A luta é de vida ou morte; porque Lula é Brics - Portal Vermelho

Pepe Escobar: A luta é de vida ou morte; porque Lula é Brics - Portal Vermelho

domingo, 6 de março de 2016

Portal ClickPolitica

Portal ClickPolitica

Cerca de 100 agentes da Polícia Federal começaram a desembarcar em quatro capitais, no sábado (5), repetindo o que sempre acontece antes de grandes operações policiais, informa a coluna Esplanada, do jornalista Leandro Mazzini.

Outros 100 policiais estão de sobreaviso neste final de semana. Observadores dessas movimentações, desde 2014, quando foi deflagrada a Lava-Jato, acreditam que segunda-feira poderá ser mais um dia nervoso em Brasília... 


Não há cadeia suficiente para Lula

 
Por 

Não há cadeia suficiente para Lula, não há construção erigida que suporte tamanha pena, que dê conta de tanto pecado. Haja grades de ferro e de aço que sejam capazes de segurar, de reter e de trancafiar tanta coisa numa só, tanta gente num só homem. Não há cadeia no mundo que seja capaz de prender a esperança, que seja capaz de calar a voz.


Porque, na cadeia de Lula, não cabe a diversidade cultural
Não cabe, na cadeia de Lula, a fome dos 40 milhões
Que antes não tinham o que comer
Não cabe a transposição do São Francisco
Que vai desaguar no sertão, encharcar a caatinga
Levar água, com quinhentos anos de atraso,
Para o povo do nordeste, o mais sofrido da nação.
Pela primeira vez na história desse país.

Pra colocar Lula na cadeia, terão que colocar também
O sorriso do menino pobre
A dignidade do povo pobre e trabalhador
E a esperança da vida que melhorou.

Ainda vai faltar lugar
Para colocar tanta Universidade
E para as centenas de Escolas Federais
Que o ‘analfabeto’ Lula inventou de inventar
Não cabem na cadeia de Lula
Os estudantes pobres das periferias
Que passaram no Enem
Nem o filho de pedreiro que virou doutor.

Não tem lugar, na cadeia de Lula,
Para os milhões de empregos criados,
(e agora sabotados)
Nem para os programas de inclusão social
Atacados por aqueles que falam em Deus
E jogam pedras na cruz.

Não cabe na cadeia de Lula
O preconceito de quem não gosta de pobre
O racismo de quem não gosta de negro
A estupidez de quem odeia gays
Índios, minorias e os movimentos sociais.
Não pode caber numa cela qualquer
A justiça social, a duras penas, conquistada.
E se mesmo assim quiserem prender
– querer é Poder (judiciário?),
Coloquem junto na cadeia:
A falta d’água de São Paulo,
E a lama de Mariana (da Vale privatizada)
O patrimônio dilapidado.
E o estado desmontado de outrora
Os 300 picaretas do Congresso
E os criadores de boatos
Pela falta de decência
E a desfaçatez de caluniar.
Pra prender o Lula tem que voltar a trancafiar o Brasil.
O complexo de vira-latas também não cabe.
Nem as panelas das sacadas de luxo
O descaso com a vida dos outros
A indiferença e falta de compaixão
A mortalidade infantil
Ou ainda (que ficou lá atrás)
Os cadáveres da fome do Brasil.
Haja delação premiada
Pra prender tanta gente de bem.
Que fura fila e transpassa pela direita
(sim, pela direita)
Do patrão da empregada, que não assina a carteira
Do que reclama do imposto que sonega
Ou que bate o ponto e vai embora.
Como poderá caber Lula na cadeia,
Se pobre não cabe em avião?
Quem só devia comer feijão
Em vez de carne, arroz, requeijão
Muito menos comprar carro,
Geladeira, fogão – Quem diz?
Que não pode andar de cabeça erguida
Depois de séculos de vida sofrida?
O prestígio mundial e o reconhecimento
Teriam que ir junto pra prisão
Afinal, (Ele é o cara!)
Os avanços conquistados não cabem também.
Querem por Lula na cadeia infecta, escura
A mesma que prendeu escravos,
‘Mulheres negras, magras crianças’
E miseráveis homens – fortes e bravos
O povo d’África arrastado
E que hoje faz a riqueza do Brasil.
Lula já foi preso, ele sabe o que é prisão.
Trancafiado nos porões da ditadura
Aquela que matou tanta gente,
Que tirou nossa liberdade
A mesma ditadura que prendeu, torturou.
Quem hoje grita nas ruas
Não gritaria nos anos de chumbo
Na democracia são valentes
Mas cordatos, calados, covardes
Quando o estado mata, bate e deforma.
Luis Inácio já foi preso,
Também Pepe Mujica e Nelson Mandela.
Quem hoje bate palmas, chora e homenageia,
Já foi omisso, saiu de lado e fez que não viu.
Não vão prender Lula de novo
Porque na cadeia não cabe
Podem odiar o operário
O pobre coitado iletrado
Que saiu de Pernambuco
Fugiu da seca e da fome
Pra conquistar o Brasil
E melhorar a vida da gente
Mas não há
Nesse mundão de meu Deus
Uma viva alma que diga
Que alguém tenha feito mais pelo povo
Do que Lula fez no Brasil.
“Não dá pra parar um rio
quando ele corre pro mar.
Não dá pra calar um Brasil,
quando ele quer cantar.”
Lula lá!
05Mar2016

Atentado contra Lula faz sua popularidade disparar positivamente em todo o Brasil e resto do planeta :: Mídia Popular

Atentado contra Lula faz sua popularidade disparar positivamente em todo o Brasil e resto do planeta :: Mídia Popular

O odioso atentado contra Lula e sua família na sexta (04.03) fez com que sua popularidade disparasse positivamente em todo o país e resto do planeta. Até entre não petistas ou não simpatizantes de ideias de esquerda, operação da PF e Rede Globo foi no mínimo indevida, suspeita e truculenta. Vote na Enquete ao final da matéria. É possível votar em mais de uma opção.

sábado, 5 de março de 2016

Condução coercitiva de ex-presidente Lula foi ilegal e inconstitucional

Condução coercitiva de ex-presidente Lula foi ilegal e inconstitucional

Vimos um espetáculo lamentável na sexta-feira, 4 de março. Este dia ficará marcado como “o dia em que um ex-presidente da República foi ilegal e inconstitucionalmente preso por algumas horas”, sendo o ato apelidado de “condução coercitiva”. Sem trocadilho, tucanaram a prisão cautelar.
Nem preciso dizer o que diz a Constituição acerca da liberdade e sobre o direito de somente se fazer alguma coisa em virtude de lei, afora o direito de ir e vir. Todo o artigo 5º da CF pode ser aplicado aqui.
Mas, em um país em que já não se cumpre a própria Constituição, o que é mais uma rasgadinha no Código de Processo Penal, pois não?  Há dois dispositivos aplicáveis: o artigo 218 (caso de testemunha) e 260 (caso de acusado — Lula é acusado? Lula é indiciado? Lula é testemunha?) do Código de Processo Penal diz que
Art. 218 - A testemunha regularmente intimada que não comparecer ao ato para o qual foi intimada, sem motivo justificado, poderá ser conduzida coercitivamente.
Art. 260 - “Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença”. Parágrafo único: “o mandado conterá, além da ordem de condução, os requisitos mencionados no artigo 352, no que lhes for aplicável”.
Ora, até os minerais sabem que, em termos de garantias, a interpretação é restritiva. Não vale fazer interpretação analógica ou extensiva ou dar o drible hermenêutico da vaca.  A lei exige intimação prévia. Nos dois casos.  
Mais: a condução coercitiva, feita fora da lei, é uma prisão por algumas horas. E prisão por um segundo já é prisão. Pior: mesmo que se cumprisse o CPP, ainda assim haveria de ver se, parametricamente, se os artigos 218 e 260 são constitucionais. A resposta é: no mínimo o artigo 260 é inconstitucional (não recepcionado) porque implica em produção de prova contra si mesmo. É írrito. Nenhum. Sim, sei que o Supremo Tribunal Federal disse que a condução coercitiva é possível. Mas não nos moldes do que estamos discutindo aqui. Cabe(ria) a condução nos termos do que está no CPP. Recusa imotivada, eis o busílis. Não atender a uma intimação: essa é aratio.  E, acrescento: o STF não foi instado para falar da (in)constitucionalidade do artigo 260. Mas, mesmo que o STF venha a dizer que o dispositivo foi recepcionado, ainda assim haveria de se superar a sua literalidade garantista e garantidora: a de que só cabe a condução nos casos em alguém foi intimado e não comparece imotivadamente.
Logo, o ex-presidente Lula e todas as pessoas que até hoje foram “conduzidas coercitivamente” (dentro ou fora da “lava jato”) o foram à revelia do ordenamento jurídico. Que coisa impressionante é essa que está ocorrendo no país. Desde o Supremo Tribunal Federal até o juiz do juizado especial de pequenas causas se descumpre a lei e a Constituição.
Assim, de grão em grão vamos retrocedendo no Estado Democrático de Direito. Sempre em nome da moral publica, do clamor social, etc. Quando Procurador de Justiça, os desembargadores da 5ª Câmara e eu colocávamos a mão no ouvido para ver se ouvíamos o clamor social. Sim. Para prender, basta dizer a palavra mágica: clamor social e garantia da ordem pública. Não são mais conceitos jurídicos, e, sim enunciados performativos. É como se o juiz, usando de sua livre apreciação da prova (eis a ironia da história — 99% dos processualistas penais nunca se importaram com a livre apreciação, ao ponto de estar intacto no projeto do NCPP) — tivesse um clamorômetro ou um segunrançômetro.
A polícia diz que foi para resguardar a segurança do ex-presidente. Ah, bom. Estado de exceção é sempre feito para resguardar a segurança. Oestablishment juspunitivo (MP, PJ e PF) suspendeu mais uma vez a lei. Pois é. Soberano é quem decide sobre o estado de exceção. E o estado de exceção pode ser definido, segundo Agamben, pela máxima latina necessitas legem non habet (necessidade não tem lei).
Espero que tudo isso sirva de lição à comunidade jurídica. Quando há mais de 20 anos eu alertava para o fato de que o livre convencimento e a livre apreciação eram uma carta em branco para o arbítrio, muitos processualistas me recriminavam, dizendo: a livre apreciação é motivada. E eu respondia: isso é um argumento retórico. Se tenho livre apreciação, depois busco uma motivação. E mais: desde quando motivação é igual a fundamentação?  Hoje posso dizer: eu avisei.
Espero que os processualistas não vacilem quando discutirem o novo CPP. Simples assim!
Post Scriptum: Consta que na decisão que determinou a oitiva de Lula e outros, o juiz Sergio Moro ordenou que primeiro houvesse um convite para, só depois, em caso de recusa, fazer a coerção. Sendo isso verdadeiro, podemos concluir que a polícia cometeu abuso de autoridade. De todo modo, a ressalva de “fazer o convite” não tem o condão de superar a flagrante ilegalidade/inconstitucionalidade da condução coercitiva.
 é jurista, professor de direito constitucional e pós-doutor em Direito. Sócio do Escritório Streck, Trindade e Rosenfield Advogados Associados:www.streckadvogados.com.br.

Revista Consultor Jurídico, 4 de março de 2016, 18h43

Reflexões sobre o 4 de março de 2016

jararaca

Reflexões sobre o 4 de março de 2016

Por ter sido repórter de política num período grande da sua vida profissional, no Rio e em Brasília, e também por ter cumprido, digamos, o papel de “chefe da Casa Civil” do Ancelmo Gois em sua coluna ao longo de mais de uma década, o cronista digital sempre se sentiu pouco à vontade e até mesmo impedido de revelar o voto dele publicamente.
Repórter, sobretudo o de política, é aquele ser que, uma vez reconhecido na rua, ou quando expõe seus pensamentos no botequim ou na internet, principalmente na internet, território livre onde as ofensas se alastram como mosquito da zika ou da chicungunha, na maioria das vezes incentivadas pelo anonimato de quem as comete, enfim, esse cara, o jornalista político, se identificado, vira alvo da ira de quem pensa diferente dele – ou, ainda mais comum, do patrão dele.
No auge do pedetismo no Rio, por exemplo, quando a TV Globo castigava e castigava e castigava Leonel Brizola, militantes aloprados viraram um carro da emissora. A bordo, não estava o Roberto Marinho. Estavam profissionais que, na vida privada, discordavam seriamente do pensamento da empresa e do seu dono.
O cronista digital mesmo, em tempos mais amenos, e sem ter nada com isso, já foi desafiado em balcões de botequim a explicar as posições do “Globo”, onde trabalhou por 13 anos e meio.
Mas, apesar de todo risco que possa correr neste 4 de março de 2016, dia já marcado na História brasileira como o da 24ª fase da Operação Lava-Jato, cujo alvo foi o Lula e sua família e alguns amigos, eu, hoje, senti vontade de revelar meus votos.
Não há nenhuma novidade neles. Todos os meus amigos já sabem – e outros nem tão amigos, também, por já terem dividido comigo mesas de redação ou de bar.
Em 1986, pra governador do Rio, eu votei, com o maior orgulho, no professor Darcy Ribeiro. Talvez tenha sido o resultado eleitoral mais frustrante da minha trajetória de eleitor, ali incipiente. Deu Moreira Franco. Em 1989, pra presidente, fui de Brizola, no primeiro turno, e de Lula, no segundo.
Como nunca votei no PSDB nem no PMDB, apesar de acreditar na existência de gente de bem nesses partidos (e aqui queria lembrar o senador Pedro Simon), bom, como jamais escolhi candidatos tucanos ou peemedebistas, fica claro que meus votos seguintes não foram muito diferentes.
Ou seja, votei no Lula e votei na Dilma.
Nunca fui filiado a nenhum partido nem vesti camiseta de candidato. Nem nos breves meses em que fui assessor de imprensa da Cidinha Campos em sua campanha pelo PDT à prefeitura do Rio, em 1992. Aliás, nem votei nela, porque meu título era de Nova Iguaçu.
O cronista digital diz tudo isso pra tentar convencer quem dele venha discordar, por alguma razão ou paixão, que ele hoje se sente um eleitor comum, livre pra cobrar seus eleitos pela compra de um pedalinho de R$ 2 mil ou de um barquinho, ainda que mequetrefe, de R$ 4 mil. Ou de um apartamento no Guarujá – não em Higienópolis, imagina, onde mora o FH, nem no Leblon, de onde muitas vezes já tocou seu mandato ou governou Minas o senador Aécio Neves.
Não faz muito tempo, cabia aos jornais denunciar um suposto crime; à polícia, cabia investigar; ao Judiciário, julgar. Hoje, com todo o respeito e sem qualquer fiozinho de ressentimento, preocupa a constatação de que a ordem das coisas se inverteu, e que nosso principal repórter é, num sentido figurado, o japonês da Federal. O pauteiro da redação é o juiz Sérgio Moro. E a nossa grande imprensa, com sua soberba e seus autoelogios incuráveis, só parece publicar o que deles vem, o que por eles se sabe – e, na contramão do que ensinam as boas escolas de jornalismo, sem contra-apuração.
Nada contra o papel da Polícia Federal e do magistrado Moro. Acho que a Lava-Jato deve investigar mesmo. Ir fundo. Raspar o tacho de toda nojeira e pôr na cadeia os culpados, não importa o partido deles – PT, PSDB, PMDB, PP, PQP, FDP…
Mas o ocorrido no Brasil nesta sexta-feira, dia 4 de março, é o tesouro mais contundente que o PT buscava, talvez sem merecer encontrar, com sua interminável coleção de transgressões e de desacertos e de desastres e de falta de vergonha de alguns de seus filiados. É, talvez, a prova mais bem acabada que o partido fundado a partir de tantos sonhos, em 1979, poderia receber de presente pra reforçar sua tese de motivação política por trás da Lava-Jato.
A Polícia Federal, por ordem do juiz Moro, foi à casa do Lula às 6h da manhã com um mandado de condução coercitiva pra que o ex-presidente depusesse sobre um barquinho de R$ 4 mil, um pedalinho de R$ 2 mil e uma chácara e um tríplex que ele garante que não são dele. Se forem, fica configurada a ocultação de patrimônio – e que o Lula (ele e dona Marisa flagrados de pijama e camisola) seja punido por isso.
Mas, de novo com todo o respeito ao juiz Moro e à tropa da Polícia Federal boa cumpridora de ordens, não havia necessidade de condução coercitiva, nem de criar mais um embaraço, este gigantesco, e mais uma crise que dissemina o devaneio da possibilidade de golpes pra um governo já paralisado e já em frangalhos e já ruim e quase sem chance de reação como o da Dilma.
O juiz Moro perdeu pontos importantes neste 4 de março. A Polícia Federal, por tabela, também. O PT, Lula e Dilma, acho, saem vencedores deste gesto aloprado.

Lula: Moro não é mais honesto do que eu "

Lula: Moro não é mais honesto do que eu

"Hoje é o dia da indignação para mim"
publicado 04/03/2016
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"Eles estão julgando um apartamento que não é meu e dizem que é meu. Espero que a Globo ou o MPF me dê o apartamento"
O Presidente Lula reafirmou, na noite desta sexta-feira (4), que o sítio que ele frequenta em Atibaia (SP) e o apartamento do Guarujá (SP) não são dele. O petista ironizou a 24a fase da Operação Lava Jato que o tem como principal alvo.

Após depor à Polícia Federal pela manhã e conceder coletiva à tarde, o Presidente  compareceu ao Sindicato dos Bancários, em São Paulo, para falar com a militância petista. Em seu discurso, Lula tratou a ação da PF, em seu apartamento em São Bernardo do Campo (SP), como uma ofensa.

"Foi uma ofensa pessoal, ao partido, à democracia e ao Estado de Direito. Hoje fui sequestrado pela Polícia Federal na minha casa, às seis da manhã. O seu Moro não precisaria ter feito essa coisa chamada condução coercitiva. O que eu vi hoje foi um show. Hoje é o dia da indignação para mim", disse o Presidente.

Para continuar: "Eles estão julgando um apartamento que não é meu e dizem que é meu. Espero que a Globo ou o MPF me dê o apartamento. Eles dizem que a chácara é minha, mas não é", comentou o Presidente. "Foram atrás de toda a minha família. Só faltou a minha neta de um mês de idade. Não sei como não foram abrir o caixão da minha mãe", brincou.

Em sua fala, Lula chamou de "esdrúxulas" as perguntas feitas pelos investigadores na Polícia Federal. "Me chamaram para discutir Medida Provisória. Eu perguntei ao delegado se ele sabia como funcionava uma MP. Se ele havia conversado com algum deputado. Ele não tinha noção", declarou Lula aos sindicalistas. "Tentam transformar a importância política do meu governo em uma relação com umas empresas da Lava Jato", discursou.

"Pode pegar o Procurador da República, o [juiz Sérgio] Moro, qualquer delegado e se um deles for um real mais honesto do que eu desisto da vida pública", finalizou o Presidente.

Abaixo, outras frases do Presidente:


Eu já sofri muitas coisas.

Todas as vezes que sofri reves e fui derrotado eu me comportei como democrata.

Agora, acontece que eu virei Presidente em 2002.

Neste país, um negro não podia ser dentista, advogado, engenheiro, porque negro nasceu, na lógica deles, para ser servente de pedreiro

Digo coisas que todos já sabem, mas é porque nós mudamos a história deste país. E vamos continuar mudando

Fico ofendido com o complexo de vira-latas que tem a nossa elite.

O sucesso do meu governo foi levar para dentro do Palácio do Planalto o que aprendi nas ruas desse país durante décadas

Eles acreditam no meu fracasso. Achavam que meu fracasso era o retorno deles. Eles não sabiam que eu representava o sonho de milhares de pessoas.

Eu virei o melhor presidente da República que esse país já teve. Passei a ser o melhor presidente do século 21 no mundo inteiro

Lula chora ao lembrar da emoção sentida por um camponês ao ser recebido pelo Presidente da República no Palácio do Planalto.

Eu achava que o pior preconceito era com nordestino. Não. É com mulher. A elite não concebe a ideia dela ser presidenta

É uma pena que a gente ainda esteja atrasado. A entrada da mulher no mercado aumentou 50%, mas a do homem na cozinha não acompanhou

Em 1982, eu achava que bastava dizer que trabalhador vota em trabalhador, porque não é assim que a sociedade se comporta

Nós temos de convencer as pessoas todos os dias. Hoje temos a internet, que foi uma revolução maravilhosa, mas liberou os demônios

Eu estava deitado no Palácio do Planalto, de barriga pra cima, quando pude dizer que o Brasil não deve mais nada ao FMI

Esse legado, que conto para vocês, a mídia quer apaga. Quer que vocês esqueçam. Agora dizem que a crise foi porque investimos no pobre

A solução é fazer com que o pobre volte a ser consumidor.



Alisson Matos, editor do C Af

sexta-feira, 4 de março de 2016

Operação contra Lula é confissão de medo da elite brasileira

Operação contra Lula é confissão de medo da elite brasileira, diz Bandeira de Mello

Para um dos juristas mais respeitáveis do país, operação executada nesta sexta-feira (4) a mando da Lava Jato é "absurda" juridicamente: "As pessoas têm a ilusão de achar que o Direito pode tudo. Não pode"
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 04/03/2016 21:04, última modificação 04/03/2016 21:41
REPRODUÇÃO/YOUTUBE
Bandeira de Mello
"A classe média não se satisfaz em estar bem. Ela quer que os outros estejam mal para se sentir superior"
São Paulo – Como todos os cidadãos que, independentemente das cores partidárias, têm apreço pela democracia, pelo Estado democrático de direito e pelas garantias individuais inscritas na Constituição de 1988, o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello acordou hoje (4) com uma notícia chocante para muitos. O cerco, pela Polícia Federal, à casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cumprimento de ação deflagrada na operação Lava Jato. “Eu fiquei muito aborrecido como cidadão”, diz, em entrevista exclusiva à RBA.
Numa análise mais fria, Bandeira de Mello acredita que tudo a que o país está assistindo, e que chegou hoje ao clímax da espetacularização midiática, do ponto de vista jurídico não é respaldado por nenhuma lei.  “A condução coercitiva do Lula, juridicamente, não passa de um absurdo. Porque quem não se recusa a depor, quem não resiste a colaborar com a autoridade, não pode receber nenhuma condução coercitiva.”

Os 45 tons de cinza do juiz Sérgio Moro

Os 45 tons de cinza do juiz Sérgio Moro, por Armando Rodrigues Coelho Neto

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Está em curso uma guerra ao PT vendida ao grande público como combate à corrupção. Mentira. Na prática existe a preparação da sociedade, sobretudo os setores menos esclarecidos, para aceitaram qualquer medida truculenta ou raivosa contra o direito, contra o ex-presidente Lula. Serve de exemplo a operação de hoje.
Em mais de 30 anos de Polícia Federal, nunca vi uma condução coercitiva sem ser precedida, no mínimo, por duas intimações não atendidas. Querem a cabeça do Lula para ser exibida em praça pública ou seguir a escrita de produzir capa para a revista Veja no final de semana, melhorar a audiência do decadente Jornal Nacional e ou outras razões inconfessáveis.

MARCO AURÉLIO: MORO ATROPELOU REGRAS

O escândalo sexual envolvendo a autora da reportagem da Isto É sobre a suposta delação premiada de Delcídio Amaral | Blog de Francisco Castro

O escândalo sexual envolvendo a autora da reportagem da Isto É sobre a suposta delação premiada de Delcídio Amaral | Blog de Francisco Castro

quinta-feira, 3 de março de 2016

Rolling Stones vão a Cuba - Portal Vermelho

Rolling Stones vão a Cuba - Portal Vermelho: Por mais irônica que a frase do título soe, é exatamente isso, a banda inglesa Rolling Stones vai a Cuba, para desespero dos reacionários tupiniquins. E não basta visitar a ilha: o grupo vai fazer uma apresentação gratuita no país. O show será realizado no Coliseo de la Ciudad Deportiva, em Havana, no dia 25 deste mês.

O FIM DO CAMINHO :: Renatuchoa