quinta-feira, 23 de julho de 2026

Estadão: Flávio herdou o golpismo de Bolsonaro

Estadão: Flávio herdou o golpismo de Bolsonaro ‘Diante de diplomatas, Flávio Bolsonaro reencenou uma das práticas que consagraram seu pai como a maior ameaça à democracia brasileira na Nova República’, afirma editorial Conteúdo postado por: Guilherme Levorato Guilherme Levorato Publicado em 23 de julho de 2026 às 08:11 ♥ Apoie o 247 20 6 Flávio Bolsonaro - Jair Bolsonaro Flávio Bolsonaro – Jair Bolsonaro Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado / REUTERS/Adriano Machado Newsletter Seguir no Google Notícias Adicione o Brasil 247 como fonte preferencial no Google ♥ Apoie o 247 247 – O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reencenou a farsa da suposta insegurança do sistema eleitoral brasileiro diante de diplomatas estrangeiros em Brasília, provando que o golpismo une uma família que não admite perder eleições limpas, aponta um contundente editorial publicado pelo jornal O Estado de São Paulo nesta quinta-feira (23). Play Video Durante o encontro na capital federal, que contou com a presença de representantes de mais de 40 países, além de autoridades da União Europeia e da Liga dos Estados Árabes, o parlamentar solicitou o envio da “maior quantidade de observadores possível” para as eleições de outubro. Na ocasião, Flávio afirmou mentirosamente que as urnas eletrônicas brasileiras teriam “a mesma origem” dos equipamentos utilizados na Venezuela, citando a empresa Smartmatic e um documento da CIA sobre uma suposta fraude eleitoral ocorrida no país vizinho em 2012. O editorial do veículo paulista destaca que as declarações do senador são totalmente falsas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já atestou por escrito e de forma categórica que equipamentos ou softwares da Smartmatic, ou de qualquer outra empresa estrangeira, jamais foram utilizados no processo eleitoral do País. Todo o sistema é concebido, produzido e gerido inteiramente pelo próprio TSE, utilizando tecnologia nacional auditável por partidos políticos, especialistas e órgãos de fiscalização do Brasil e do exterior. Desde a introdução do sistema eletrônico, em 1996, nenhuma evidência de fraude foi encontrada, consolidando o Brasil como uma referência internacional em rapidez e segurança eleitoral. O “manual do golpista moderno” e a tentativa de golpe A publicação ressalta que as atitudes de Flávio Bolsonaro não ocorrem por acaso, apontando que o parlamentar domina o “manual do golpista moderno”. A estratégia consiste em lançar suspeitas e insinuar a atuação de forças ocultas para contestar o pleito, para logo em seguida negar qualquer acusação direta. “Não estou questionando o sistema de votação brasileiro”, alegou o senador no evento, justificando que apenas citava o relatório da CIA. O texto classifica o movimento como maldoso e compara a conduta à de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), assim como à do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a alegar sem provas, em rede nacional, que a eleição americana de 2020 foi fraudada. O editorial também aponta como lamentável a postura de Flávio de mentir com “tanto desassombro” ao tentar reescrever os motivos da prisão de seu pai perante a comunidade internacional. O senador declarou aos embaixadores que Jair Bolsonaro estaria preso por ter se reunido com diplomatas em 2022 para demonstrar “preocupação” com a segurança eleitoral. O jornal lembra que o filho omitiu convenientemente que a condenação do pai a mais de 27 anos de prisão, em caráter definitivo, decorreu de uma tentativa de golpe de Estado, e não da referida reunião — encontro do qual adveio sua inelegibilidade por abuso de poder político. Ameaça explícita de uso da força O ataque do parlamentar às urnas não é tratado pelo jornal como um deslize isolado, mas como mais um ato de irresignação contra o Estado Democrático de Direito. O texto relembra que, em entrevista concedida à Folha de São Paulo em junho do ano passado, Flávio já havia admitido abertamente que um candidato apoiado por Jair Bolsonaro teria a obrigação de garantir o cumprimento de um eventual indulto ao ex-presidente, mesmo que o Supremo Tribunal Federal (STF) declarasse a medida inconstitucional. Indagado sobre a hipótese de tal impasse ocorrer, o senador admitiu sem rodeios o “uso da força”. O Estadão conclui a análise classificando como exasperante o fato de que, em 2026, o País ainda precise gastar energia desmentindo falácias sobre o sistema eletrônico de votação. Segundo o veículo, postulantes à chefia de Estado e de governo deveriam estar focados nos problemas reais que o Brasil precisa enfrentar, ressaltando que a lisura das eleições nunca esteve entre eles.

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