quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

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domingo, 11 de janeiro de 2026

Todo apoio a Delcy Rodríguez e ao Itamaraty na crise venezuelana

Todo apoio a Delcy Rodríguez e ao Itamaraty na crise venezuelana A solidariedade com a presidenta interina da Venezuela e a ação do governo Lula refletem posições de princípios e correspondem aos interesses nacionais 11 de janeiro de 2026, 05:11 h 74 Partilhas whatsapp-white sharing button 9twitter-white sharing button 7facebook-white sharing button 44email-white sharing button 1copy-white sharing button Diante do ataque mais flagrante e perigoso à ordem internacional na América Latina nas últimas décadas, promovido pelos Estados Unidos ao perpetrar uma ação militar contra a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cília Flores, a resposta da liderança venezuelana e a postura do Brasil destacam-se no cenário internacional contemporâneo como demonstrações de lucidez, defesa de valores e salvaguarda da norma fundamental do Direito Internacional: a soberania nacional. A presidenta interina Delcy Rodríguez enfrenta a tarefa ciclópica de assegurar a estabilidade de uma nação sob agressão direta e, ao mesmo tempo, encarna, em suas primeiras medidas à frente da República Bolivariana, a resistência de um povo forjado na luta anti-imperialista. Seu alerta à comunidade internacional soou como um chamado à consciência global diante da persistência de práticas coloniais. No plano interno, a busca pela unidade nacional, pela paz e pela estabilidade assume caráter preventivo, com o objetivo de conter o caos almejado por forças regressivas que tentam justificar novas escaladas. No campo diplomático, sua estratégia revela eficácia ao mobilizar o apoio de países solidários e comprometidos com o Direito Internacional, ao mesmo tempo em que responde de forma pragmática ao aceno de cooperação dos Estados Unidos. Os gestos de Delcy Rodríguez em direção a esse país imperialista e agressor não representam fraqueza, capitulação ou traição, mas expressão de força soberana, baseada na compreensão de que a normalização das relações e a cooperação só são admissíveis dentro do marco inegociável da autodeterminação do povo venezuelano. Trata-se da postura de quem defende sua nação sem se fechar ao mundo, oferecendo diálogo onde antes houve apenas bombas e ilegalidade. Nesse contexto de turbulência, a atuação do presidente Lula, com a assessoria especial de Celso Amorim, e do Itamaraty, sob a condução experiente do chanceler Mauro Vieira, revela-se essencialmente justa por estar ancorada em uma estratégia fiel aos princípios do Direito Internacional e à defesa intransigente da soberania brasileira e latino-americana. O Brasil reassume, com a autoridade moral e política de quem jamais se envolveu em aventuras neocoloniais, seu papel histórico de pacificador e integrador regional. A condenação firme de Lula ao ataque estadunidense reafirma uma concepção de política externa que tem na não intervenção e no respeito à soberania seus pilares centrais. Os telefonemas à presidenta Delcy Rodríguez ultrapassam a mera formalidade diplomática e expressam a reafirmação do vínculo entre duas nações irmãs, transmitindo uma mensagem inequívoca de que o Brasil não abandonará a Venezuela em seu momento mais difícil. No plano estritamente diplomático, a sintonia entre o chanceler Mauro Vieira e seu homólogo Yván Gil tem permitido a construção de pontes concretas de cooperação, das quais o anúncio de assistência brasileira na área da saúde é, até o momento, o exemplo mais palpável e humanitário. A atuação brasileira avançou ainda mais com a convocação emergencial da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e com as conversações telefônicas sobre a crise venezuelana mantidas com outros chefes de Estado e de governo, entre eles a presidenta mexicana Claudia Sheinbaum, o presidente colombiano Gustavo Petro, o primeiro-ministro canadense Mark Carney e o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez. Essa posição política do presidente Lula também encontrou eco no Conselho de Segurança das Nações Unidas, por meio do pronunciamento do embaixador Sérgio Danese, que somou a respeitada e coerente voz do Brasil à de outras nações em defesa do multilateralismo, da solução política dos conflitos e da paz. Nesse quadro, impõe-se como um dever político e ético que todas as forças genuinamente democráticas, patrióticas, progressistas e comprometidas com a paz apoiem a liderança da presidenta Delcy Rodríguez e a ação diplomática do Itamaraty. Qualquer hesitação nesse campo não constitui neutralidade, mas cumplicidade com a ilegalidade e o crime internacional. Da mesma forma, críticas vazias, mal-intencionadas ou ataques diretos representam um desserviço à estabilidade do continente. Apoiar Delcy Rodríguez e o Itamaraty significa também defender os interesses nacionais brasileiros. O Brasil só alcançará seus objetivos estratégicos em um ambiente geopolítico sul-americano pacífico, integrado e cooperativo. Um país vizinho violentado, desestabilizado e submetido ao jugo de potências estrangeiras representa ameaça direta à nossa segurança e ao projeto de desenvolvimento soberano. Os ataques cínicos dirigidos ao Itamaraty, a Lula e à liderança venezuelana, oriundos em geral dos mesmos setores que aplaudiram golpes e intervenções ao longo da história, configuram verdadeira traição às causas da paz, da estabilidade e da cooperação regional. Mesmo que conscientemente ou não, esses discursos servem ao projeto hegemônico que pretende transformar novamente a região em quintal. Reafirmamos, com máxima ênfase, nossa condenação severa à violação brutal da soberania venezuelana e do Direito Internacional cometida pelos Estados Unidos, expressão de uma estratégia de dominação dessa superpotência imperialista. O caminho trilhado, na atual conjuntura, por Delcy Rodríguez, Lula e o Itamaraty é o único viável. Defender a Venezuela hoje é defender, amanhã, o direito do Brasil e de todos os povos à existência digna como nações livres, soberanas e donas de seus próprios destinos. A firmeza de Caracas e a lucidez de Brasília, ambas sustentadas por uma leitura realista do quadro político, representam duas faces da mesma moeda: a esperança de um Sul Global finalmente soberano. Redação Brasil 247 avatar Conteúdo postado por: Redação Brasil 247

sábado, 10 de janeiro de 2026

Mearsheimer: um país como o Brasil não tem como não manter boas relações com os Estados Unidos Isso não significa não fazer negócios com a China

Mearsheimer: um país como o Brasil não tem como não manter boas relações com os Estados Unidos Isso não significa não fazer negócios com a China 10 de janeiro de 2026, 06:00 hAtualizado em 10 de janeiro de 2026, 06:06 h 246 Partilhas whatsapp-white sharing button 87twitter-white sharing button 14facebook-white sharing button 125email-white sharing button 19copy-white sharing button Bluesky LogoBluesky Bluesky LogoThreads 🇬🇧 English Translate to English Ouvir artigoÍcone de conversão de texto em fala John Mearsheimer John Mearsheimer (Foto: Universidade de Chicago) Redação Brasil 247 avatar Conteúdo postado por: Redação Brasil 247 Apoie o 247 Siga-nos no Google News 247 – A volta da competição entre grandes potências e o fim do período de unipolaridade dos Estados Unidos estão reorganizando a geopolítica global e restringindo as margens de manobra de países emergentes como o Brasil. Essa é uma das principais conclusões do cientista político John J. Mearsheimer, um dos nomes mais influentes do realismo estrutural nas relações internacionais, ao analisar o novo cenário mundial em entrevista ao canal Horizons, no YouTube. TV 247 Vote no Brasil 247 como melhor canal de notícias e jornalismo e melhor canal de política do Brasil no iBest 2025 Vote agora Ao tratar do papel de potências médias e emergentes, Mearsheimer foi direto ao abordar o caso brasileiro. Para ele, a posição do Brasil no Hemisfério Ocidental impõe limites claros à política externa do país, independentemente da expansão econômica da China. “O Brasil está no Hemisfério Ocidental. Os Estados Unidos têm uma política chamada Doutrina Monroe. E a Doutrina Monroe diz que não há como o Brasil formar uma aliança com a China. E eu acho que os brasileiros entendem muito bem que podem ter relações econômicas com a China. Mas não têm escolha a não ser serem amistosos com os Estados Unidos, a não se aliarem à China”, afirmou. Play Video A declaração sintetiza um argumento central do realismo: para os Estados, a sobrevivência e a segurança pesam mais do que a prosperidade econômica. Mesmo que países tentem “fazer hedge” — isto é, equilibrar relações com múltiplos polos —, essa estratégia tende a se tornar inviável quando a rivalidade entre potências se intensifica. Segundo o professor, a pressão do sistema internacional empurra os Estados, em situações-limite, a escolher um lado. O fim da “pausa da história” e o retorno da multipolaridade Mearsheimer afirmou que o mundo viveu entre os anos 1990 e 2017 um período excepcional, no qual os Estados Unidos foram a única grande potência. “De aproximadamente 1992, pouco depois do desaparecimento da União Soviética — e, claro, a Guerra Fria tinha terminado naquele momento — até por volta de 2017, quando China e Rússia emergiram como grandes potências, nós vivemos em um mundo unipolar”, disse, ao explicar que a ausência de rivais tornava impossível a competição de segurança típica entre potências. Essa realidade, segundo ele, começou a mudar de maneira decisiva quando China e Rússia passaram a atuar como centros de poder global. “O meu argumento é que isso aconteceu por volta de 2017, quando China e Rússia entraram em cena como grandes potências”, afirmou. A partir daquele momento, o mundo teria voltado à lógica multipolar — e, com ela, reapareceu a disputa estratégica em escala global. Mearsheimer sustenta que previu esse retorno da rivalidade, especialmente no Leste Asiático e na Europa. Ele recordou que defendia há anos que a ascensão chinesa resultaria em tensão crescente com Washington. “Eu discordei completamente disso e achei que a ascensão da China e a China se tornando uma grande potência levariam a todo tipo de problema no Leste Asiático e haveria uma competição intensa de segurança entre os Estados Unidos e a China nessa região”, disse. Sobre a Europa, ele reafirmou que alertou para as consequências da expansão da OTAN e da tentativa de integrar a Ucrânia ao bloco ocidental. “Eu argumentei por muito tempo que tentar se expandir, especialmente para a Ucrânia, era uma receita para o desastre. Isso levaria a problemas com a Rússia”, afirmou. E acrescentou que o conflito em território ucraniano, em sua visão, reforça que suas advertências estavam corretas. “E, mais uma vez, com tristeza eu digo que eu estava certo também nesse ponto”, completou. A mudança dos EUA e o declínio da “hegemonia liberal” A entrevista também abordou a mudança de postura dos EUA sob “Donald Trump 2.0”, descrita pelo entrevistador como uma transição do projeto de “refazer o mundo à imagem americana” para uma política mais transacional e focada no interesse nacional. Mearsheimer rejeitou a ideia de que isso represente uma guinada ao isolacionismo ou uma “retirada da liderança global”. “Isso é um absurdo. Isso não é o que está acontecendo”, afirmou. Segundo ele, durante o período unipolar, como não havia competição direta com outras potências, Washington tentou impor uma estratégia de “hegemonia liberal”, baseada na expansão de instituições e valores ocidentais. “O que os Estados Unidos decidiram fazer, em vez de se engajar em competição entre grandes potências, foi refazer o mundo à sua própria imagem. Seguir uma política externa liberal — o que eu chamo de hegemonia liberal”, explicou. O resultado, para ele, foi desastroso. “O resultado final disso é que nós entramos nas guerras sem fim. Foi desastroso”, disse. Mearsheimer afirma que essa sequência de fracassos ajudou a reduzir o apoio doméstico nos EUA para intervenções militares, enquanto o retorno da multipolaridade obrigou o país a redirecionar prioridades. “Uma vez que você está em um mundo multipolar depois de 2017, os Estados Unidos tiveram que focar na competição entre grandes potências”, afirmou. Rússia e China: “uma situação que não faz sentido para os EUA” Mearsheimer também insistiu na ideia de que o Ocidente — especialmente a política adotada durante a guerra na Ucrânia — contribuiu para aproximar Moscou e Pequim, o que ele considera contrário ao interesse estratégico americano. “Como resultado da guerra na Ucrânia, nós empurramos os russos para os braços dos chineses”, disse. Para ele, essa composição de forças cria um cenário em que os EUA enfrentam simultaneamente a principal potência rival (China) e uma potência nuclear com peso geopolítico decisivo (Rússia), sem conseguir separá-las. Mearsheimer afirmou acreditar que Trump tenta “corrigir” esse quadro. “Eu acredito que o que Trump quer fazer é, em primeiro lugar, encerrar a guerra na Ucrânia e, em segundo, ter boas relações com Moscou. Ele quer melhorar as relações entre EUA e Rússia para poder afastar os russos dos chineses”, disse. Ele comparou a ideia a uma estratégia usada por Nixon e Kissinger nos anos 1970. “Isso é semelhante ao que Kissinger e Nixon fizeram em 1972. Naquele caso, nós afastamos a China da União Soviética”, afirmou. Mas, embora considere a lógica “racional”, Mearsheimer avalia que há obstáculos quase intransponíveis no curto prazo. “Eu diria que é extremamente improvável que isso vá funcionar num futuro previsível”, disse, citando a russofobia instalada nas elites ocidentais e a falta de confiança da Rússia no Ocidente. Europa mais fragmentada e com relações “venenosas” com Moscou No debate sobre a Europa, Mearsheimer argumentou que o enfraquecimento da “proteção americana” tende a aumentar as divisões internas do continente. “A minha argumentação é que o oposto vai acontecer: as relações europeias vão ficar mais conflituosas”, afirmou, dizendo que a presença dos EUA funcionava como “cola” entre os países europeus. Segundo ele, mesmo que a guerra na Ucrânia seja interrompida, o cenário seguinte tende a ser de instabilidade duradoura. “Uma vez que os tiros pararem e você tiver um conflito congelado, as relações entre a Europa de um lado e a Rússia do outro serão venenosas”, afirmou. E apontou que Moscou poderá explorar divergências entre governos europeus em relação ao grau de hostilidade ou reaproximação. Instituições internacionais enfraquecem, “ordens limitadas” avançam Outro eixo central da entrevista foi a crise das instituições globais construídas no pós-guerra. Mearsheimer concordou que organismos como ONU e OMC sofrem paralisia e fragmentação, mas afirmou que esse processo não deve ser interpretado como “falência total”, e sim como consequência natural do equilíbrio de poder. “Nós saímos da unipolaridade e agora estamos na multipolaridade. Então essas instituições internacionais... vão tornar cada vez mais difícil, ao longo do tempo, obter muita cooperação entre as três grandes potências”, afirmou. Em vez de uma ordem verdadeiramente global, ele vê o surgimento de “ordens limitadas”, lideradas pelas potências em disputa. “O que a China está fazendo e o que os Estados Unidos estão fazendo é criar suas próprias ordens limitadas... projetadas para travar competição de segurança”, afirmou. E citou como exemplos iniciativas lideradas por Pequim: “Pense na Nova Rota da Seda. Pense no Brics. Pense na Organização de Cooperação de Xangai. Pense no AIIB”, disse. Interdependência econômica não garante paz — e pode virar vulnerabilidade Mearsheimer também criticou a crença liberal de que integração econômica reduz riscos de guerra. “Muitas pessoas acreditam que interdependência econômica causa paz... isso não faz sentido nenhum”, afirmou, lembrando que a Europa tinha forte integração econômica antes da Primeira Guerra Mundial. Para ele, o problema real hoje é a dependência estratégica. Mearsheimer citou um exemplo ligado à disputa tecnológica e à cadeia de suprimentos de minerais críticos. “Os Estados Unidos dependem da China para certas matérias-primas, e isso dá à China grande alavancagem sobre os Estados Unidos... principalmente terras raras e ímãs de terras raras”, disse. Ele relatou que, ao tentar impor tarifas e “jogar duro” contra Pequim, Trump teria sido contido por esse fator. “Os chineses disseram ao presidente Trump, sem nenhuma dúvida, que cortariam essas terras raras para os Estados Unidos se os EUA jogassem duro. E o resultado final é que o presidente Trump recuou”, afirmou. Onde o mundo pode explodir: Taiwan, Mar do Sul da China e sete pontos perigosos na Europa Ao ser questionado sobre o risco de guerras “por acidente” num sistema multipolar, Mearsheimer apontou que o Leste Asiático concentra os principais focos entre EUA e China. “Há três grandes pontos de tensão no Leste Asiático... o primeiro é Taiwan... mas há outros dois que me preocupam muito: o Mar do Sul da China e o Mar da China Oriental”, afirmou. Sobre Taiwan, foi categórico: “Os chineses estão profundamente comprometidos em recuperar Taiwan... acreditam que Taiwan é território sagrado”, disse. Quanto à Europa, ele alertou que a Ucrânia continuará sendo um foco perigoso mesmo após eventual cessar-fogo. “Mesmo que você pare os combates na Ucrânia, você vai acabar com um conflito congelado... e sempre há o perigo de esse conflito congelado virar novamente uma guerra quente”, afirmou. Além da Ucrânia, ele listou outras seis áreas onde a disputa Rússia-Ocidente pode escalar: “O Ártico, o Mar Báltico, Kaliningrado, Belarus, Moldávia e o Mar Negro”, disse, afirmando que cada uma dessas regiões tem potencial para produzir choques diretos. Brasil entre pragmatismo econômico e limites geopolíticos A fala sobre o Brasil, colocada no centro da entrevista ao tratar das potências intermediárias, sintetiza o dilema dos emergentes na era multipolar. Para Mearsheimer, o Brasil pode ampliar comércio, investimentos e laços econômicos com a China, mas não pode, em hipótese alguma, transformar isso em uma aliança estratégica no sentido clássico, especialmente por conta da doutrina histórica dos EUA no Hemisfério Ocidental. “O Brasil está no Hemisfério Ocidental... não há como o Brasil formar uma aliança com a China... mas pode ter relações econômicas com a China”, afirmou, ao reforçar que a geopolítica, mais do que a economia, define o teto das escolhas nacionais. Na lógica do realismo, a autonomia existe — mas é sempre condicionada pela estrutura de poder. E, no novo cenário descrito por Mearsheimer, com competição cada vez mais intensa entre polos, o espaço para “equilíbrios diplomáticos” tende a se estreitar, exigindo pragmatismo e cautela para evitar que disputas globais se tornem armadilhas para países como o Brasil.

“o mundo de leis e tratados acabou no dia em que Trump sequestrou Maduro”

Fernando Horta: “o mundo de leis e tratados acabou no dia em que Trump sequestrou Maduro” Para o historiador, o Brasil é ainda mais vulnerável que a Venezuela ao controle digital dos EUA. 07 de janeiro de 2026, 18:42 h 98 Partilhas whatsapp-white sharing button 10twitter-white sharing button 12facebook-white sharing button 73email-white sharing buttoncopy-white sharing button Bluesky LogoBluesky Bluesky LogoThreads 🇬🇧 English Translate to English Ouvir artigoÍcone de conversão de texto em fala Donald Trump, invasão do Capitólio em 2021 e Nicolás Maduro detido Donald Trump, invasão do Capitólio em 2021 e Nicolás Maduro detido (Foto: Reuters/Andrew Kelly | Reuters/Leah Millis | Reuters/Eduardo Munoz) Dayane Santos avatar Conteúdo postado por: Dayane Santos Apoie o 247 Siga-nos no Google News 247 - O sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos expôs, segundo o historiador Fernando Horta, uma nova realidade geopolítica que coloca o Brasil diretamente em risco. Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, Horta afirmou que a ação do governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, rompeu com dois séculos de construção diplomática. TV 247 Vote no Brasil 247 como melhor canal de notícias e jornalismo e melhor canal de política do Brasil no iBest 2025 Vote agora “Donald Trump jogou todo esse mundo no lixo no dia 4”, declarou. Horta explicou que o que foi rompido não é apenas o arcabouço jurídico do pós-guerra, mas toda a lógica que organiza as relações entre países desde o século XVIII. Play Video “Não é só violação ao direito internacional. É violação a todos os preceitos da diplomacia que a gente conhece desde o século XVIII e XIX”, disse. Segundo ele, a ideia de que existiam regras comuns para evitar guerras e agressões foi descartada pelos Estados Unidos. “A partir do século XVIII, a gente foi convencido de que existiam leis, tratados, tribunais e padrões de conduta que garantiam a segurança de todo mundo. Enquanto isso, os Estados Unidos foram produzindo porta-aviões, caças e domínio sobre satélites”, afirmou. E completou: “Agora eles botaram isso na mesa. Quem acreditou nisso tudo era otário”. Segundo ele, do ponto de vista tecnológico, o Brasil está ainda mais vulnerável do que a Venezuela à vigilância e à intervenção norte-americana. “Se puderam fazer essa operação no Maduro do jeito que fizeram, eu pediria para avisar o Alexandre de Moraes, o Lula e o pessoal que, a partir de agora, ninguém mais está seguro”, declarou. O comentário foi feito após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, atual presidente do país, recuar da acusação de que Maduro chefiava o chamado Cartel de los Soles, abandonando a tese de uma organização criminosa estruturada e passando a tratá-lo apenas como alguém que “atua dentro dessas estruturas”. Para Horta, a mudança confirma que a prisão não teve base jurídica real. “Aquela narrativa do narcoterrorismo era para convencer o mundo de que as ações eram legítimas. Agora eles não precisam convencer mais nada e ninguém”, disse. Segundo o historiador, a operação contra Maduro só foi possível porque os Estados Unidos controlam os fluxos de informação globais. “Eles desabilitaram todas as comunicações essenciais via mundo digital dentro da Venezuela”, afirmou. Horta explicou que a localização do presidente venezuelano foi feita por meio da análise de dados de equipamentos conectados. “Hoje em dia, ar-condicionado é smart, geladeira é smart, aspirador de pó é smart. Todos esses equipamentos produzem uma quantidade brutal de informações”. Ele lembrou que regimes autoritários já usavam métodos rudimentares de vigilância. “Em 64, o regime militar brasileiro monitorava padarias para ver onde aumentava a venda de pão. Os Estados Unidos fazem a mesma coisa hoje com fluxo de energia e de dados”, destacou. Brasil ainda mais exposto Horta fez um alerta sobre a posição brasileira. “A Venezuela tinha um índice de inserção nas redes internacionais menor do que tem o Brasil. O Brasil é muito mais vulnerável a isso do que a Venezuela”, disse. E completou: “Não há tanque, não há avião, não há míssil, não há nada que não possa ser desligado digitalmente”. Eleições de 2026 sob risco Para Horta, a ofensiva contra a Venezuela inaugura uma nova fase de interferência internacional. “As eleições de dois mil e vinte e seis começam a partir de agora a ter necessariamente um componente internacional”, afirmou. E concluiu: “Eles mostraram que conseguem localizar qualquer liderança. Se quiserem, sabem onde está o Lula”.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

“Impeachment de Xandão hoje pode ser o de Lula amanhã”,

“Impeachment de Xandão hoje pode ser o de Lula amanhã”, diz Helena Chagas Jornalista alerta para risco institucional e vê ofensiva midiática como tentativa de reabilitar a extrema direita golpista 25 de dezembro de 2025, 14:42 h 6 Partilhas whatsapp-white sharing button 3twitter-white sharing button 3facebook-white sharing buttonemail-white sharing buttoncopy-white sharing button Bluesky LogoBluesky Bluesky LogoThreads 🇬🇧 English Translate to English Ouvir artigoÍcone de conversão de texto em fala Helena Chagas Helena Chagas (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247) Otávio Rosso avatar Conteúdo postado por: Otávio Rosso Apoie o 247 Siga-nos no Google News 247 - A jornalista Helena Chagas fez um alerta sobre a escalada de ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, classificando o movimento como perigoso para a democracia e com potencial de produzir efeitos em cadeia sobre outras lideranças políticas. Para ela, o cerco ao magistrado não pode ser analisado de forma isolada, pois carrega implicações institucionais mais amplas. TV 247 Vote no Brasil 247 como melhor canal de notícias e jornalismo e melhor canal de política do Brasil no iBest 2025 Vote agora Em publicação recente, Helena Chagas chamou atenção para o pano de fundo político da ofensiva contra Moraes, em meio a uma nova onda de reportagens sobre sua atuação. A jornalista escreveu: “Gente, independentemente de outras circunstâncias, é preciso prestar atenção ao que há por trás desse cerco ao Xandão. Tenta-se criar um clima lavajatista, lá atrás conhecido como udenista, que acabaria salvando a cara da extrema direita golpista. Muito cuidado para não soltar a fera de novo! Impeachment de Xandão hoje pode ser o de Lula amanhã!” Play Video O comentário da jornalista surge no contexto de uma campanha midiática que se iniciou após a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, afirmar que Moraes teria telefonado para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante a análise da operação de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Esses contatos fariam parte de uma sequência de conversas envolvendo o negócio, inclusive uma reunião presencial, em um momento em que a operação buscaria evitar o colapso do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro. O banco foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro, sob suspeita de fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

PT busca ampliar presença no território com núcleos de base

PT busca ampliar presença no território com núcleos de base e concentra esforços para vitória no Congresso Documento apresenta ideias do partido de colocar protagonismo no Estado e propõe reformas estruturais 16.dez.2025 - 05:00 Brasília (DF) Lorenzo Santiago
PT fez 45 anos no começo de 2025 e vai organizar 8º Congresso Nacional em abril do ano que vem Reestruturar um partido do tamanho do PT não é fácil. A sigla tem hoje 2,9 milhões de filiados e uma estrutura consolidada, mas que, para a direção nacional, precisa de oxigenação e um novo impulso. Parte fundamental dessa reformulação foi apresentada em um documento interno no dia 7 de dezembro e será discutida no 8º Congresso Nacional que será realizado em abril. O foco é claro: ampliar cada vez mais a capilaridade do partido. Hoje, o PT tem 4.865 dirigentes de diretórios municipais e estaduais, mas a meta é conseguir ter uma participação ainda maior, especialmente nos bairros e municípios. A ideia do Congresso é construir uma tática política para que o partido esteja no território. Para isso, é preciso aumentar os núcleos de base, estruturas de pelo menos nove filiados organizados pela geografia, trabalho, movimento social ou estudantil, ou área de interesse. Essa presença no território foi fundamental para as vitórias eleitorais em países vizinhos. No Uruguai, a Frente Ampla formou os chamados comitês de base, que garantiram não só a eleição presidencial, como a maioria nas duas casas do Legislativo, algo que hoje está no centro da estratégia do PT para 2026. O instrumento é uma forma que os partidos de esquerda do Uruguai construíram para manter um contato permanente com todos os bairros do país, recebendo demandas e conhecendo o território com profundidade. Outro exemplo importante da região é o México. O Movimento Regeneração Nacional (Morena) construiu a partir de 2015 um comitê em cada seção eleitoral. Isso instrumentalizou os militantes, aproximou a legenda dos eleitores e conseguiu conquistar duas vitórias presidenciais seguidas, além de formar maioria no Parlamento. Em 2018, o grupo se orgulhava de ter avançado para 100% do território nacional. Esse é o tipo de movimento que o PT busca fazer no próximo ciclo eleitoral. O presidente da sigla, Edinho Silva, afirma que a meta principal é o público a ser “disputado”, que é o jovem da periferia. De acordo com ele, esse grupo forma um novo setor social que deve ser foco das políticas públicas. “A juventude da periferia hoje configura a nova classe trabalhadora brasileira. Que trabalha em aplicativos de transporte e entrega principalmente. Nós temos que apresentar soluções. O PT precisa ter a presença no território para conversar com essa nova classe trabalhadora e dar resposta para os anseios de um grupo que vai se formando e que vai incidir cada vez mais na política”, afirmou ao Brasil de Fato. Antes de alcançar uma reestruturação enquanto partido, o PT ainda tem um caminho a percorrer com eleições se aproximando. Para 2026, a meta é lançar candidaturas “onde for possível”. Ter mais governadores e prefeitos é parte importante dessa busca pela maior representatividade no território e influenciar no crescimento da estrutura partidária. A direção do partido entende que essa é uma das debilidades que ainda precisam ser superadas pelo PT nos próximos anos. Há também uma disputa ideológica interna entre correntes diferentes da sigla. A resolução apresentada pela sigla contempla essa disputa e levanta a necessidade de abarcar os movimentos populares no Brasil com o governo para garantir a vitória eleitoral. “Temos plena consciência dos desafios colocados: estimular as lutas sociais por direitos, fortalecer nosso enraizamento territorial, ampliar nossas bancadas, consolidar a unidade da esquerda e do campo democrático e assegurar a vitória de Lula em 2026”, diz o texto. Amigos de primeira hora Uma crítica feita pela militância ao governo são as alianças firmadas com os partidos de direita, especialmente do centrão. Edinho Silva reconhece que essa é uma necessidade que poderia ser superada em outro contexto, mas que, hoje, o partido vai trabalhar as alianças não só a nível nacional, mas também nos estados e municípios. Uma das principais necessidades do PT é tentar aumentar a presença no Congresso. Hoje o partido tem dificuldade em aprovar projetos e precisa costurar alianças com siglas da direita para tentar avançar pautas, especialmente na Câmara. Algumas das negociações precisam ser costuradas até mesmo com partidos que fizeram parte do governo anterior. “Queremos ganhar 315 deputados”, diz Edinho em tom irônico. Mesmo sem ter uma estimativa, um dos grandes objetivos é ter mais do que os 80 deputados que tem hoje e que obriga o partido a fazer as alianças com o Centrão. Mesmo assim, Edinho Silva afirma que a sigla não se arrepende de ter apoiado a candidatura de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara. Ele entende que há um desarranjo institucional que começou na gestão de Rodrigo Maia na liderança da Casa Baixa. Esse “desequilíbrio” teve como principal sintoma o ganho de protagonismo do Congresso na governabilidade, inclusive na execução do orçamento a partir das emendas parlamentares. Isso força o PT costurar ainda mais alianças do que gostaria. Para o presidente do partido, essas alianças serão costuradas em cada estado de maneira diferente porque os partidos têm suas características específicas em cada lugar. Ainda assim, o PT não vai ter negociações eleitorais com a extrema direita. “Vamos costurar alianças com o campo democrático brasileiro. Um governo de coalizão pode ou não integrar os projetos dos partidos. Temos que buscar os pontos de unidade para construir projetos no Congresso. Nós respeitamos as lideranças regionais, os partidos não são homogêneos em todo o Brasil e as alianças serão construídas em cada estado respeitando as particularidades e quem são os aliados de cada lugar”, afirmou. Cálculo para a presidência Na disputa presidencial, a aposta é reforçar as entregas que foram feitas por Lula. Melhoras nos indicadores econômicos, retomada de programas e investimentos públicos serão usados nas propagandas do governo. “Foram projetos importantes e um governo com entregas que apresentam condições favoráveis para essas eleições”, disse Edinho. O principal adversário ainda é incerto. O campo bolsonarista lançou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho mais velho do ex-presidente. Ele, no entanto, disse que sua candidatura tem um “preço” e sugeriu que o Projeto de Lei que reduz as penas dos golpistas de 8 de janeiro seria a moeda de troca. “Não me preocupo com adversários da extrema direita. Nunca vi anunciar candidatura e, no dia seguinte, abrir para negociação. Não dá para levar a sério. O sentimento antissistema foi capitalizado pelo bolsonarismo, mas esse grupo não é uma síntese desse sentimento. Essa concepção estará em disputa em 2026. Enfraquecemos o bolsonarismo em 2022 e queremos enfraquecer em 2026”, afirmou” O PT entende que a principal pauta será a segurança pública. Pesquisas indicam que esse tema é hoje o segundo que mais preocupa o eleitor brasileiro, atrás somente da saúde. A estratégia será mostrar que o partido está empenhado em discutir essa questão e apresentar soluções, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o PL Antifacção. Mas a resolução do partido apresenta dois pilares para a disputa de 2026. O primeiro é trazer o Estado como indutor do bem-estar, da garantia de direitos e do desenvolvimento econômico, aprofundando e atualizando políticas como a Nova Indústria Brasil, o PAC, a transição ambiental e energética. Dentro do que o PT chama de “reformas estruturais”, o partido também entende ser necessário defender uma “reforma tributária progressiva”. O outro eixo é a reforma política. O PT avalia que essa relação não só com o Congresso, mas também com a sociedade exige mudanças na estrutura dos partidos. Segundo a sigla, a reforma é um instrumento “indispensável para aprofundar a democracia no Brasil”. O texto sugere mudanças no financiamento público de campanhas e o voto em lista com paridade e cotas etnorraciais. “É por meio de partidos fortes, democráticos e programáticos que o sistema político pode se tornar mais representativo, mais estável e menos vulnerável ao fisiologismo e à captura oligárquica do Estado. Uma reforma política profunda é condição essencial para inaugurar um novo ciclo democrático e garantir governabilidade para qualquer projeto popular transformador”, afirma o documento. As propostas para um novo mandato devem envolver renda, custo da cesta básica, moradia, emprego, primeira infância, formação técnica, ensino integral, tarifa zero, fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho, saneamento, cultura, paz, mobilidade e bem-estar das famílias. Novas lideranças Outro desafio é pensar no futuro. Mesmo que eleito, a próxima gestão deverá ser a última de Lula, já que, em 2030, ele já não poderá mais ser candidato. Com isso, o partido deve lidar com uma transição geracional. Isso, no entanto, não assusta Edinho. Ele afirma que o PT tem lideranças regionais que não foram expostas no cenário nacional e que podem acumular eleitoralmente. Camilo Santana no Ceará, Jaques Wagner na Bahia, e Rafael Fonteles no Piauí são alguns dos nomes mencionados.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Exclusão de Moraes das sanções estadunidenses é grande vitória da soberania do Brasil

Exclusão de Moraes das sanções estadunidenses é grande vitória da soberania do Brasil Graças à atitude de resistência de Lula à frente do governo brasileiro, o país atravessa com sucesso essa prova de fogo 14 de dezembro de 2025, 05:45 h 46 Partilhas whatsapp-white sharing button 2twitter-white sharing button 5facebook-white sharing button 37email-white sharing buttoncopy-white sharing button O anúncio pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da suspensão das sanções baseadas na Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes representa uma vitória histórica da atitude soberana adotada pelo presidente Lula diante daquela que foi a mais séria agressão direta e aberta sofrida pelo país em sua história moderna. Graças à atitude de resistência de Lula à frente do governo brasileiro, o país atravessa com sucesso essa prova de fogo, o que ficará como exemplo para esta e outras gerações. É o que acontece quando à frente do Executivo está um estadista consciente de sua missão primordial: a defesa dos interesses do país e de seu povo. Lula soube repudiar as sanções no momento certo, negociar quando os espaços se abriram e fazer valer o peso do Brasil e de sua presença, sem se impressionar com arreganhos da potência. Foi também uma grande vitória da Justiça brasileira, atacada diretamente na pessoa de Moraes, de sua esposa e de sua empresa. As sanções impostas contra eles, agora extintas, proibiam não apenas a entrada de ambos nos Estados Unidos como também impediam que tivessem contas em bancos ou usassem cartões de crédito de bandeiras com sede nos Estados Unidos. Tais restrições, que passaram a vigorar em 10 de julho passado, buscavam pressionar Moraes, relator do processo da tentativa de golpe de 2022 e 2023, a não levar adiante seu trabalho de apurar os crimes de Jair Bolsonaro e dos demais réus. Açulado pelo clã de traidores da pátria dos Bolsonaros, o assédio inaceitável de Donald Trump não prosperou em sua intenção de intimidar o Judiciário. Ao contrário, o episódio serviu para mostrar que este Supremo — ou ao menos sua maioria — não se dobra a nenhuma tentativa de coação, por mais ameaçadora que seja. O julgamento do golpe prosseguiu inabalável no Supremo mesmo sob a vigência das sanções, com o desfecho que todos conhecem. O Judiciário brasileiro tornou-se exemplo para o mundo. Assim as instituições devem agir quando a democracia é ameaçada. Não houve nenhum recuo, o que é motivo de orgulho e valorização da pátria. Daí também o clima de alegria geral que dominou na sexta-feira, dia do anúncio da suspensão das sanções, a cerimônia de inauguração do canal SBT News. Em meio a outras personalidades, destacou-se o regozijo do presidente Lula pela vitória que representou o fim das sanções contra Moraes e o discurso deste, que sublinhou a firmeza do Supremo e agradeceu o empenho de Lula. Com o Supremo, teve grande vitória também seu esteio, a Constituição democrática de 1988, cuja vigência o imperialismo estadunidense visava anular com base na ameaça e na força. Agora, é imperioso ter claro que a vitória está longe de ser definitiva. Pairam sérias sanções contra outros membros do Supremo, ministros de Estado e funcionários do governo. Há ainda tarifas a serem negociadas. O pior dos perigos, porém, aparece na chamada dosimetria aprovada na Câmara e agora em exame no Senado. Consiste numa forma insidiosa de sabotar a Constituição e as leis que embasaram as condenações dos golpistas. O monstrengo legiferante pretende vandalizar as decisões da mais alta Corte, decisões tomadas com a observância do mais amplo direito de defesa aos envolvidos. Não se pode subestimar a desfaçatez da iniciativa. Zelar pela Justiça e pela democracia não pode ser tarefa exclusiva do Supremo ou do Executivo. A manutenção das condenações está no alvo de manifestações que acontecem hoje em diversas cidades contra qualquer forma de anistia. Para romper de vez a tradição de golpes que marca a história do país, cumpre punir com o rigor da Constituição os autores da intentona que culminou em 8 de janeiro de 2023. Redação Brasil 247 avatar Conteúdo postado por: Redação Brasil 247

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Lula prometeu e cumpriu: pobre no orçamento e rico no Imposto de Renda

Leonardo Attuch Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247. Lula prometeu e cumpriu: pobre no orçamento e rico no Imposto de Renda O que parecia impossível se torna realidade nesta quarta-feira 26 26 de novembro de 2025, 04:21 h Na primeira metade do terceiro mandato do presidente Lula, o Brasil voltou a colocar os mais pobres no centro das políticas públicas. E não foi apenas retórica – os números apresentados pelo Ipea nesta terça-feira (25) apontam que o Brasil alcançou, em 2024, os melhores indicadores de renda, desigualdade e pobreza desde o início da série histórica, em 1995. Segundo o estudo conduzido pelos pesquisadores Pedro Herculano Souza e Marcos Dantas Hecksher, a renda domiciliar per capita cresceu cerca de 70% em três décadas, a desigualdade caiu quase 18% e a extrema pobreza despencou de 25% para menos de 5% da população. TV 247 Siga o Brasil 247 no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo Seguir no Google Os dados mostram que o avanço recente tem origem clara: a combinação entre fortalecimento dos programas sociais – marca dos três governos Lula e dos dois governos Dilma – e um mercado de trabalho aquecido, com mais empregos e salários mais altos. Entre 2021 e 2024, a renda média real cresceu mais de 25%, com redução simultânea da pobreza e da desigualdade. Não é pouca coisa num país que enfrentou recessão, crise política, pandemia e um ciclo prolongado de austeridade – sobretudo após o golpe de estado de 2016, contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. Se Lula prometeu colocar o pobre no orçamento, a primeira parte dessa promessa está cumprida. Agora começa a segunda: colocar o rico no Imposto de Renda. Nesta quarta-feira (26), às 10h30, o presidente sanciona a lei que promove a mais significativa mudança no Imposto de Renda Pessoa Física em décadas. A faixa de isenção sobe para R$ 5 mil mensais, atendendo a uma demanda reprimida da classe média. Quem ganha até R$ 7.350 também terá direito a descontos simplificados. Cerca de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar Imposto de Renda imediatamente. É um alívio concreto para quem foi esmagado pela defasagem acumulada da tabela. Ao mesmo tempo, o compromisso de justiça fiscal se materializa com a taxação adicional sobre rendimentos acima de R$ 600 mil anuais em dividendos. É o início da aplicação do conceito de progressividade tributária: quem ganha mais, também paga. O movimento do governo brasileiro acompanha uma tendência internacional. Países desenvolvidos voltaram a discutir e implementar taxações mais robustas sobre altos patrimônios e grandes rendas. Não há Estado forte sem financiamento adequado, e não há financiamento justo quando o peso recai sobre os trabalhadores, enquanto os rendimentos financeiros ficam praticamente intocados. Ao tentar restabelecer um equilíbrio mínimo da tributação, Lula resgata o espírito que marcou seus governos anteriores: elevar o padrão de vida das maiorias, reduzir desigualdades e fazer com que os mais favorecidos contribuam proporcionalmente para o financiamento das políticas públicas. A nova lei é, portanto, mais do que uma mudança técnica. Trata-se de um gesto político que sintetiza um projeto de país – um país em que crescimento econômico e combate à desigualdade caminham juntos. O estudo do Ipea reforça que a redução atual da pobreza e da desigualdade não é acidental. Ela decorre de duas forças equivalentes: um mercado de trabalho aquecido, gerando mais empregos e melhores salários, e o fortalecimento dos programas sociais, como o Bolsa Família. De acordo com o estudo do Ipea, ainda há 4,8% da população em extrema pobreza e 26,8% abaixo da linha de pobreza. O mérito do governo está justamente em apontar o caminho para reduzir ainda mais esses números com medidas estruturais – e não com atalhos improvisados. No dia de hoje, começa a ser cumprida a promessa fiscal do governo Lula 3: tornar o sistema tributário mais justo, aliviar a classe média e fazer com que os muito ricos também contribuam. O que antes parecia impossível tornou-se realidade neste 26 de novembro. Quanto à grande notícia de ontem, sobre o início do cumprimento da pena do inominável e dos militares golpistas, que seja página virada na história do Brasil, que finalmente começa a construir um novo tempo. * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

A PRISÃO DE AUGUSTO HELENO HOJE NÃO É APENAS UM ACONTECIMENTO JURÍDICO

Beta Bastos A prisão de Augusto Heleno hoje não é apenas um acontecimento jurídico. É um marco histórico que expõe o esgotamento de uma mentalidade militar que atravessou décadas intacta, acreditando que nunca seria chamada a responder pelos próprios atos. A queda do general revela mais sobre as estruturas que o formaram do que sobre sua biografia individual. Heleno sempre representou o produto de uma formação castrense que se vê acima da sociedade civil, guardiã de uma nação imaginária, disciplinada à força e constantemente ameaçada por inimigos internos. Sua trajetória, porém, não é feita apenas de discursos; é marcada por interferências políticas indevidas, desprezo por mecanismos democráticos e participação ativa na erosão institucional do país. Ainda como comandante no Haiti, Heleno ganhou fama por sua postura agressiva e por declarações que beiravam o rompimento com protocolos diplomáticos. De volta ao Brasil, tornou-se um dos generais mais vocalmente hostis ao processo democrático, atacou o Congresso, desqualificou a Constituição, defendeu “intervenção militar” e ajudou a alimentar a fantasia do militar como árbitro da República. Foi um dos primeiros oficiais de alta patente a flertar publicamente com teses golpistas. No governo Bolsonaro, sua atuação aprofundou esse histórico. Como chefe do GSI, participou do ambiente que legitimou ataques ao STF, pressionou instituições de controle, alimentou teorias conspiratórias e blindou estruturas que operavam paralelamente do gabinete do ódio ao assédio sistemático contra jornalistas. Heleno ajudou a transformar o Estado em trincheira ideológica, algo incompatível com qualquer democracia madura. Quando o país mergulhou em polarização e ressentimento, Heleno não precisou mudar, o bolsonarismo apenas amplificou o que ele já carregava. No governo, assumiu a postura simbólica do general-tutor, legitimando ataques às instituições, alimentando a retórica de conflito permanente e naturalizando a presença militar no centro do poder civil. A prisão de hoje expõe o limite dessa fantasia tutelar. Mostra que a democracia, mesmo ferida, ainda é capaz de impor responsabilidade, inclusive aos que sempre se imaginaram intocáveis. Não se trata apenas de um general atrás das grades, mas do colapso de uma mentalidade que se acreditava acima das regras e da História. Heleno simboliza a persistência de uma transição democrática incompleta. Por décadas, parte da alta oficialidade envelheceu sem aceitar que o poder pertence ao povo, não aos quartéis. Hoje, sua prisão sinaliza uma ruptura, a de que nem a nostalgia autoritária, nem o mito do “poder moderador”, nem a retórica da salvação militar são suficientes para blindar quem tentou corroer a ordem democrática. Seu legado é estrutural, e sua queda também. O Brasil está vendo, finalmente, que a democracia só se consolida quando aqueles que a ameaçam deixam de ocupar o lugar de intocáveis.A PRISÃO

terça-feira, 25 de novembro de 2025

POR QUE EDUARDO, CARLA ZAMBELLI E RAMAGEM FUGIRAM E BOLSONARO TAMBÉM IRIA FUGIR

Por que Eduardo, Carla Zambelli e Ramagem fugiram e Bolsonaro também iria fugir “Todos eles têm certeza de que o cenário político será revertido e o fascismo retornará ao poder”, escreve Moisés Mendes 25 de novembro de 2025, 12:10 h 360 Partilhas whatsapp-white sharing button 14twitter-white sharing button 12facebook-white sharing button 332email-white sharing buttoncopy-white sharing button Bluesky LogoBluesky Bluesky LogoThreads 🇬🇧 English Translate to English Ouvir artigoÍcone de conversão de texto em fala Ex-presidente Jair Bolsonaro ao lado do deputado federal Alexandre Ramagem 06/10/2024 Ex-presidente Jair Bolsonaro ao lado do deputado federal Alexandre Ramagem 06/10/2024 (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes) Apoie o 247 Siga-nos no Google News Além dos que já estão fora do Brasil, todos os bolsonaristas que planejam fugas são contagiados pelo mesmo otimismo: é preciso fugir agora, porque o cenário será outro em pouco tempo e eles voltarão. TV 247 Siga o Brasil 247 no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo Seguir no Google Pensam assim os manés condenados pelo 8 de janeiro, que fugiram para a Argentina, e pensam do mesmo jeito Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli, Allan dos Santos e Alexandre Ramagem. Ramagem resumiu, depois de admitir que mora em Miami, em um condomínio de luxo, como foragido da Justiça, o que planeja para daqui a pouco. Ele e a família irão voltar. Imaginam que o sistema de que tanto falam – o político, o Judiciário e todos os sistemas institucionais – será enfim submetido a um controle que o bolsonarismo tentou, mas não exerceu a pleno no mandato criminoso encerrado em 2022. Bolsonaro estava tentando fugir porque tinha a certeza de que um dia voltaria para controlar o sistema. Foragidos e exilados são otimistas. Sempre foi assim, desde a fuga de João VI para o Brasil. É assim em todos os tempos, à esquerda e à direita. Foi assim quando Jango e Brizola fugiram do golpe. Foragidos e exilados com histórico de ativismo político, cada um com seus problemas, não pensam como o homem comum que foge da polícia e da Justiça. Este sabe que pode ser caçado para sempre. O político acredita na reversão de humores, cenários e expectativas. A fuga é algo muito transitório e o asilo é uma situação reversível. É o que todos eles pensam, sendo democratas fugindo de ditaduras, como aconteceu após o golpe de 64, ou fascistas fugindo da Justiça, como acontece agora com figuras do bolsonarismo. Eles têm o que o fugitivo comum não tem. Têm voto, base popular. O bolsonarismo tem também a certeza de que toda essa base, da estrutura social da extrema direita, do lastro político que importa, está intacta. Não a estrutura militar golpista, hoje esfacelada, mas a civil, a das bases que se interligam por todos os meios e se articulam via centrão para ampliar presença no Congresso na eleição do ano que vem. Eles não fogem por projetarem uma vida no exterior por um tempo médio ou longo. Fogem para escapar da ameaça imediata da cadeia e para recarregar energias e estratégias. Mas sempre certos de que voltarão, porque o fascismo, mesmo abalado, ainda lateja, sustentado pelas lideranças e por quadros intermediários estaduais e municipais com poder paroquial, e pelos eleitores da velha direita que virou hospedeira do bolsonarismo. Bolsonaro pode ser dado como morto, e Michelle e os filhos dele poderão até sofrer rejeição do centrão como alternativas para 2026, mas a índole da direita brasileira é agora bolsonarista. É nisso que os foragidos apostam: que a reacomodação acontecerá já na eleição de 2026, com mais deputados e senadores. Será uma campanha sob comando não do bolsonarismo puro, mas muito mais de Ciro Nogueira, Gilberto Kassab e Valdemar Costa Neto. A extrema direita tem certezas. Tentaram o golpe porque haviam sido convencidos de que daria certo. Fracassaram e convenceram-se da impunidade. Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos antes do 8 de janeiro para voltar vitorioso. Voltou derrotado, mas circulou livre e solto até ser julgado e condenado, ficar retido em casa e, na ação mais desastrada, tentar manejar um ferro quente de solda. Os Bolsonaros, Ramagem, Zambelli e os que planejam fugas apostam que fugirão e que voltarão, porque sempre haverá um centrão e porque os financiadores do golpe continuam impunes e articulados no vasto interiorzão, como os empresários que mandaram bloquear estradas e derrubar torres de alta tensão. E sempre haverá militares fascistas de prontidão à espera da reversão. Por isso, Eduardo ainda não desistiu do projeto de sabotar o Brasil, Lula e Alexandre de Moraes, apesar da indiferença de Trump. Também há otimismo no desespero. A nova investida pela anistia e a retomada das ameaças ao Supremo são decisivas nessa aposta. Há muito fascismo impune e em brasa sob o cadáver em cinzas de Bolsonaro. * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

KAKAY: BOLSONARO: O ESCOLHIDO DE UMA ELITE PODRE

KAKAY: Bolsonaro: o escolhido de uma elite podre Como uma figura tão deplorável chegou a Presidência da República? É assustador 24/11/2025 | 15h31 Compartilhe KAKAY: Bolsonaro: o escolhido de uma elite podre Por Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay “O homem é livre para suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.” Pablo Neruda É muito chocante a gravação da diretora da Polícia Federal com o ex-presidente Bolsonaro sobre o rompimento da tornozeleira eletrônica. Este cidadão é bizarro. Um deboche à dignidade. O que temos que indagar é como chegamos a este fundo do poço. Quem são estas figuras escatológicas que apareceram de um esgoto tóxico para assumirem poder no mundo. Bolsonaro é desprezível. Machista. Misógino. Racista. Inculto. Violento. Um absoluto zero em qualquer situação. Como uma figura tão deplorável chegou a Presidência da República? É assustador. Por mais que ele represente todos os interesses inconfessáveis de todos os esquemas, deveria ter algum outro mais palatável. A milícia, os corruptos, os assassinos de aluguel, os grileiros, os usurpadores da política, os donos do crime organizado, a Faria Lima, enfim, vocês não tinham alguém com um pouco mais de inteligência, verniz, senso do ridículo? Ou a ideia era esta? Demonstrar poder colocando na Presidência da República uma pessoa completamente inepta. Para ser gentil na qualificação. Mais do que um idiota. Uma vergonha. Todos os episódios da vida política de Bolsonaro devem ser rigorosamente analisados. Ele nunca se escondeu. Foi um idiota assumido. Um fascista orgulhoso da tortura, da violência, do asco às mulheres, aos negros, aos pobres. Como este foi o nome escolhido pela elite brasileira para representá-la? Que doença é esta? O dono de um banco, de uma empresa com participação no mercado mundial, um proprietário de terras com dimensões inacreditáveis, enfim, os pretensos donos do Brasil, apostaram nesta deplorável figura? Quem são estes donos do Brasil? Agora a defesa alega que ele tentou romper a tornozeleira por ter tido um surto. Respeito todas linhas de defesa e, reconheço, não li a peça. Mas uma coisa é certa: nesta linha, não existe mais a hipótese de prisão domiciliar. Ou será a Papuda, como é a regra, ou um hospital psiquiátrico dentro da Papuda. Simples assim. Ainda bem que existe um Brasil que pulsa, que resiste a esta opressão humilhante. Um Brasil honesto. Trabalhador. Negro. Pobre. Digno. Que acredita ser possível um mundo mais justo, igual e humano. Este é o Brasil que elege o Lula. Um tapa na cara desta elite podre. Um sopro de esperança. Uma hipótese de resistência. Por mais que possamos criticar o governo do presidente Lula, o seu exemplo de dignidade na adversidade, o seu caráter, a sua postura quando foi perseguido pela Lava Jato, sua opção para acabar com a fome no Brasil, enfim, sua história de vida faz o contraponto entre a dignidade e a barbárie. Tudo me remete ao grande Pessoa no “Livro do Desassossego”: “Tenho a náusea física da humanidade vulgar E capricho às vezes em aprofundar estas náuseas como se pode provocar um vômito para aliviar a vontade de vomitar.” *Advogado

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Desembargador de SC manda carta à moradora do Complexo da Penha: ‘Estou andando ao seu lado’

Amanda Miranda Formada pela UFSC, com mestrado em educação científica e doutorado em Jornalismo na mesma instituição. Tem pós doutorado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Servidora pública federal e ativista pelo direito à informação, tem se dedicado a monitorar mandatos extremistas bolsonaristas. Colunistas ICL Desembargador de SC manda carta à moradora do Complexo da Penha: ‘Estou andando ao seu lado’ Magistrado tomou posse em março e viralizou com discurso sobre ameaças do fascismo 04/11/2025 | 06h58 Compartilhe Desembargador de SC manda carta à moradora do Complexo da Penha: ‘Estou andando ao seu lado’ O desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), João Marcos Buch, conhecido durante seu período na Vara de Execuções Penais de Joinville por enviar cartas a detentos e seus parentes, redigiu um longo texto para uma mulher desconhecida no Rio de Janeiro. “Dona Nice” está a quilômetros de distância, mas enfrenta uma realidade que, na magistratura, ele tenta combater. A senhora, abordada por uma emissora de televisão enquanto retornava para casa após a Operação que vitimou 121 pessoas no Rio de Janeiro, fez com que o magistrado se sentisse profundamente comovido. Ao longo da carta, ele cita ação conhecida como “ADPF das favelas”, que ele considera não ter sido “muito bem respeitada” pelas forças de segurança. Buch explica, no texto, pontos que fazem parte da lei e que podem ter sido violados. Entre eles estão o uso proporcional da força, câmeras nas viaturas, elaboração de um plano de reocupação de territórios invadidos por organizações criminosas e a entrada da Polícia Federal nas investigações contra milícias e tráfico de drogas interestadual e internacional. O magistrado, cujo discurso de posse como desembargador viralizou nas redes sociais no início do ano ao mencionar o termo “fascismo”, também escolhe o termo “chacina” para falar sobre a operação e suas consequências “extremamente letais sobre as comunidades marginalizadas”. No texto, ele também questiona a “fórmula do confronto”, que considera “fadada ao fracasso”. “Por que é tão difícil que governos e autoridades entendam que somente políticas públicas inclusivas, articuladas à segurança pública, podem trazer benefícios reais para toda a sociedade?”. Leia a íntegra da carta, repassada à colunista: Uma carta para dona Nice Querida dona Nice, escrevo-lhe com afeto e respeito. Meu nome é João Marcos, moro em Santa Catarina e trabalho com a Justiça. Sou desembargador, nome dado a juízes que atuam em recursos nos tribunais. Na última terça-feira, vi sua entrevista no jornal da TV. A senhora voltava para casa, com sacolas de supermercado nas mãos, e foi parada por uma repórter que queria saber sobre a chacina ocorrida mais cedo nos complexos da Penha e do Alemão, onde mais tarde se viria a constatar que 121 pessoas (pode ser além) haviam sido mortas, na mais sangrenta intervenção da segurança pública já ocorrida no Rio de Janeiro e no Brasil dos tempos atuais. Sua entrevista me marcou profundamente. Moradora desde sempre da Penha, a senhora disse que já não tinha mais esperança, que, nessa altura da vida, tendo visto tanta tragédia, tantas operações policiais, tantas pessoas próximas assassinadas, não acreditava mais que um dia a vida melhoraria — tudo era tristeza. Em seguida, a senhora se despediu da repórter e retomou seu caminho para casa, cambaleante, cansada, segurando as sacolas. Hoje já é domingo; faz cinco dias que eu penso na senhora, faz cinco dias que estou andando ao seu lado, faz cinco dias que tento carregar as suas sacolas até sua casa. Por isso, querida Dona Nice, com o coração inquieto, mesmo sem saber nada da sua vida, senão o fato de que a senhora perdeu a esperança, resolvi lhe escrever. Eu sei que esta carta nunca chegará a seu destino, pois nunca a postarei. Impotente que sou para modificar um átomo de sua vida e para lhe oferecer uma centelha de esperança, escrevo-lhe porque não consigo fazer diferente, porque não sei mais se a esperança também me abandonou. Assim como nas favelas de Florianópolis, já estive em favelas do Rio; já me encharquei da beleza e da bondade de pessoas que tão bem me acolheram. E já testemunhei muita dor e injustiça. Entretanto, o fato é que nada mais conheço, além de que a vida de quem mora nessas comunidades periféricas é carente de direitos e de oportunidades. Sabe, Dona Nice, sempre tive o cuidado de não me arvorar em senhor das verdades, e me incomoda muito ver quem acha que sabe de tudo — cegado por redes sociais e algoritmos —, pessoas com quem é impossível argumentar com base em fatos e lógica. É desolador ouvir suas vozes celebrando a chacina, justificando o horror com acusações sem conhecimento de causa sobre crimes antes cometidos. De onde vem esse ódio? De que veneno se alimentam esses seres humanos? Onde está sua bondade, sua compaixão? Fico a pensar o que essas manifestações causam na senhora, que tanto já testemunhou e viveu. Será que a senhora ainda chora, ainda se revolta com a opressão e a violência que sua comunidade sofre? Essa chacina, para mim, que vivo em um apartamento confortável, localizado em um bairro seguro, saneado, arborizado, com espaços de cultura e lazer, provocou espanto, lamento e indignação. Porém, quando a pessoa tem sua dignidade tão ferida e há tanto tempo, ela acaba perdendo a consciência de que aquela situação fere de morte seus direitos. Então, não sei o quanto isso tudo lhe afetou; só sei que a esperança lhe foi roubada. Em meus estudos e em meu trabalho, aprendi algo sobre o fenômeno da violência urbana. Depois de algum tempo procurando entender nossa sociedade, tomei conhecimento de que a fórmula do “confronto” na segurança pública é fadada ao fracasso (a senhora sabe disso bem antes de mim). Essa fórmula ceifa vidas de todos os lados e não supera as dificuldades das comunidades vulnerabilizadas. Por que é tão difícil que governos e autoridades entendam que somente políticas públicas inclusivas — de habitação, saneamento, saúde, educação, empregabilidade, cultura e lazer — articuladas à segurança pública, podem trazer benefícios reais para toda a sociedade? No país, nós temos o Supremo Tribunal Federal (STF). Pois bem, a mais alta corte da Justiça definiu, em uma ação proposta pelo Partido Socialista Brasileiro (ADPF n.º 635, conhecida como ADPF das Favelas), que o governo do Rio deve seguir diversas regras nas operações policiais, como o uso proporcional da força, câmeras nas viaturas, elaboração de um plano de reocupação de territórios invadidos por organizações criminosas, bem como a entrada da Polícia Federal nas investigações contra milícias e tráfico de drogas interestadual e internacional. Olha, Dona Nice, parece que o Supremo não foi muito bem respeitado. Creio, inclusive, que logo logo autoridades terão de prestar contas. Aliás, até a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do seu Alto Comissariado dos Direitos Humanos, declarou que essa operação policial — que eu chamo de chacina — ampliou a tendência de consequências extremamente letais sobre as comunidades marginalizadas e enfatizou que as autoridades têm obrigação perante as leis internacionais de direitos humanos. Mas o que isso importa, não é? A chacina já aconteceu, vidas foram ceifadas, até policiais morreram — e não consigo imaginar a dor das famílias que tiveram seus entes sequestrados de suas vidas para todo o sempre. Ainda sinto que um dia a justiça alcançará a todos os cidadãos, que as instituições funcionarão conforme a Constituição e que a dignidade da pessoa humana será, em definitivo, fundamento da República. Dona Nice, inspirado na leitura de um livro chamado Antes que as Palavras te Abandonem, de um grande amigo, Leonardo Tônus, em que um imigrante, à procura de um amigo refugiado afegão em Berlim, escreve-lhe cartas, eu lhe digo que, se pudesse, eu a abraçaria e afirmaria, com o coração aberto, que não importa mais o resultado da luta, mas a capacidade de entender o seu chamado. Dona Nice, neste Brasil tão sangrento, de séculos de escravidão, racismo, patriarcado e colonialismo, não tenho o direito de lhe pedir que volte a ter esperança. Entretanto, ouso lhe pedir outra coisa: atenda nosso chamado, não desista de mim, não desista de nós, não desista da humanidade. Querida Dona Nice, a senhora é a nossa esperança, volte, João Marcos Buch Desterro, 02/11/25 – finados

domingo, 2 de novembro de 2025

BASTA DE FAZER POLÍTICA COM SANGUE

Basta de fazer política com sangue Em Gaza ou na Penha, a dor de uma só mãe é a dor de todas Jandira Feghali Jandira Feghali 1 nov 2025 - 05h00 Compartilhe Tomaz Silva/Agência BrasilBasta de fazer política com sangue Em junho, escrevi um artigo para a Carta Capital que intitulei “Todas as Mães Pensam em Gaza”. Naquele momento, tentava imaginar a dor das mulheres palestinas, destinadas a ver seus filhos morrerem em meio às bombas e aos tiros israelenses. Nesta quinta-feira, na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, esta dor se materializou, desgraçadamente, na minha frente no choro incontido de dezenas de mulheres cariocas, a quem foi negado, no mínimo, o direito de ver seus filhos presos, e não mortos, meros números da maior chacina deste século no Brasil. Em Gaza ou na Penha, a dor de uma só mãe é a dor de todas. E esta dor me atravessou profundamente ao ouvir os relatos do pesadelo sem fim que estas mulheres estão vivendo desde terça-feira, quando 2,5 mil policiais entraram nos complexos da Penha e do Alemão e mataram ao menos 121 pessoas, sob o pretexto de prender o traficante Doca e de livrar o território do crime. O bandido continua à solta e as comunidades, aprisionadas pelo medo. Mas, para o governador do Rio, Cláudio Castro, a “operação” foi um sucesso, à exceção dos quatro policiais que ele enviou para a morte – um deles tinha apenas 40 dias na corporação. Castro empilhou corpos para montar um palanque eleitoral e tentar mudar a pauta da política, que, claramente, colocava a extrema direita na defensiva nos últimos meses. Frieza ideológica Ao dizer que as únicas quatro vítimas da chacina foram os policiais, o governador infligiu uma dor extra às mães do Alemão e da Penha. Pude ver, ao lado de colegas parlamentares e de duas ministras de Estado, como estas mulheres vêm sendo revitimizadas desde então. Primeiro, as ouvimos na sede da Central Única das Favelas (CUFA); depois, na frente do Instituto Médico Legal (IML). Histórias que nenhuma mãe e nenhum pai gostariam de ouvir. “Nenhuma mãe cria o filho para isto”, repetia uma mulher na unidade do Detran, ao lado do IML, que passou a servir de local de atendimento para os familiares dos mortos, tamanha a quantidade de corpos. Uma outra não conseguia autorização para ver o corpo decapitado do filho. Uma terceira contava como dois irmãos foram encontrados abraçados na mata, mortos com tiros na nuca. E eu, que sou mãe também, fiquei estarrecida com a frieza ideológica da subsecretária de Polícia, Andréa Menezes, responsável pelas perícias no IML, insensível à dor daquelas mulheres, de quem parecia querer distância. Chegou a dizer que nunca viverá uma situação dessas, pois sabe “criar bem” os filhos. Inominável. Jandira foto pablo porciuncula afp Moradores da Penha choram seus mortos (Foto: Pablo Porciúncula/AFP) Infelizmente, como esta senhora do IML, parte da população do Rio, como de todo o país, maltratada pela recorrente ausência de políticas estaduais sérias de segurança pública, também acredita na velha falácia do “bandido bom é bandido morto”. Para estas pessoas, ser preto e morar numa favela são crimes hediondos; o fato de não haver pena de morte no Brasil é mero detalhe (e o racismo se esconde nos detalhes). Objetivos eleitoreiros Cláudio Castro também pensa assim, mas seu papel é ainda mais venenoso: ele transforma operações policiais em espetáculos de assassinato em busca de votos. Nessa repetição de justiçamentos deliberados, que ele chama de “combate ao crime”, o governador autorizou 890 mortes em chacinas policiais em cinco anos de governo, segundo o Instituto Fogo Cruzado. Mas há outro detalhe ardiloso nas mentiras que Castro passou a contar sobre o Rio estar “sozinho na luta contra o crime”, numa tentativa de jogar a culpa de seus crimes no governo federal. O uso planejado da palavra “narcoterrorismo” surgiu em seus discursos e de outras autoridades estaduais. Logo em seguida, foi emulado nas redes bolsonaristas e ecoadas por parte da imprensa corporativa. Enquanto estávamos na Penha nos solidarizando com os familiares das vítimas, governadores de direita, todos de olho em prejudicar o governo Lula com objetivos eleitoreiros, vieram prestar solidariedade a Castro em seu palácio. Todos repetiram a palavra “narcoterrorismo”. Após meses de revezes, o campo bolsonarista tenta se reorganizar em torno do discurso do medo. Formaram um “consórcio da paz”, que celebra a morte, e se articulam para pautar um projeto de lei que equipara facções a grupos terroristas – como uma forma de possibilitar uma intervenção imperialista de “guerra ao terror” dos americanos, perigosamente voltada para a América Latina no desgoverno Trump. Com isso, miram três alvos simultâneos: atrapalhar a retomada do bom relacionamento entre Brasil e EUA (minada pelas fake news bolsonaristas); forçar uma interferência descabida em nossa soberania (não podemos esquecer o pedido de Flavio Bolsonaro para que os EUA bombardeassem o Rio); e encaixar uma pauta populista e extremista para as eleições do próximo ano. Truculência e espetáculo É preciso desmontar as mentiras golpistas da extrema-direita, que tanto mal têm feito ao país nos últimos anos. E dizer à população que há, sim, alternativa para derrotar o crime organizado, e ela já vem sendo aplicada pelo governo federal, de forma integrada entre Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal e outros órgãos públicos, como na Operação Carbono Oculto, que desarticulou o esquema financeiro do PCC no setor de combustíveis sem dar um tiro. A PEC da Segurança, proposta pelo governo Lula, articula a coordenação nacional no combate ao crime organizado. Mas Castro e seus governadores aliados do “consórcio da paz” não querem saber disso por motivos, mais uma vez, eleitoreiros e temerosos da descoberta de ligações econômicas e políticas com o crime. Está provado que inteligência e planejamento são mais eficazes que truculência e espetáculo. Fazem justiça, não justiçamento. E justiça é o mínimo que devemos às mães do Alemão e da Penha que tiveram seus filhos, criminosos ou não, mortos num tribunal de exceção. Vamos combater, de fato, o crime e retirá-lo do comando dos territórios do nosso estado. Não existe pena de morte no Brasil. Basta de fazer política com sangue.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

CHACINA MAIS LETAL

CHACINA MAIS LETAL Entenda em 16 pontos o desastre da megaoperação no Alemão e na Penha, por Jacqueline Muniz Desastre da operação policial escancarou o improviso e o populismo na gestão da segurança pública de Claudio Castro 29.out.2025 às 10h22 Rio de Janeiro (RJ) Jacqueline Muniz Entenda em 16 pontos o desastre da megaoperação no Alemão e na Penha, por Jacqueline Muniz Familiares choram sobre os corpos encontrados em área de mata e enfileirados na Praça São Lucas, na Penha - Tomaz Silva/Agência Brasil Passei o dia inteiro concedendo entrevistas para explicar a irresponsabilidade dos governantes e o desastre operacional de uma operação policial que escancarou o improviso e o populismo na gestão da segurança pública. Estas são 16 apreciações provisórias à espera de mais dados. E espero seguir subsidiando a discussão sobre maior operação solitária do Rio e com a maior letalidade já produzida até agora. 1. Abandono da população e exposição ao risco A operação deixou sem policiamento cerca de cinco milhões de moradores, imobilizando 2.500 policiais para pronto emprego, o que implica em alterar a escala de cerca de 10 mil policiais e mantê-los em prontidão. Um volume de efetivo superior a muitas polícias estaduais e sem capacidade de manter a sua mobilização e o seu empenho além de um curto período de tempo. Esse contingente concentrado num único perímetro da cidade imobilizou efetivos policiais para além das pernas estaduais. E, assim, abriu brechas para a ocorrência de crimes violentos oportunistas e ataques pontuais e previsíveis de grupos armados em represália. E, ainda, o mais óbvio: encurtou o tempo de sustentação da própria operação, maximizando os riscos de sua execução. O resultado foi o aumento da vulnerabilidade coletiva, a ampliação do medo e o comprometimento dos serviços de segurança pública na região metropolitana. 2. Aumento da letalidade e da vitimização A operação foi conduzida, em sua maioria, com agentes generalistas que não trabalham em unidades especializadas e nem têm qualificação em operações policiais de alto risco. Em boa medida, são policiais convencionais que tocam a rotina burocrática, investigativa e ostensiva, e não apresentam padrão elevado de tiro defensivo por modalidade de tiro policial e por tipo de armamento. Eles, por razões profissionais, atuam em guarnições pequenas ou em tropas e não como corpos táticos. E, desta forma, eles não dispõem de disciplina tática e nem especialização para cenários de alto risco. Este improviso feito pela convocação de policiais sem expertise e preparo técnico adequado para operações policiais especiais amplificou as chances de letalidade e vitimização, entre policiais e civis. O que multiplicou a insegurança profissional e institucional, a oportunidade de balas achadas e/ou perdidas e de agentes expostos indevidamente. Isto revela a manipulação de policiais como mercadorias políticas e o barateamento de suas vidas tal qual a vida dos moradores das periferias de onde saíram a maioria dos agentes fluminenses. 3. Paralisação da cidade, colapso da mobilidade e produção de pânico e insegurança A ação inviabilizou a circulação de pessoas, bens, mercadorias e serviços. O bloqueio territorial descoordenado imposto em uma área com cerca de 200 mil habitantes e aproximadamente 500 mil transeuntes em 5,2 km² gerou colapso urbano, atingindo diretamente o funcionamento cotidiano da cidade, impondo-lhe prejuízos econômicos, políticos e sociais. Isto produziu mais insegurança pública. O espetáculo bélico agravou o temor coletivo, alimentou o pânico moral e disseminou a percepção generalizada de insegurança. Em vez de esfriar a chapa e garantir a rotina na cidade, a previsibilidade e a regularidade das ações policiais, o governo produziu medo e desorientação social. E, ainda, comprometeu a produção e a distribuição de riquezas, impondo prejuízos existenciais e materiais à população da região metropolitana. 5. Comprometimento da capacidade de resposta A mobilização desmedida e insustentável do efetivo de 2.500 agentes estaduais comprometeu a capacidade ostensiva e de pronta resposta das emergências 190 e 192, prejudicando o atendimento a ocorrências reais em outras áreas da cidade, como assaltos, agressões, acidentes de trânsito, deixando milhares de moradores à deriva, entregues à falta de policiamento e de presteza de socorro frente às suas demandas emergenciais. 6. Sabotagem do trabalho de Inteligência e Investigação Ao levar à morte 64 pessoas, suspeitas ou não, a megaoperação terminou por sabotar o trabalho de inteligência e investigação das próprias polícias. Afinal, os mortos, se forem de fato “criminosos”, seriam justamente aqueles que poderiam revelar as parcerias entre Estado e crime, a troca de favores com as clientelas de baixo, ao lado e de cima, destruindo as possibilidades de elucidação das redes criminosas e de quem são os patrões, sócios e funcionários saídos do Estado e da política e que, por sua vez, conformam esta economia política criminosa. 7. Esgotamento do recurso repressivo O uso politiqueiro, banalizado e desordenado das operações policiais — um recurso caro e nobre que produz repressão qualificada e com foco — gerou o próprio esgotamento da capacidade repressiva das polícias militar e civil, que passam a ser incapazes, a curto e médio prazos, de sustentar resultados da repressão que elas mesmas produziram. Cabe lembrar que polícia é uma força diuturna e de pronto emprego e que, por isso, não tem estoque de repressão, sendo continuadamente empregada em cada ação policial efetiva. Ou seja, não existe estoque de repressão policial. Assim, o seu gasto desmedido, o seu abuso ou mau uso implica em esgotamento da própria capacidade de policiar. Este é um dos graves efeitos de operações feitas para espetáculo eleitoreiro. Cabe também esclarecer que nenhuma operação, em nenhum lugar, é capaz de produzir controle de território e população por tempo indeterminado, pela natureza escassa do recurso repressivo policial. Assim, tal como explica a doutrina de operações policiais especiais, os efeitos das operações são pontuais e provisórios, limitados no tempo e no espaço e com alto custo operacional. Por isso, requerem planejamento e gestão altamente qualificados para que seus resultados sejam satisfatórios e seus ultrapassem o imediato da atuação. 8. Serviço prestado ao crime organizado Não se deve matar as galinhas dos ovos de ouro da investigação e da inteligência. Paradoxalmente, ao matar 64 supostos bandidos, o Estado prestou um serviço ao crime organizado, eliminando possíveis integrantes de sua base criminal-comercial. Trata-se de uma mão de obra barata, precarizada e facilmente substituível, mas que custa para ser mantida de boca fechada dentro e fora das prisões. Os núcleos dirigentes do CV permaneceram intocados e protegidos com a troca de tiros da polícia com os soldados do tráfico. Estes, por sua vez, não podem recuar ou se renderem até que os gestores criminais tenham saído do território com o apoio de quem tem tiro certo, matrícula e passabilidade em qualquer lugar: agentes estatais parceiros do crime e milicianos. 9. Ineficácia operacional e manutenção do poder do CV A operação pouco afetou a capacidade coercitiva do CV, tal como tem ocorrido nos últimos 40 anos no Rio de Janeiro. Afinal, a capacidade coercitiva do CV não depende do uso de fuzis no controle de perímetros geograficamente irregulares, sem campo de visão claro com ao menos 180 graus de rotação. Fuzis são muito pesados, têm baixa mobilidade e pouca vantagem em terrenos acidentados. Para o crime, é mais vantajoso, ao empregar mão de obra com baixa qualificação, o uso de armas automáticas com menor necessidade de especialização, mais leves, que qualquer um possa usar sem muito treinamento, que permitam atirar enquanto correm, pulam ou se movimentam, e com facilidade de recarregar também em deslocamento. Fuzis requerem mais habilidade, qualidade decisória e posição tática para bom rendimento. Não dá para aprender usar fuzil só com tutorial da internet. Na correria da trocação de tiros, são os primeiros a serem abandonados ao longo do caminho, colaborando com o saldo operacional, atrasando a polícia e dando mais agilidade nos deslocamentos criminosos. 10. Planejamento politiqueiro e desrespeito a protocolos Sob ingerência eleitoreira, o planejamento da operação conjunta parece ter ignorado os protocolos de operações policiais das próprias PCERJ e PMERJ, elaborados em 2018, e que determinam parâmetros técnicos de planejamento, comando e controle e avaliação de desempenho operacional por grupo tático. Se as polícias tivessem ouvido apenas seus protocolos, os resultados não seriam a morte de 64 indivíduos, a multiplicação da insegurança pública e a paralisia da vida no Rio de Janeiro. Cabe enfatizar que existe doutrina de operações policiais internacional e das polícias estaduais, bem como critérios técnico-científicos de aferição de desempenho. 11. Desinformação e ausência de comando Sem uma sala de operações para alimentar os meios de comunicação e informar a população sobre o que se passava no decorrer da operação e das mudanças na ordem urbana, imperaram os boatos, os rumores e a desinformação — as verdadeiras fontes da insegurança pública. Isso favoreceu o desespero e o caos, paralisando os serviços essenciais na cidade e deixando a população desorientada, perdida e vulnerável, entregue ao risco do tiroteio e de outras violências. Faltou cadeia de comando e controle com coordenação. Aqui, mais uma vez, coube ao Estado criar a insegurança pública e multiplicá-la ao seu extremo. Nenhuma operação policial pode parar uma cidade. Isto é expressão de abuso e mau uso do poder de polícia por quem governa. Tratou-se de reproduzir a POLÍTICA DOS 3 S: primeiro dá SUSTO na população com polícia de espetáculo e de ostentação, depois demonstra SURTO de autoridade com bravatas, cara feia e peito de pombo e, por fim, promove SOLUÇOS operacionais que não tem sustentação no médio e longo prazos mas que possuem elevado efeito publicitário. 12. O dever de casa malfeito O governante que cobra integração sequer fez o seu dever de casa: não integrou, nem articulou as próprias agências do Estado, nem buscou coordenar suas funções durante a operação. Em vez de agir de forma sistêmica e planejada, cada órgão foi deixado à deriva, entregue ao seu corporativismo, e o resultado foi o colapso do funcionamento público e o agravamento do temor coletivo. a. Ministério Público (MP) O MP deveria ter sido integrado desde a fase de planejamento, garantindo foco, legalidade e repressão qualificada. Cabe ao MP acompanhar a execução das operações, controlar o uso da força, definir prioridades investigativas e resguardar os direitos fundamentais, evitando a banalização da morte como política pública. b. Defensoria Pública A Defensoria deveria ter atuado junto com o MP, mantendo plantões itinerantes e canais de atendimento emergencial para a população atingida. Seu papel seria proteger moradores em situação de risco, orientar famílias de vítimas e garantir o acesso à Justiça nos casos de violações decorrentes da operação. c. Corpo de Bombeiros Militar do Estado O Corpo de Bombeiros Estadual deveria estar mobilizado para assegurar o pronto-socorro e atuar em resgates e emergências médicas durante a operação. Sem essa presença, vidas se perdem por omissão, e o socorro chega tarde — quando chega. d. Guarda Municipal A maior guarda municipal do país deveria ter sido acionada para ordenar o trânsito, desviar linhas de ônibus, orientar fluxos de pedestres e impedir a paralisação total da cidade. Em vez disso, a cidade foi abandonada ao caos, sem controle de circulação nem apoio logístico. e. Fiscais e Agentes de Trânsito Os fiscais e agentes de trânsito deveriam ter sido integrados ao esquema operacional, atuando em conjunto com a guarda para liberar vias, sinalizar bloqueios e evitar o colapso urbano. Sua ausência reforçou o imobilismo logístico e o sentimento de abandono coletivo. O resultado foi uma operação “de juntos e misturados”, sem coordenação e sem cadeia de comando efetiva — um retrato fiel do bloco do “eu sozinho” governamental, em que cada órgão foi desmobilizado ou ignorado. O desastre estava anunciado desde o modo como foi executado: com desgoverno, sem integração e sem responsabilidade pública partilhada. 13. O bloco do “eu sozinho” e o falso teatro da guerra Não se pede apoio federal com blindados como quem pede emprestado uma xícara de café. Não é possível colocar as Forças Armadas na rua para fazer “uber” na segurança. Se é necessário o apoio das FFAA, então é preciso solicitar e partilhar o planejamento, o comando e o controle, para também dividir responsabilidades nos acertos e erros. Operação integrada não é um churrasco improvisado de final de semana, em que cada um leva o que tem, esquece de levar a carne e de gelar a cerveja. Não é o junto e misturado da roda improvisada de samba, em que se perde o ritmo e se desafina com gargalhadas. Há que se ter um plano conjunto, com início, meio e fim, para não virar o que foi o final dramático da operação do Alemão em 2010, em que as FFAA entraram e ficaram meses exatamente porque não se tinha efetivo de polícia para manter a retomada de território. O espetáculo da guerra sem exército desmoralizou o governo em mais um enxuga gelo contra o CV, ao passo o prejuízo imposto ao crime será reposto em uma semana de faturamento regional e nacional. Por ingenuidade, ignorância, má assessoria política ou oportunismo, desenhou-se uma operação “instagramável” para catapultar o governante, mostrando que ele teria mando de fato e de direito, que é capaz de agir sozinho, sem apoio de ninguém, reproduzindo o bloco do “eu sozinho” heroico governamental. Como tal operação não tinha como se sustentar desde o início, por razões logísticas básicas, o tempo foi passando e os 2.500 policiais foram sendo forçosamente desengajados, e a operação virou um presente de grego: não pode continuar porque não tem pernas; não pode sair porque os saldos operacionais produzidos não abatem a precificação das mortes e das perdas materiais e existenciais dos moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro. E, claro, mais uma vez, a ocultação da responsabilidade política do comandante em chefe das polícias implicava pôr a fatura salgada na conta do STF e do governo federal que também tem deixado a desejar quando o assunto é a política de segurança pública. 14. A culpa é minha e eu ponho em quem eu quiser Como de praxe, um governante que vira animador de auditório, servindo de garoto-propaganda de operações, torna-se dependente de saldos operacionais “instagramáveis”, independentemente da legalidade com que foram produzidos. Ficam todos os governantes municipais, estaduais e federais dependentes do que as polícias podem produzir e entregar para seu permanente estado de campanha eleitoral. E, desta forma, são quase que obrigados a fecharem os olhos para os maus usos e abusos do poder de polícia. Quando o saldo operacional é bom todo governante se torna ‘pai” da operação policial e vira uma espécie de garoto-bombril com suas mil e uma utilidades político-partidárias das polícias. E num contexto de terceirização do comando da segurança pública para grupos corporativistas e correligionários, o governante abdica de assumir responsabilidade como comandante em chefe e atribui a culpa a outro alguém federal, estadual ou municipal conforme a conveniência, convivência e conivência. O governante blefa quando diz que a ADPF das Favelas algemou a polícia impedindo operações, quando na verdade o que a ADPF fez foi exigir profissionalismo policial e o cumprimento da doutrina policial de uso da força e, por sua vez, da doutrina de operações policiais. A ADPF 635 cobrou, pela primeira vez, que a polícia fosse Polícia com “P” maiúsculo. Durante sua vigência, viu-se o crescimento das operações policiais no Rio, como demonstrado pelo Fogo Cruzado. Dizer que a ADPF fez prosperar as barricadas é, no mínimo, infantil. Até porque barricadas são demonstrações visuais da incapacidade do CV, TCP ou qualquer outro domínio armado de garantir soberania sobre território. Servem para controlar fluxos de pessoas, dificultar invasões de grupos rivais e servem muito pouco para conter ou impedir polícias, que não são bandos, e sim organizações armadas com superioridade de meios e métodos. Se lá estão as barricadas, é porque o Estado assim quer, como parte do seu arrendamento dos espaços populares para o crime. Barricada serve para o CV ganhar alguma vantagem defensiva contra rivais de mesmo calibre. Barricadas viram brinquedo diante do poderio das burocracias armadas como as polícias e FFAA. 15. A falácia da falta de integração porque falta lei Nada mais enganoso do que afirmar que a falta de integração com o governo federal deriva da ausência de uma lei — como a PEC da Segurança ou o Pacote Anticrime. Cabe esclarecer que, com os dispositivos normativo-legais que já dispomos, é possível fazer agora operações conjuntas, operações integradas e forças-tarefas. Todas elas provisórias e limitadas no tempo e à sua missão, como devem ser, para garantir resultados superiores e transparentes. Este tipo de atuação integrada não precisa esperar mudança legislativa, por melhor que ela seja. E seja mesmo necessária. Isso porque operação conjunta, integrada e força-tarefa resulta de decisões de natureza política e administrativa-procedimental, ao alcance de qualquer gestor em posição de mando. A lógica brasileira de vender para o cidadão inseguro e desinformado que só mudando a lei se muda o mundo é um caldo liberal-autoritário que serve como desculpa para a produção do monopólio do nada fazer dos governantes e para a ocultação da ausência de políticas nacionais, estaduais e municipais. Vender a fantasia de que só com a mudança da lei algo pode ser feito é matar a política pública e ocultar leniências. E mais: é dar serviço aos outros sem se comprometer com a execução da própria lei, insinuando que “já fez a sua parte” ao criar a lei, e que agora o problema seria com quem executa — como se as leis não pudessem criar problemas de execução, gastos e prestação de contas e, até mesmo serem, inaplicáveis como revela normas draconianas de endurecimento penal. Além de uma covardia moral, colocar as fichas políticas na aprovação de uma lei é colocar o medo, a insegurança e a violência vividos hoje pela população no final de uma longa fila de espera. Como se medo e insegurança pudessem ser adiados até a aprovação da suposta lei milagrosa. Não dá para pedir ao crime organizado, aos criminosos do cotidiano, ao feminicida que suspendam suas atividades e só voltem a atuar quando tivermos uma lei que integre as polícias ou uma lei mais dura. Há, por fim, neste ilusionismo da mudança da lei como salvação imediata o delírio de uma “big-data total” de todas as informações e uma inteligência central, do bem naturalmente, que de cima para baixo articularia todas as polícias, a cada demanda, a cada ação. Nada mais ingênuo, pois nem a ditadura conseguiu este admirável mundo do comando e do controle único e central. Tem-se aqui o fetiche liberal-autoritário à brasileira com um novo papel de bala vistoso mas com recheio podre. Veja que integração aqui corresponde a uma unificação, uniformização e monopólio de fontes em um país federativo, de larga escala, com distintas agências de controle, com diversidade de cenários e desafios de atuação. Este tipo de fantasia tecnocrática revela, na prática, o desconforto que temos com as negociações e a produção de consenso e acordos. Revela que o que se quer estabelecer uma autoridade forte, definir quem manda em quem e quem é o que manda em tudo de forma unitária e autocrática. 16. A verdade que não se quer falar Nenhuma organização criminosa no Rio de Janeiro controla plenamente o território. O controle é sobre a população, por meio da ameaça do uso da violência. E, para existir, essas organizações dependem da parceria com o Estado, que garante previsibilidade e estabilidade aos arrendamentos territoriais para o CV, por exemplo. Não existe essa história de poder paralelo — cuja finalidade desta expressão foi a de ocultar as relações entre política e crime organizado. É o Estado que, funcionando como uma agência reguladora do crime — para o bem ou para o mal —, organiza ou desorganiza o crime desde dentro. Não há como garantir domínio territorial armado com alguma estabilidade de mando sem a colaboração direta dos poderes estatais que conferem seu lastro ampliando ou assegurando o domínio sempre provisório do crime. Domínio armado do CV não é o mesmo que produzir e garantir soberania. Também não há e nunca houve Estado ausente. O que há no Rio são governos que negociam sua forma de presença nos espaços populares, como também se vê em outros estados e em outros países. Bem, estes foram alguns pontos esclarecidos em minhas entrevistas e que, mais adiante, quando dispuser de mais dados sobre esta operação de 28/10/2025 no Alemão e na Penha, poderei explicitar os parâmetros técnico-científicos assentados em evidências empíricas que nos ajudem a quebrar os mantras que nos iludem e desmascarar as cloroquinas da segurança que nos envenenam com falsas explicações. *Jacqueline Muniz é professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF). **Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha do editorial do jornal Brasil de Fato. Editado por: Vivian Virissimo

domingo, 7 de setembro de 2025

Dia da Pátria é dia de afirmar a verdadeira defesa da soberania brasileira a qualquer custo

Dia da Pátria é dia de afirmar a verdadeira defesa da soberania brasileira a qualquer custo Brasil enfrenta sanções e ataques externos no 7 de Setembro, reafirmando luta pela soberania nacional 07 de setembro de 2025, 06:21 h 140 Partilhas whatsapp-white sharing button 18twitter-white sharing button 11facebook-white sharing button 76email-white sharing button 1copy-white sharing button Neste Dia da Pátria de 7 de setembro, celebra-se a data que representa muito mais do que um marco histórico: é a reafirmação solene do compromisso de cada brasileira e brasileiro com a soberania nacional. Trata-se de um valor agora mais do que nunca desafiado por ameaças que exigem respostas firmes. As comemorações, tradicionalmente marcadas por desfiles cívicos e militares, simbolizam a longa trajetória de luta pela autodeterminação do povo brasileiro. Neste ano, contudo, a data é observada sob a sombra de graves ataques à integridade política e econômica do país, protagonizados pelo governo dos Estados Unidos de Donald Trump. A soberania nacional, conquistada após séculos de dominação colonial, encontra-se hoje penalizada por sanções econômicas e interferências políticas que visam subjugar o Brasil a interesses geopolíticos externos aliados a brasileiros traidores de sua Pátria. As tarifas de 50% impostas sobre produtos brasileiros pelos EUA, adornadas por narrativas distorcidas destinadas a paralisar o sistema judicial nacional, representam não apenas um ataque à economia, mas uma afronta à capacidade de o país gerir suas instituições democráticas conforme princípios constitucionais escolhidos pelos brasileiros. Tais agressões, detalhadas em documentos e mensagens presidenciais estadunidenses, acusam mentirosamente o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes de suprimir liberdades, ignorando a conduta absolutamente legal e soberana das decisões judiciais brasileiras. Ad loading É profundamente preocupante constatar que esses ataques contam com a instigação de brasileiros que, em vez de defenderem a nação, alinham-se com interesses estrangeiros. Eduardo Bolsonaro, ao estabelecer-se nos Estados Unidos e ali atuar pela aplicação de sanções contra seu próprio país, comete ato de traição à pátria. Tais máquinações espúrias merecem o mais veemente repúdio social e a exemplar punição legal reservada aos mais pérfidos infiéis. Investigações da Polícia Federal revelaram diálogos nos quais ele e o ex-presidente Jair Bolsonaro conspiraram ativamente para instigar autoridades dos Estados Unidos a prejudicar economicamente o Brasil, o seu próprio país, priorizando agendas pessoais sobre o bem-estar de seus concidadãos. Essas ações não apenas visam a fragilizar o país como representam violação ética e legal dos deveres para com a nação. Em decorrência, o Brasil é hoje o país mais penalizado por tarifas dos Estados Unidos. A presente crise impõe o reconhecimento de que o Brasil deve, mais do que nunca, confiar e investir prioritariamente em suas próprias forças e inteligência para tornar-se, definitivamente, uma potência econômica com justiça social. Essas forças internas - representadas pela capacidade produtiva nacional, pelo potencial científico e tecnológico, e pela criatividade empreendedora de seu povo. Impõe-se retirar as conclusões da situação de dependência do Brasil a estruturas internacionais, em especial estadunidenses, que podem ser subitamente usadas como instrumento de chantagem para submeter a soberania do Brasil. O país precisa se prover de meios próprios para se liberar de amarras externas e internas que limitem seu pleno funcionamento e desenvolvimento. Diante desse cenário, impõe-se ao governo brasileiro identificar vulnerabilidades e acelerar medidas práticas que fortaleçam a autonomia nacional em todas as áreas estratégicas. A dependência econômica e tecnológica dos Estados Unidos, outrora vistos como parceiros revela-se agora fraqueza crítica. É imperativo que o Brasil diversifique parcerias internacionais, fortaleça cadeias produtivas locais e invista em inovação tecnológica para impedir a sujeição a pressões externas. Setores como energia, defesa, economia digital e agricultura devem ser prioritários nesse esforço. A defesa da soberania exige igualmente reforço das instituições democráticas. O STF, alvo central dos ataques de Trump, deve ser protegido como pilar do Estado de direito, e suas decisões, relacionadas ao combate à desinformação e à proteção do processo democrático, devem ser compreendidas como essenciais à própria existência do país como tal. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e os juízes da Suprema Corte, com Alexandre de Moraes à frente, personificam essa luta pela integridade institucional, enfrentando pressões que visam minar a credibilidade do sistema legal. Neste Dia da Pátria, a maior homenagem que se pode prestar aos que lutaram - e morreram - pela independência é o comparecimento aos atos em defesa da soberania que se realizam em todo o país. A presença neles é a melhor mensagem de que os brasileiros desejam rejeitar qualquer forma de subordinação e afirmar, com determinação, que o Brasil não negociará sua soberania. Que esta data renove o compromisso coletivo com um projeto nacional soberano, justo e verdadeiramente independente, capaz de resistir a ameaças externas e superar divisões internas pela punição aos vendedores da pátria. O futuro do Brasil deve ser escrito por brasileiros, sem interferências que comprometam o destino comum da nação. Que nenhum indivíduo que traia sua pátria possa ostentar a condição de brasileiro. Que os brasileiros dignos manifestem seu compromisso mais profundo com a independência no momento em que ela mais se encontra em perigo. Redação Brasil 247 avatar Conteúdo postado por: Redação Brasil 247

Sóstenes, patriarca da impunidade?

Sóstenes, patriarca da impunidade? – Por Marcelo Uchôa Não se está discutindo sobre roubo de galinha ou avanço de muro sobre terreno de vizinho, está-se tratando de golpe de Estado, respeito aos Poderes e democracia Marcelo Uchôa Por Marcelo Uchôa Escrito em Opinião 7/9/2025 · 11:33 Sóstenes, patriarca da impunidade? – Por Marcelo Uchôa Bolsonarista Sóstenes Cavalcante.. Agência Câmara de Notícias Em sua célebre obra “O homem medíocre”, de 1913, José Ingenieros dizia que os medíocres “engolem sem digerir, até o empachamento mental: ignoram que o homem não vive do que engole, mas do que assimila”. A reflexão vale para o deputado federal do PL, Sóstenes Cavalcante. Se é verdade que este conhecido preposto do sempre encolerizado Silas Malafaia articula um projeto de lei para garantir impunidade ampla aos investigados, processados ou condenados no, e em função, do Inquérito das fake news, no Supremo Tribunal Federal, a partir de 14 de março de 2019, inclusive restaurando a elegibilidade do atualmente tornozelado em prisão domiciliar, à espera de nova condenação, ex-presidente Jair Bolsonaro, nas eleições do próximo ano, deveria, ele mesmo, Sóstenes Cavalcante, ser cassado por ausência de decoro parlamentar, imperativo ético-jurídico associado ao exercício da função. O Parágrafo único do art. 1° da Constituição estabelece que todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos nos termos da Constituição, sendo ele, Sóstenes, um desses representantes. Porém, tal poder de representação não lhe transfere o direito de gozar descaradamente de quem o elegeu. Se a própria imunidade parlamentar não é absoluta, mesmo ela está submetida aos freios da Constituição, o que dizer do decoro parlamentar? Está lá no art. 3°, III, do Código de Ética e Decoro Parlamentar, que este deve “zelar pelo prestígio, aprimoramento e valorização das instituições democráticas…” No inciso IV seguinte, lê-se que o parlamentar “deve exercer o mandato com dignidade e respeito à coisa pública e à vontade popular, agindo com boa-fé, zelo e probidade”. Ora, o caput art. 1° da Constituição afirma que o Brasil é um Estado Democrático de Direito. Assim, atentar contra a democracia é o crime mais grave cometido contra o país, tão ou mais grave do que atentar contra sua soberania, fundamento da pátria, erigida no inciso I, do art. 1º, hoje bestializado pelo traidor foragido nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro. O art. 5º, inciso XLIII, da Constituição proíbe a concessão de anistia, graça ou indulto para certos crimes. Não inclui ali os crimes contra o Estado, mas o fato de não os incluir não significa que numa simplória interpretação sistemática da Carta se chegue à conclusão de que crimes contra o Estado são impassíveis de anistia. Foi com tal exercício hermenêutico que o Supremo Tribunal Federal tornou nulo o indulto concedido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao ex-deputado federal condenado, Daniel Silveira, ressaltando desvio de finalidade incompatível com os princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade administrativa. Em resumo, não cabendo a proteção constitucional para promover sua própria traição, através do descumprimento acintoso de decisão judicial legítima, transitada em julgado. Recomenda-se, portanto, ao deputado Sóstenes, prudência. Que não se atreva a desdenhar dos que representa no Congresso em nome de um dito chefe religioso que, há muito, perdeu a credibilidade moral e política. Se assim proceder, conte as horas para a perda do mandato, senão pelas hipóteses acima, nas próximas eleições. A propósito, comenta-se que o presidente do Senado Davi Alcolumbre cogita proposta intermediária, diminuindo as penas estabelecidas aos condenados do 8 de janeiro. Nesta hipótese, em que pese considerá-la também de inconstitucionalidade flagrante pelas mesmas razões acima, ou seja, violar decisão judicial transitada em julgado, pergunta-se por que não fazer uso do expediente do inciso II do art. 14 da Constituição, o referendo popular? Esse meio de escuta também é uma das formas de manifestação da soberania. Aliás, meio direto que deveria ser mais utilizado no Brasil (quiçá com o plebiscito), já que em ambas as Casas Parlamentares integrantes parecem haver perdido a bússola da retidão. Certamente, brasileiras e brasileiros ficariam felizes em decidir sobre assunto tão polêmico. Afinal, não se está discutindo sobre roubo de galinha ou avanço de muro sobre terreno de vizinho, está-se tratando de golpe de Estado, respeito aos Poderes e democracia, em trama de tamanha gravidade que previa assassinato de presidente e vice-presidente da República recém-eleitos, bem como de ministro do STF, para não citar mais gravames de ordem política e social. *Marcelo Uchôa é advogado. Doutor em Direito, com estudos de pós-doutorado na Universidade de Salamanca. Membro da ABJD e do Grupo Prerrogativas. @MarceloUchoa_.